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domingo, 12 de maio de 2019

A Ética na Atuação do Psicólogo Social em Contexto de Políticas Públicas


A Ética na Atuação do Psicólogo Social em Contexto de Políticas Públicas

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Resumo: Através do presente artigo pretende-se trazer o conceito de ética na visão de alguns filósofos, bem como explanar aspectos históricos da Psicologia Social, e, por fim, fazer uma reflexão acerca das implicações éticas concernentes à atuação do profissional de psicologia no contexto das políticas públicas. Para essa pesquisa foi utilizado método dedutivo através de revisão bibliográfica de artigos. Diante das discussões sobre ética, esse artigo se faz relevante a partir do momento em que essas discussões trazem alguns questionamentos do fazer ético enquanto profissional de Psicologia diante de situações nas quais tenham que tomar decisões que podem comprometer o outro ou a si mesmo. E no contexto que envolve as Políticas Públicas, que é onde ele pode se deparar com maior frequência com o dilema ético, pois por envolver políticas, na maioria das vezes, são indicados para ocuparem tais cargos e com isso poderá se ver tendo que escolher entre sua ética ou correr o risco de perder seu emprego.
Palavras-chave:Ética, Política,Políticas Públicas, Psicologia.

1. Introdução

Assim como várias outras áreas de atuação profissional, e principalmente por ser uma profissão relativamente recente no Brasil, a Psicologia se depara com conflitos éticos em diversos contextos. Um dos contextos em que isso se apresenta é a Psicologia Social, tantas vezes vinculada ao trabalho em instituições de políticas públicas.
Enquanto ações governamentais que influenciam diretamente na vida da sociedade, as políticas públicas estão colocadas dentro da área de interesse da Psicologia Social. Apesar disso, a Psicologia não se insere nesse espaço com um posicionamento político partidário, antes deve estar atrelada sempre à suas bases teóricas e éticas.
O caráter político da Psicologia, no sentido do seu alcance e espaço de fala, é inegável e se reafirma inclusive no compromisso social assumido no Código de Ética Profissional de Psicologia (CFP, 2005). No entanto, o entendimento dos limites e bases do comprometimento profissional nos contextos de políticas públicas dão margem a dubiedades. Por esse motivo, o presente trabalho objetiva esclarecer como se dá a prática da Psicologia de forma ética no contexto social de Políticas Públicas.
Para se aprofundar de modo mais específico nesta reflexão, inicialmente se apresentará uma exposição de conceitos de ética em bases filosóficas. Em seguida, é feito uma explanação histórica de como a Psicologia Social vem se desenvolvendo enquanto área de atuação profissional. Por fim, é apresentado o espaço da ética na atuação do psicólogo social no contexto de políticas públicas e como isto se efetiva.

2. Ética na Visão Filosófica

Para elaborarmos um trabalho sobre a ética na psicologia social, entende-se necessário primeiro trazer o conceito do que seria ética na visão de alguns especialistas no assunto. Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser; “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, igualmente, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social (DECHICHI, 2015).
A ética vem sendo discutida em vários conceitos que, por sinal, acabam sendo muito complexos, pois cada indivíduo traz consigo construções que irão definir sua moral. Osfilósofos gregos aprofundaram seus estudos sobre o assunto e cada pensador definiu de maneira diferente o que seria ética (VAZ, 2014).
Platão propõe uma ética transcendente, dado que o fundamento de sua proposta ética não é a realidade empírica do mundo, nem mesmo as condutas humanas ou as relações humanas, mas sim o mundo inteligível. O filósofo centra suas indagações na ideia perfeita, boa e justa que organiza a sociedade e dirige a conduta humana. As ideias formam a realidade platônica e são os modelos segundo os quais os homens têm seus valores, leis, moral. Conforme o conhecimento das ideias, das essências, o homem obtém os princípios éticos que governam o mundo social (VAZ, 2014).
O uso reto da razão é entendido como o meio de alcançar os valores verdadeiros que devem ser seguidos pelos homens. No mito da caverna, o filósofo expõe a condição de ignorância na qual se encontra o homem ao lidar com o conhecimento das aparências. Somente pelo conhecimento racional o homem pode elevar-se até as Ideias, até o Ser e conhecer a verdade das coisas. Isto se dá através do método dialético, o qual elimina as aparências e encontra as essências, a verdade, no conhecimento das coisas. Este método filosófico tem por finalidade libertar os homens da ignorância e levá-los ao conhecimento de ideia em ideia, até alcançar o conhecimento da Ideia Suprema: o Bem. As outras ideias participam desta e deve sua existência a esta (VAZ, 2014).
A alma humana – de suma relevância para a ética platônica - é tripartite, isto é, forma- se pela inteligência, pela irascibilidade e pela concupiscência. Tal como as partes da cidade ideal, cada uma das partes da alma possui suas funções específicas que não podem ser exercidas por nenhuma das outras partes. Cada uma das partes da cidade e, por analogia, cada uma das partes da alma, possui uma função própria a qual pode ser executada com excelência ou não, e, ao executá-la com excelência, sua virtude própria é exercida.
A ética aristotélica, em oposição à ética de seu mestre, é imanente, tendo suas bases na realidade empírica do mundo, no questionamento acerca das condutas humanas e na organização social. As exigências com relação à vida na polis e a realidade do homem, formam o conteúdo das ideias e são ambas as responsáveis pela escolha dos valores, pela moralidade e pelas leis, pela definição das condutas dos homens. Sua teoria ética era realista, empirista em contrapartida à visão idealista e racionalista de Platão (VAZ, 2014).
De acordo com essa ética, ela inicia-se com o estabelecimento da noção de felicidade. Neste sentido, pode ser considerada eudemonista por buscar o que é o bem agir em escala humana, o agir segundo a virtude – diferentemente de Platão, que buscava a essência das ideias de felicidade e da ideia do Bem sem relacioná-las diretamente à prática. A felicidade é definida como uma certa atividade da alma que vai de acordo com uma perfeita virtude. Partindo dessa definição, faz-se necessário um estudo sobre o que é uma virtude perfeita e, assim, faz-se necessário, também, o estudo da natureza da virtude moral (VAZ, 2014).
Aristóteles acreditava que o governo tem várias formas nas quais foram permitidas que os homens na sociedade tivessem uma vida melhor. Para ele, “o homem é um animal político”, ou seja, o homem só realiza sua natureza quando envolvido na vida da polis. A política constitui, ao lado da ética, dentro do sistema aristotélico, o “saber prático”, pois o objetivo de ambas não é o conhecimento de uma realidade – como no caso da física, astronomia, ciências biológicas e psicologia, que constituem o “saber teórico”. Segundo esse filósofo, ética e política não poderiam ser pensadas separadamente, pois enquanto a ética busca o bem-estar individual, a política busca o bem comum (SANTOS, 2018).
“Toda arte e todo saber, assim como tudo que fazemos e escolhemos, parece visar algum bem. Por isso, foi dito, com razão, que o bem é aquilo a que todas as coisas tendem, Mas há uma diferença entre os fins: alguns são atividades, ao passo que outros são produtos à parte das atividades que os produzem.” (Aristóteles, , 1094a).
De acordo com o filósofo, a felicidade não é prazer físico, mas harmonizar a mente com a virtude. O melhor para a maioria é a virtude. As partes intelectuais e emocionais da mente criam tipos intelectuais e morais da virtude. Esta virtude é expressa a partir da mente através da ação voluntária (AZEVEDO, 2017).
Contudo, ele propõe escolher a “áurea” entre muita emoção e muita ação. Coragem é virtuosa  quando se equilibra entre a covardia e temeridade, extravagância e indiferença. Justiça ocorre quando cada pessoa recebe o que merece. Qualquer desvio da média é injustiça (AZEVEDO, 2017).
Com isso ele afirma que uma vida de felicidade última e realização é uma vida de contemplação solitária. No entanto, ele sugere que este estado de ser, não pode ser realizado por meros mortais. Argumenta que a maior felicidade pode ser alcançada seguindo os valores morais para viver uma vida agitada na política e esplendor público (AZEVEDO, 2017).
Contrapondo a esses dois filósofos, Kant traz uma ética mais voltada para moral, salientando que a visão de que ações corretas são aquelas ações que não são instigadas por impulsos ou desejos, mas pela razão práticaA ação é considerada correta se for empreendida por uma questão de cumprir o seu dever, e cumprir o dever significa agir de acordo com certas leis morais ou “imperativos” (AZEVEDO, 2017).
Para nos ajudar a identificar aquelas leis que são moralmente obrigatórias, Kant forneceu-nos o cálculo final: o imperativo categórico que afirma: “Aja apenas de acordo com a máxima que você pode querer que se torne uma lei universal”. Para o imperativo categórico, Kant oferece um aditamento que se refere especificamente à vontade humana; “Assim, aja para que você use a humanidade, seja em sua própria pessoa ou na pessoa de outro, sempre como um fim, não apenas como um meio” (AZEVEDO, 2017).
A busca por explicar o que seria ética nos leva a compreensão que, de certa forma, todos acreditavam que o sentido final da mesma era buscar uma situação em que a felicidade fosse o final de toda essa busca. Diante disso, o fazer ético do profissional de psicologia nos leva a compreender que o profissional está sempre buscando a melhoria do indivíduo, respeitando-o e encaminhando para uma melhor condição de vida dentro daquilo que acredita, juntamente com indivíduo ser o melhor para si. Para tanto se faz necessária uma postura ética, não só como profissional, mas também como pessoa, afinal não se pode desvincular uma coisa da outra, e, de acordo com CHAUI (2000) não se pode ter fins éticos se os meios não forem éticos.
Ética é um assunto que perpassa por gerações, culturas etc., e, cada passagem é sinônimo de modificações nos seus conceitos. Diante disso entende-se necessário contextualizar a história da ética, bem como os conceitos de alguns filósofos gregos até chegar nos dias atuais. Primeiramente, para entendermos sobre a ética, devemos iniciar pelo conceito filosófico. É necessário entender que é a área que investiga o comportamento humano em suas relações entre si, considerando conceitos utilizados para avaliá-las como: valor, virtude, justiça, moral, bem, normas morais, dever, liberdade e responsabilidade. Promove também reflexões sobre a busca humana pelas melhores formas de agir, viver e conviver. De forma mais específica, segundo Cotrim (2004, p. 264).
Como teoria filosófica, a ética se caracteriza como estudo das ações individuais dos homens, cuja finalidade consiste em elaborar uma orientação normativa para as ações humanas que seja estabelecida como bem. Com o filósofo grego Aristóteles a ética passou a ser a “ciência do moral”, ou seja, do caráter e das disposições do espírito. É destacado que a ética é um conjunto de argumentos que são utilizados pelos indivíduos para justificar suas ações, solucionando com diferentes problemas em que há o conflito de interesses com bases em argumentos universais (SANTOS 2013).
A ética é uma disciplina teórica sobre uma prática humana, que é o comportamento moral... A ética tem também preocupações práticas. Ela orienta-se pelo desejo de unir o saber ao fazer. Como filosofia prática, isto é, disciplina teórica com preocupações práticas, a ética busca aplicar o conhecimento sobre o ser para construir aquilo que deve ser (SANTOS, 2013).
A sociedade nos impõe padrões e para podermos conviver harmonicamente é necessário que sigamos alguns paradigmas atuais. Dependendo de nossas decisões e ações traremos conosco o questionamento acerca do que seria ético ou não para nós e para outro, partindo do pressuposto que não existe ética sem o contato com o outro. Em outras palavras, para sermos éticos não só temos que estarmos satisfeitos com nossas decisões, mas também fazermos uma reflexão de que forma essas decisões foram prejudiciais ou não ao outro, onde através disso chegaremos a uma moral.
O aspecto ético, fundamental no fazer profissional, deve ser considerado em sua relação com a psicologia em um contexto de atualidade. De acordo com Silva (2008), a globalização e consequente evolução científica e tecnológica, associadas à restrição de acesso de alguns grupos a estas possibilidades, favorece o estabelecimento de um cenário social de desigualdade que fomenta violência e miséria. Nesta relação:
Todas estas transformações da sociedade contemporânea colocam vários desafios para a psicologia social na atualidade. Talvez um dos principais desafios seja a necessidade de se estar constantemente reinventando novos modos de produção de conhecimento em função da própria complexidade das questões às quais nos vemos confrontados (SILVA, 2008, p.39).
Para Silva (2008), a Psicologia Social estuda como é produzida a experiência subjetiva e, de acordo com as constantes mudanças neste objeto de estudo, as áreas de estudo devem se atentar para isto e buscar adequações que condizem com a função política que também lhes cabe. Estas adequações podem refletir numa atuação profissional embasada em relações de criação ou de alienação.
Na busca da Psicologia social por novas estratégias de conhecimento condizentes à contemporaneidade, traz-se uma nova roupagem para essa figura, não como um parâmetro de estabelecimento de verdade, mas como busca de entendimento dos modos de captura da subjetividade e das principais formas de subjetivação vigentes. Seu enfoque está em desconstruir dicotomias e reconstruir o entendimento a respeito dos objetos de estudo (SILVA, 2008).
Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe também  a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste sentido, é possível citar: ética médica, ética profissional, ética empresarial, ética educacional, ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, etc.
Como toda profissão regulamentada, a psicologia também dispõe de um código que, de certa forma, regulamenta o fazer ético do profissional. Para trazer a importância da ética no exercício da psicologia faz-se necessário salientar que o indivíduo, em todos os seus contextos, é a principal ferramenta de estudo da psicologia. Sendo assim, o respeito a tal ferramenta, tão importante para desenvolver um bom trabalho, é de suma importância. Logo nos seus primeiros três princípios fundamentais, o Código de Ética relata que:
  1. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  2. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
  3. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural (CFP, 2005).

Diante desses preceitos, é importante salientar que ser ético vai muito além do que está escrito num código. O profissional trará consigo construções e experiências próprias que não podem ser separados do seu fazer profissional, pois é através de suas decisões e reflexões que ele embasará seu trabalho de uma forma imparcial, dando prioridade ao indivíduo como todo.
A psicologia como uma ciência que possui diversas vertentes, utiliza desse pressupostos teóricos no seu fazer ético, no qual nosso principal foco neste artigo será a ética na psicologia social.

3. Desenvolvimento Histórico da Psicologia Social Enquanto Área de Atuação Profissional

A psicologia social surge basicamente no final do século XIX, tendo como principal precursor o filósofo francês Augusto Conte, considerado o pai dessa ciência. Para Conte, a Psicologia Social seria um subproduto da Sociologia e da Moral, sendo encarregada em dizer como o indivíduo poderia ser, ao mesmo tempo, causa e consequência da sociedade. No entanto, só após a Primeira Guerra Mundial, por volta de 1920, é que esse ramo se desenvolveria como estudo científico e sistemático. Num mundo abalado por crises e conflitos, os pesquisadores encontraram um campo a ser amplamente estudado, visando descobrir uma maneira de preservar os valores de liberdade e os direitos humanos numa sociedade tensa e arregimentada.
Os cientistas daquela época buscavam entender diversos fenômenos sociais como a liderança, preconceito, propaganda, conflitos de valores e como os indivíduos secomportavam frente a estes. Nos EUA, essas pesquisas tinham o intuito de procurar formas de melhorar a vida do homem no contexto social, utilizando para isso os dados e conceitos de anos de pesquisas na psicologia. A sociedade era o grande objeto de estudo nessa época, suas motivações, atitudes frente à determinadas situações, padrões de comportamento, enfim, tudo que demonstrasse a dicotomia existente entre o ser e a sociedade. Por mais que um não exista sem o outro, são dois fenômenos diferentes.
No entanto, quando nos debruçamos em sua breve história, a Psicologia Social tem se caracterizado pela pluralidade e multiplicidade de abordagens teóricas adotadas como referenciais legítimos à produção de conhecimentos sociopsicológicos. Tal contexto tem dificultado sobremaneira a delimitação do objeto de estudo ou mesmo dos vários objetos de estudo dessa disciplina. Contudo, o binômio indivíduo-sociedade, isto é, o estudo das relações que os indivíduos mantêm entre si e com a sua sociedade ou cultura, sempre esteve no centro das preocupações dos psicólogos sociais, com o pêndulo oscilando ora para um lado, ora para o outro (FERREIRA, 2010).
Assim é que, em seus primórdios, a Psicologia Social adotou uma abordagem eminentemente molar, dedicando-se prioritariamente ao estudo dos processos socioculturais e concebendo o indivíduo como integrante desse sistema. Com o passar do tempo, porém, ela foi progressivamente adotando níveis mais moleculares de análise e se tornando mais individualista, ao se focalizar cada vez mais na investigação de processos interindividuais. Em reação a tal individualização, a Psicologia Social irá assistir a outras mudanças de rumo, responsáveis pelo desenvolvimento de abordagens que se voltam novamente para a análise de eventos e processos histórica e culturalmente situados e dinâmicos (FERREIRA, 2010).
A ênfase maior dada ao indivíduo ou à sociedade fez com que diferentes autores começassem a defender a existência de duas modalidades de Psicologia Social: a Psicologia Social Psicológica e a Psicologia Social Sociológica. A Psicologia Social Psicológica, segundo a definição de G. Allport (1954), que se tornou clássica, procura explicar os sentimentos, pensamentos e comportamentos do indivíduo na presença real ou imaginada de outras pessoas (FERREIRA, 2010).
Já a Psicologia Social Sociológica, segundo Stephan e Stephan (1985), tem como foco o estudo da experiência social que o indivíduo adquire a partir de sua participação nos diferentes grupos sociais com os quais convive. Em outras palavras, os psicólogos sociais da primeira vertente tendem a enfatizar principalmente os processos interindividuais responsáveis pelo modo pelo qual os indivíduos respondem aos estímulos sociais, enquanto os últimos tendem a privilegiar os fenômenos que emergem dos diferentes grupos e sociedades (FERREIRA, 2010).
Para além dessa já hoje clássica divisão, a Psicologia Social desdobrou-se, mais recentemente, em outra vertente, qual seja a Psicologia Social Crítica (Álvaro & Garrido, 2006) ou Psicologia Social Histórico-Crítica (Mancebo & Jacó-Vilela, 2004), expressões que abarcam, na realidade, diferentes posturas teóricas. Assim é que, de acordo com Hepburn (2003), tanto o Socioconstrucionismo (Gergen, 1997) e a Psicologia Discursiva (Potter & Wetherell, 1987), como a Psicologia Marxista, o pós-modernismo e o feminismo, entre outros, contribuem atualmente para o campo da Psicologia Social Crítica (FERREIRA, 2010).
Tais perspectivas guardam em comum o fato de adotarem uma postura crítica em relação às instituições, organizações e práticas da sociedade atual, bem como do conhecimento até então produzido pela Psicologia Social a esse respeito. Nesse sentido, colocam-se contra a opressão e a exploração presentes na maioria das sociedades e têm como um de seus principais objetivos a promoção da mudança social como forma de garantir o bem-estar do ser humano (HEPBURN, 2003).
A evolução da Psicologia Social nas diferentes partes de mundo vem ocorrendo, de certa forma, associada às várias modalidades ou vertentes da disciplina. Assim é que, na América do Norte, e mais especialmente nos Estados Unidos da América, a Psicologia Social Psicológica foi e continua sendo a tendência predominante. Já na Europa, é possível se notar uma preocupação maior com os processos grupais e socioculturais, que sempre estiveram na base das preocupações da Psicologia Social Sociológica. Por outro lado, na América Latina, verifica-se a adoção da Psicologia Social Crítica como abordagem preferencial à análise dos graves problemas sociais que costumam assolar a região (HEPBURN, 2003).
Farr (2010) faz uma análise importante sobre o desenvolvimento da história da Psicologia Social cindida na tradição europeia sociológica e americana psicológica. O autor mostra em seu livro "As raízes da psicologia social moderna" como a história da psicologia social está ligada de forma direta aos acontecimentos históricos e políticos da sociedade, principalmente relacionados às grandes guerras mundiais. Ele aponta que, com a migração de psicólogos austríacos e alemães, seguidores da corrente gestaltistas, para a América deu-se o conflito entre a Fenomenologia e o Positivismo, entre o Behaviorismo e a Gestalt, o que gerou a psicologia social cognitivista americana.
E com isso ele mostra que é deste conflito que Allport relacionou as raízes da psicologia social à Europa e suas flores ao solo americano (FLORES, 2014).
Fenomenologia - No pensamento setecentista, descrição filosófica dos fenômenos, em sua natureza aparente e ilusória, manifestados na experiência aos sentidos humanos e à consciência imediata.
Positivismo - sistema criado por Auguste Comte 1798-1857 que se propõe a ordenar as ciências experimentais, considerando-as o modelo por excelência do conhecimento humano, em detrimento das especulações metafísicas ou teológicas; comtismo.
Behaviorismo - teoria e método de investigação psicológica que procura examinar do modo mais objetivo o comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos e reações), sem fazer recurso à introspecção.
Com isso, Farr (2010) faz crítica à maneira como Allport e Jones, estudiosos da história da psicologia, trataram a história da psicologia social de maneira substancialmente positivista, dividindo sua composição epistemológica da experimental. Ou seja, de um lado os autores colocaram a tradição Europeia metafísica, trazida da fenomenologia, e de outro o aspecto experimental americano, proveniente do behaviorismo (FLORES, 2014).
Outro traço da filosofia positivista contida na explicação de Allport, segundo Farr (2010), se encontra na colocação de August Comte, filósofo conhecido como pai do positivismo, no lugar de fundador da psicologia social, com o intuito de defendê-la como ciência. Neste sentido, tanto Allport, quanto Jones veem a psicologia social sociológica de maneira menos científica do que a psicologia social produzida pela América do Norte, especificamente nos Estados Unidos (FLORES, 2014).
Pode-se pensar que Allport, ao declarar Comte o fundador da psicologia social, cometeu o que Goodwin (2005) chamou maneira Personalística de investigar a história, que vê nos atos dos personagens históricos a fonte de compreensão para a história. Farr (2010) destaca o risco de determinar nomes de fundadores e/ou ancestrais para explicar a origem das ciências, pois isto pode impregnar a história com a visão de um ou outro autor (FLORES, 2014).
Também é importante considerar que o interesse e a posição teórica de um estudioso da história da psicologia podem provocar interpretações errôneas sobre as intenções conceituais e teóricas de um autor. Este é o caso do que cometeu Boring com Wundt. Conforme Abib (2009), a história que mais se conhece sobre Wundt é que ele foi o fundador da psicologia como ciência a partir do estabelecimento do laboratório em Leipzig. Contudo, ficou desconhecido na história da psicologia e em seus manuais, o posicionamento de Wundt sobre a psicologia como uma área intermediária entre a fisiologia e a cultura:
Uma prova adicional dessa dualidade encontra-se na diferença que o psicólogo alemão faz entre a psicologia cultural (Völkerpsychologie) e a psicologia fisiológica e experimental. A psicologia cultural investiga os processos mais complexos da mente, como linguagem, mito, religião, arte, sociedade, lei, cultura e história [...]. E a psicologia fisiológica e experimental investiga os processos mais simples da mente, como sensação, percepção e processos afetivos [...]. A psicologia cultural  não pode ser reduzida à psicologia fisiológica e experimental, nem os processos mentais complexos podem ser reduzidos a processos mentais mais simples (ABIB, 2009, p. 201).
Abib (2009) aponta que, devido a interesses políticos e ideológicos do nazismo, existiu na psicologia a necessidade de valorizar os estudos de controle e seleção, o que se opunha à proposta de Wundt. No entanto, não era só este fator que levou à desconsideração da psicologia social de Wundt, mas também a forte corrente positivista da época com a qual esse autor não concordava, pois não admitia que os processos mentais mais profundos fossem estudados de maneira experimental. Farr (2010) mostra que Wundt havia elencado três tarefas para sua vida: criar uma psicologia experimental, uma metafísica científica e uma psicologia social. Segundo Farr (2010) os historiadores da psicologia ignoram a contribuição de Wundt sobre as questões sociais. Abib (2009) afirma que:
O projeto de Wundt foi derrotado, não só na esfera dos interesses intelectuais ligados à prática e da ideologia do controle social, mas também no campo da metafísica elementarista, da epistemologia unitária e das condições da instituição acadêmica alemã (2009, p. 205).
A forte tradição positivista separou os objetos de pesquisa com os quais a psicologia poderia lidar e também definiu como essa ciência poderia trabalhar com seus objetos de estudo que, claramente, deveria se restringir às pesquisas experimentais. É neste contexto que se pode observar a separação entre uma psicologia que se dedicaria aos processos psicológicos elementares de uma psicologia que se voltaria ao estudo das relações entre sujeito, sociedade e cultura, e, de que forma o profissional de Psicologia utiliza seu fazer ético, principalmente no que diz respeito a atuação no contexto das políticas públicas, onde a Psicologia social e mais desenvolvida (LOPES, 2014).

4. O Espaço da Ética na Atuação do Psicólogo Social em Contexto de Políticas Públicas

 O aspecto ético, fundamental no fazer profissional, deve ser considerado em sua relação com a psicologia em um contexto de atualidade. De acordo com Silva (2008), a globalização e consequente evolução científica e tecnológica, associadas à restrição de acesso de alguns grupos a estas possibilidades, favorece o estabelecimento de um cenário social de desigualdade que fomenta violência e miséria. Nesta relação:
Todas estas transformações da sociedade contemporânea colocam vários desafios para a psicologia social na atualidade. Talvez um dos principais desafios seja a necessidade de se estar constantemente reinventando novos modos de produção de conhecimento em função da própria complexidade das questões às quais nos vemos confrontados (SILVA, 2008, p.39).
Para Silva (2008), a Psicologia Social estuda como é produzida a experiência subjetiva e, de acordo com as constantes mudanças neste objeto de estudo, as áreas de estudo devem se atentar para isto e buscarem adequações que condigam com a função política que também  lhes cabe. Estas adequações podem refletir em atuação profissional embasada em relações de criação ou de alienação.
Na busca da Psicologia social por novas estratégias de conhecimento condizentes à contemporaneidade, o novo paradigma ético-estético figura não como um parâmetro de estabelecimento de verdade, mas como busca de entendimento dos modos de captura da subjetividade e das principais formas de subjetivação vigentes. Seu enfoque está em desconstruir dicotomias e reconstruir o entendimento a respeito dos objetos de estudo (SILVA, 2008).
Nas últimas décadas é possível observar a crescente inserção dos profissionais de psicologia em demandas do serviço público, o que faz com que a profissão esteja a serviço de um público de menor favorecimento socioeconômico. Este cenário propicia que a Psicologia seja retirada de um local de alienação quanto à realidade histórica e política na qual se encaixa (ANDRADE E MORATO, 2004).
Como um entendimento recente, a atuação profissional consciente sobre o seu espaço social dá margem a dubiedades. Para Andrade e Morato (2004), estas questões se situam especialmente sobre a Psicologia Social, uma área emergente e que ainda é tratada de forma marginalizada. Neste contexto se destaca a consciência da repercussão social do fazer profissional e o compromisso desta atuação com as populações excluídas.
Para Andrade e Morato (2004), o envolvimento social e consciência política, associados a questões profissionais como a multiplicidade de teorias e abordagens psicológicas, coloca a Psicologia de frente com os aspectos éticos. Neste contexto, se torna necessário o questionamento para a compreensão de onde se situa a neutralidade científica do psicólogo mediante a consciência da realidade na qual sua atuação está inserida.
O Código de Ética Profissional do Psicólogo (2005) é uma reformulação e destaca o interesse em fazer jus às evoluções no contexto e, com isso, elevar a contribuição social da profissão. Deste modo, é possível perceber que o amadurecimento da profissão caminha no sentido de abrangência do contexto e acolhimento de demandas que dele afloram.
Andrade e Morato (2004) pontuam que, entre os entraves atuais da prática da Psicologia Social está a necessidade do psicólogo se desprender dos títulos para se encaixar na posição de mediação. No âmbito das instituições, o psicólogo deve entender a atuação de efeitos comunitários não apenas com base no alcance quantitativo do grupo, mas também não deve se ater aos aspectos socioeconômicos e culturais.
Benevides (2005) destaca a falta de materiais de pesquisa que respaldam a atuação dos psicólogos em assistência de políticas públicas. É indicado como um fator relacionado o enfoque que historicamente a Psicologia dá ao sujeito, em detrimento de questões sociais, colocadas em segundo plano na atuação profissional, com base no discurso de distanciamento entre política e psicologia.
O posicionamento no sentido de promover maior responsabilidade social na profissão, por vezes foi colocada como militância injustificada e indevida. “Assim é que não causa espanto, entre muitos, a afirmação de que Psicologia e Política não se misturam, ou, de que, quando somos psicólogos não somos militantes e se somos militantes não devemos sê-lo enquanto psicólogos” (BENEVIDES, 2005, p.22).

4.1 Ética e Humanização da Psicologia em Políticas Públicas de Atenção à Saúde

Apesar da tentativa de despolitização da profissão, é necessário considerar as interfaces que surgem, especialmente na atuação no Sistema Único de Saúde (SUS). Embora não se desprendam do arcabouço teórico que subsidia o fazer psicológico, tais reflexões são de caráter ético-político sobre o que diz respeito ao campo de intervenção do psicólogo (BENEVIDES, 2005).
Ao destacar o contexto de saúde pública, Benevides (2005) ressalta os eixos norteadores da política do SUS: universalidade, equidade e integralidade, também comoresponsabilidade do psicólogo. Tal participação deve ser positiva no entrelace entre princípios essenciais como de inseparabilidade entre a experiência coletiva e os aspectos individuais, de transversalidade em diálogo com outros saberes e corresponsabilidade e autonomia buscando a produção de autonomia nos sujeitos envolvidos.
Fortes (2004) fala de ética em uma íntima ligação com a humanização do serviço, pelo entendimento de que ambas contribuem para uma coesão social. Tal humanização preconiza a atenção à saúde de modo a respeitar particularidades nas necessidades e buscando, enquanto possível, manter a autonomia de cada indivíduo atendido exercer suas vontades.
A humanização abarca o sujeito de modo mais amplo que apenas o aspecto biológico, pois considera demais fatores do contexto de saúde, a exemplo de questões éticas, sociais, relacionais e psíquicas. Deste modo, é possível perceber que a Psicologia de forma ética se alinha muito bem com este entendimento, pois:
Humanizar refere-se à possibilidade de uma transformação cultural da gestão e das práticas desenvolvidas nas instituições de saúde, assumindo uma postura ética de respeito ao outro, de acolhimento do desconhecido, de respeito ao usuário entendido como um cidadão e não apenas como um consumidor de serviços de saúde (FORTES, 2004, p.2).

5. Considerações Finais

Assim como tantas outras profissões, a Psicologia tem a necessidade de andar atrelada com valores éticos. Para tanto, é de fundamental importância que os que se dispõem a exercer a profissão conheçam a respeito e se comprometam com isto. No entanto, é preciso considerar que a Ética pode ser concebida com base em diferentes perspectivas filosóficas e que esta é apenas a primeira das ambiguidades possíveis neste contexto.
Outra questão que diz respeito especialmente à Psicologia, é a multiplicidade de abordagens teóricas que dá margem à diferentes interpretações de conceitos que dizem respeito a todas elas. A ética é um destes conceitos e é por isso que o Código de Ética Profissional de Psicologia assume um papel tão relevante, ao estabelecer um parâmetro em comum que subsidie todas estas perspectivas de modo razoável.
Ao pensar a ética na Psicologia Social é preciso considerar como esta área de atuação vem se desenvolvendo ao longo dos anos e o tanto que ainda é necessário que se desenvolva. Apesar dos avanços e da ampliação da atuação profissional de psicólogos neste âmbito, ainda há muito que se produzir em pesquisa científica a respeito, o que pode ser percebido pela limitação nos materiais encontrados para desenvolver o presente artigo.
No que diz respeito à atuação em políticas públicas, as questões éticas são questionadas desde o senso comum, partindo do ponto em que se questiona a ética no funcionalismo público de modo geral. É necessário entender que a Psicologia não está alheia a esta visão ainda pejorativa que ainda existe sobre tal tipo de vínculo profissional e, deste modo, compreender a importância e tecer o fazer profissional com perícia e ética neste meio.
Mostra-se muito coerente o enfoque especial na atenção à saúde, por ser esta uma área específica de políticas públicas que abre grande parte das portas à Psicologia Social no Brasil. Este foco permite ver de perto o quanto que a ética está vinculada a outros conceitos tão falados nesta área de conhecimento, como é o caso da humanização, tão debatida como forma de diminuição de discriminação e concepção fundamental à atuação em Psicologia.
Dispor-se a escrever sobre a Ética em Psicologia Social acabou se mostrando uma experiência muito positiva por permitir o contato com a profissão em reflexões que dizem muito sobre a atuação futura. Não se deve esquecer da importância do contato com as facetas que a profissão vem assumindo ao longo dos anos e de como vem se distanciando das amarras de uma atuação elitista e restrita ao ambiente clínico.
Ao falar de Políticas Públicas e buscar mostrar a necessidade de um compromisso de responsabilidade social da profissão, é necessária a disposição a contestar certos entendimentos ainda reproduzidos sobre um distanciamento entre a Psicologia e a política. Faz-se necessário entender certas ambiguidades que se apresentam ao profissional e que exigem dele um entendimento para além do entendimento acadêmico de modo padronizado e restrito. É pela ampliação destes horizontes que este trabalho se legitima e busca encorajar outros semelhantes, em função de uma Psicologia Ética e representativa na prática dos valores que teoriz

Referências:

ABIB, J. A. D. (2009). Epistemologia Pluralizada e História da Psicologia. Scientle & Studia, 7(2), 195-208.
ANDRADE, Ângela Nobre; MORATO, Henriette Tognetti Penha. Para uma dimensão ética da prática psicológica em instituições. Estudos de Psicologia, Espírito Santo, 9(2), 345-353. 2004.
ARISTOTELES. Os pensadores: Ética a Nicomâco. 4ª. ed. São Paulo: Nova cultural, 1991. 5-15 p. v. 02.
AZEVEDO, Tiago. Diferenças entre a Ética de Aristóteles e a Ética de Kant . 1. 2017. Disponível em: <https://psicoativo.com/2017/09/diferencas-etica-aristoteles-etica- kant.html>. Acesso em: 20 nov. 2018.
BENEVIDES, Regina. A Psicologia e o Sistema Único de Saúde: quais interfaces? Psicologia & Sociedade. v. 17, n. 2, p. 21-25, mai. – ago. 2005.
CONSELHO FEDERAL DE PAICOLOGIA. Código de Ética Profissional do Psicólogo, Brasília, 2005.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia: história e grandes temas. São Paulo. Saraiva, 2006.
CHAUI, Marilena. Convite a filosofia. São Paulo: Ática, 2000, p.429-449.
DECHICHI, Raphael. Ética e Moral: Dois Conceitos de Uma Mesma Realidade. 1. 2015. Disponível em: <https://www.linkedin.com/pulse/%C3%A9tica-e-moral-dois-conceitos-de-uma-mesma-realidade-dechichi/>. Acesso em: 23 nov. 2018.
FARR, R. M. (2010). As Raízes da Psicologia Social Moderna. Petrópolis: Vozes.
FORTES, Paulo Antônio de Carvalho. Ética, direito dos usuários e políticas de humanização da atenção à saúde. Saúde e Sociedade. v. 13, n. 3, p. 30-35, set-dez 2004.
JACQUES, M. G. C., Strey, M. N., Bernardes, N. M. G., Guareschi, P. A., Carlos, S. A., & Fonseca, T. M. G. (1998). Psicologia social contemporânea (3ª ed.) Petrópolis: Vozes.
LANE, S., Codo, W. (1984). Psicologia social: o homem em movimentoSão Paulo: Brasiliense
LANE, S. T. M. (1991). A Psicologia Social e uma nova concepção do homem para a Psicologia. In: S. T. M. Lane & W. Codo (Org.), Psicologia Social: o homem em movimento (pp 10 a 19). São Paulo: Brasiliense
SANTOS, Wigivan Junior Pereira dos. Ética . 1. 2018. Disponível em <https://alunosonline.uol.com.br/filosofia/etica.html>. Acesso em: 10 jul. 2017.
SILVA, Rosane Neves. Ética e paradigmas: desafios da psicologia social contemporânea. In: PLONER, Katia Simone, et al (Org.), Ética e paradigmas na psicologia social. Rio de Janeiro: Scielo Books, 2008. 39-45.
VAZ, Michelle. Ética de Platão e Aristóteles: diferenças e semelhanças. 2014. 

sábado, 11 de maio de 2019

Os Sonhos na Concepção de Freud

Os Sonhos na Concepção de Freud

Os Sonhos na Concepção de Freud
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Introdução

A teoria dos sonhos proposta por Sigmund Freud em 1900 desperta cada vez mais interesse sobre esse mundo tão incompreensível, rico e cheio de sentimentos, que dá margem a muitas considerações, censuras e novas abordagens. O que antes, era interpretado como símbolos ou premonições agora é visto como particularidades de nosso inconsciente. Destaca-se ainda a importância dos sonhos na vida de qualquer indivíduo, assim como a influência que exerce sobre os mesmos, sua análise em terapia auxiliando o terapeuta durante o tratamento (SILVA & SANCHES, 2011).
Segundo Silva e Sanches (2011), pode-se dizer que o marco da grande história de Sigmund Freud foi “A Interpretação dos Sonhos”, obra na qual antes não tinha grande importância para a ciência, e que logo após tal publicação ganhou de fato seu devido valor. Através destes estudos, foi possível trazer ao consciente os conteúdos inconscientes, onde o sonhar é um fenômeno regressivo; no qual nos devolve aos estados primitivos da infância.
De acordo com Ferza (2009), Freud parte do princípio de que todo sonho tem um significado, embora oculto, da realização de desejos. Os desejos reprimidos na vida de vigília muitas vezes estão relacionados com os nossos desejos mais primitivos vetados fortemente pela moral vigente. Interpretar um sonho significa conferir-lhe um sentido, isto é, ajustá-lo à cadeia de nossas faculdades mentais.
Segundo Martins (2003), a linguagem dos sonhos possui suas particularidades que, ao longo dos séculos, mostrar-se como um grupo de eventos comuns de uma época radicados na vivência dos povos. Possibilitou ainda, um aprofundamento dos níveis mais ocultos da mente, tornando possível a abordagem de variados sintomas, produtos de um ambiente capaz de oprimir e colocar em risco valores naturais de cada ser. Sonhar é mais do que um simples produto do dia-a-dia. É revelar-se diante do enigma invisível, mas possível de compreensão.

1. A História

Os sonhos sempre exerceram fascínio na humanidade desde a antiguidade, inclusive entre os egípcios e, particularmente, entre os judeus do Antigo Testamento.  No livro de Gênesis da biografia do patriarca José vemos também a importância da decifração dos sonhos no contexto bíblico. Em muitas culturas os sonhos eram considerados como uma forma de comunicar-se com o sobrenatural, uma maneira de se prever o futuro das pessoas. Num papiro egípcio datado de 2000 AC discute-se sonhos e suas interpretações. Era crença na Grécia Antiga de que o sonhador estava em contato com os deuses. [2]
Em 1900, Freud publicou sua obra Die Treumdeutung (A Interpretação dos Sonhos). Em seus textos, ele descreveu minuciosamente o trabalho dos sonhos, sua importância e utilização no processo analítico. Ele também afastou essa temática das crenças religiosas e culturais, as quais vinculavam o sonho a uma experiência premonitória e supersticiosa herdada da Antiguidade através do senso comum (OLIVEIRA, 2011).
O livro levou dois anos (1898 e 1899) para ser escrito e nele Freud construiu o pilar da teoria psicanalítica, passando a constituir o ponto de apoio para todo o desenvolvimento posterior da sua obra. Assim Sigmund Freud deu um caráter científico ao assunto. Naquele polêmico livro, Freud aproveita o que já havia sido publicado anteriormente e faz abordagens totalmente novas, definindo o conteúdo do sonho, geralmente como a “realização de um desejo”.
De acordo com Moura (2008), o livro a Interpretação dos Sonhos marca a passagem para um modelo que investiga não apenas as manifestações psicopatológicas, mas capaz de dar conta do psiquismo em geral. No Capitulo VI do livro, Freud elabora o primeiro grande modelo do aparelho psíquico. O psiquismo é composto por dois grandes sistemas: inconsciente e pré-consciente/consciente – que são separados pela censura, que através do mecanismo do recalque, mantêm certas representações inaceitáveis fora do sistema consciente. Mas essas representações exercem uma pressão para tornarem-se conscientes e ativas. Ocorre um jogo de forças, entre os conteúdos reprimidos e os mecanismos repressores. Como resultado desses conflitos há a produção das formações do inconsciente: os sintomas, sonhos, lapsos e chistes.

2. O Sonho e Seus Conteúdos

Segundo Freud (1915), sonhos são fenômenos psíquicos onde realizamos desejos inconscientes. O sonho é o resultado de uma conciliação. Dorme-se e, não obstante, vivencia-se a remoção de um desejo. Satisfaz-se um desejo, porém, ao mesmo tempo, continua-se a dormir. Ambas as realizações são em parte concretizadas e em parte abandonadas (SIRONI, s.d.).
Na obra Teoria dos Sonhos, Freud postula que o homem precisa dormir para descansar o corpo e, principalmente, para sonhar: "o sonho é a realização dos desejos reprimidos quando o homem está consciente". Quando o homem dorme, a consciência "desliga-se" parcialmente para que o inconsciente entre em atividade, produzindo o sonho: através do id, os desejos reprimidos são realizados. Para Freud, as causas dos traumas que geram certos comportamentos tidos como anormais estão escondidas no inconsciente das pessoas, onde estão guardados os desejos reprimidos. [1]
Todo o material que compõe o sonho procede de nossas experiências, daquilo que foi por nós vivenciado na vigília. Este material é recordado no sonho, embora não seja imediatamente reconhecido pelo sonhador como originário de suas próprias experiências. Esta é uma das características do conteúdo onírico manifesto: a de ser experimentado pelo sonhador como algo que lhe é estranho, como se não fosse uma produção sua (SIRONI, s.d.).
A elaboração de um sonho, segundo Freud (1915), ocorre porque “existe algo que não quer conferir paz à mente. Um sonho, pois, é a forma com que a mente reage aos estímulos que a atingem no estado de sono”. Alguns dos estímulos dos quais Freud fala podem ser restos diurnos, sensações fisiológicas. Outros estímulos podem ser os pensamentos ocultos, inconscientes, formados por desejos antigos, recalcados pela censura do Superego – configurando-se como o texto original do sonho (RABUSKE, 2011).

2.1 Os Conteúdos Latente e Manifesto dos Sonhos

Em “A Interpretação dos Sonhos” Freud criou o termo conteúdo manifesto para referir-se à experiência consciente durante o sono, correspondendo ao relato ou descrição verbal do sonho, ou seja, aquilo que o sonhante diz lembrar. Já o conteúdo latente corresponde às idéias, impulsos, sentimentos reprimidos, pensamentos e desejos inconscientes que poderiam ameaçar a interrupção do sono se aflorassem à consciência claramente (REIS, 2009).
O conteúdo latente mostra-nos estruturas recalcadas que tentam emergir. O conteúdo latente é o verdadeiro sonho, o conteúdo manifesto é o que o sujeito conta, sendo um disfarce do verdadeiro sonho. O trabalho de sonho ou elaboração onírica é a passagem do latente ao manifesto. Basicamente podemos dizer que o conteúdo latente é inconsciente e o conteúdo manifesto é consciente. Além disso, o conteúdo latente é algo semelhante a um impulso, enquanto o conteúdo manifesto é uma imagem visual. Finalmente, o conteúdo manifesto é uma fantasia que simboliza o desejo ou impulso latente já satisfeito, isto é, trata-se de uma fantasia que consiste essencialmente na satisfação do desejo ou do impulso latente. [1]
Segundo Silva e Sanches (2011), o conteúdo latente do sonho é a primeira parte do processo de sonhar formado por três componentes: I- impressões sensoriais noturnas; II- pensamentos e idéias relacionadas às atividades do dia (fragmentos do nosso cotidiano, antes de pegamos no sono); III- impulsos do ID. São as impressões sensoriais do indivíduo que se referem ao que os sentidos capturam mesmo durante o período de dormência ( os barulhos ao seu redor; seus desejos, como beber água, calor, frio, e etc.) tudo o que podemos adquirir nesse estágio se refere ao conteúdo latente do sonho.
O Sonho manifesto não é senão, portanto, nada mais que o resultado de um conjunto de operações (o trabalho do sonho) que transformam os seus componentes, ou seja, transformam os estímulos corporais, os restos diurnos, os pensamentos do sonho, etc. O produto final resultante de todas essas transformações é, então, a experiência onírica (REIS, 2009).

3. A Distorção e a Elaboração Onírica

Segundo Garcia-Roza (1991), a distorção em que é submetido o conteúdo do sonho é produto do trabalho do sonho de não deixar passar algo proibido, interditado pela censura. A censura deforma os pensamentos latentes no trabalho do sonho. Freud concebe a censura como uma função que se exerce na fronteira entre os sistemas inconsciente e pré-consciente, algo que opera na passagem de um sistema para outro mais elevado. Segundo Garcia-Roza, um fragmento não é distorcido ao acaso, mas imposto por uma exigência da censura, a principal responsável pela deformação onírica, apresentando o conteúdo manifesto condensado, deslocado, simbolizado ou através da elaboração secundária.
Ainda em Garcia-Roza (1991), um fragmento não é distorcido ao acaso, mas imposto por uma exigência da censura, a principal responsável pela deformação onírica, apresentando o conteúdo manifesto condensado, deslocado, simbolizado ou através da elaboração secundária.
O sonho, como todo o funcionamento psíquico é multideterminado. À transformação do conteúdo latente em conteúdo manifesto chamamos “trabalho ou labor do sonho”. Consiste no disfarce que acontece porque determinadas idéias causam ansiedade e, como tal não são admitidas no consciente. Por exemplo, a idéia A ao querer surgir na consciência sofre uma censura e é obrigada a transformar-se em B (BARNABÉ, s.d.).
Segundo Garcia-Roza (1991), o sonhador tem acesso ao conteúdo manifesto, ou seja, ao sonho sonhado e recordado por ele ao despertar. Este é o substituto distorcido de algo inteiramente distinto e inconsciente que são os pensamentos latentes. A distorção a que é submetida o conteúdo do sonho é produto do trabalho do sonho de não deixar passar algo proibido, interditado pela censura. A censura deforma os pensamentos latentes no trabalho do sonho. Um fragmento não é distorcido ao acaso, mas imposto por uma exigência da censura, a principal responsável pela deformação onírica.
De acordo com Jablonski (s.d.), a respeito dos sonhos, em geral, Freud conclui que sua função é a de realização disfarçada dos desejos recalcados. Tamanho é o disfarce nos sonhos que a realização dos desejos nos aparece às vezes sob forma de pesadelos. Tais distorções devem-se ao trabalho da censura interna que funciona mesmo durante o sono. Freud destaca quatro mecanismos deste trabalho: condensação, deslocamento, simbolismo, dramatização e processo de elaboração secundária.

3.1 Condensação

Vários elementos (temas, imagens, idéias, etc.) se combinam num só, de forma que o sonho se torna mais compacto que os pensamentos-sonho. Segundo Castro (2009), na transformação dos pensamentos oníricos em conteúdo onírico ocorre necessariamente uma compressão de volume, uma condensação, em graus variáveis de um sonho para outro. Na condensação, segundo Laplanche e Pontalis (2001), “uma representação única representa por si só várias cadeias associativas e traduz-se no sonho pelo fato de o relato manifesto, comparado com o conteúdo latente, ser lacônico: constitui uma tradução resumida.”
A condensação designa o mecanismo pelo qual o conteúdo manifesto do sonho aparece como uma versão abreviada dos pensamentos latentes. Garcia-Roza (2008)

3.2 Deslocamento

O processo de deslocamento de intensidade psíquica é resultado da ação de uma força psíquica que atuará em dois sentidos: retirando a intensidade de elementos que possuem alto valor psíquico e criando, a partir de elementos com baixo valor psíquico, novos valores que vão penetrar no conteúdo dos sonhos. Juntamente com o processo de condensação, o deslocamento é um dos fatores dominantes que determinam a diferenciação entre o pensamento dos sonhos e o conteúdo dos sonhos. [2]
“O aspecto mais significativo do sonho pode se apresentar de modo a quase passar despercebido, ao passo que os aspectos secundários aparecem, às vezes, ricos em detalhes. Nisto constitui o deslocamento da energia de uma imagem para outra” (JABLONSKI, s.d.).

3.3 Simbolismo

Na função de simbolização, há uma transformação dos pensamentos oníricos em símbolos, fornecendo ao sonho uma série de metáforas e conferindo certa poeticidade ao conteúdo manifesto. É nesse estágio que o sonho assume realmente a sua forma peculiar, com uma racionalidade e inteligibilidade bem distinta do pensamento diurno (ALVARENGA & LUCINDA, s.d.).
Certas imagens dos sonhos têm sempre um mesmo significado. Freud fornece uma grande lista de símbolos inconscientes constituída de objetos que se referem, sobretudo à sexualidade. Continentes em geral, como caixas, malas, cofres e etc. Seriam símbolos do órgão sexual feminino e objetos pontiagudos ou inseridos dentro de caixas, cavidades, etc. são geralmente símbolos do órgão sexual masculino. É claro que os sonhos, sendo tão distorcidos por estes quatro mecanismos da censura, devem ser interpretados para se tornarem inteligíveis. O sonho de que nos lembramos constitui apenas o conteúdo manifesto e nos parece absurdo, louco. Interpretado, ele se transforma num texto linear a que chamamos conteúdo latente, no qual vamos perceber com clareza o desejo realizado pelo sonho (JABLONSKI, s.d.).

3.4 Dramatização ou Concretização

Segundo Jablonski, s.d., a dramatização é a representação de imagens em ação. O sonho é como um teatro que, como distingue Freud. A dramatização é também um mecanismo responsável pela economia dos sonhos. As operações mentais inconscientes por meio das quais o conteúdo latente do sonho se transforma em sonho manifesto, damos o nome de elaboração do sonho, também chamada dramatização. O processo responsável por essa transformação, que Freud considerava a parte essencial da atividade onírica, é o funcionamento do sonho.
No processo de dramatização os fragmentos do sonho, condensados e deslocados da racionalidade na vigília, são transformados em cenas. Aí é formado todo um contexto para esses elementos e, na maior parte das vezes, trata-se de uma ambientação bem distinta do que foi vivido no dia anterior (ALVARENGA & LUCINDA, s.d.).

3.5 A Elaboração Secundária

Segundo Laplanche e Pontalis (2001), consiste na operação mental inconsciente por intermédio da qual o conteúdo latente de um sonho se transforma em um sonho manifesto, sendo, também, um efeito da censura. Trata-se, portanto, de uma “remodelação do sonho destinada a apresentá-lo sob a forma de uma história relativamente coerente e compreensível”.
A elaboração secundária, que é essa remodelação, consiste, essencialmente, em tirar a aparência de absurdo e de incongruência do sonho, tapando os seus buracos, remanejando parcial ou totalmente seus elementos. Com esse objetivo é possível observar a elaboração secundária em operação, quando o sonhante se aproxima do estado de vigília (REIS, 2009).

4. Simbologia dos Sonhos

Os sonhos possuem uma linguagem que Freud denominou símbolos. Para entender seus diversos conteúdos, temos que distinguir o que os símbolos representam nesse sonho. A simbologia dos sonhos não só está vinculada ao contato que o criador do sonho teve com o objeto, mas também com a forma que ele se relaciona sentimentalmente com esse objeto. Um exemplo prático, o mar pode apresentar distintas simbologias, variando de pessoa a pessoa. Para alguns o mar pode significar destruição (o mar destruindo estruturas deixadas na praia), mas para outros, invasão (a água avançando e invadindo território) de acordo com Freud o que a pessoa sente quanto a esse objeto ou essa situação é fundamental para a interpretação de sonho. [3]
É necessário ter sempre em mente que os sonhos não se manifestam coordenadamente em termos de palavras, frases, proposições, etc. Esses meios de expressão são, nos sonhos, substituídos por “imagens visuais” que, por outro lado, constituem uma linguagem simbólica representativa de desejos e afetos reprimidos. A interpretação de um sonho requer, pelo menos, que se conheçam as principais significações simbólicas, o que deve ser elaborado através do material derivado das Associações Livres. As imagens simbólicas constituem regressões a longínquas formas elementares do pensamento (REIS, 2009).
Certas imagens dos sonhos têm sempre um mesmo significado. Freud fornece uma grande lista de símbolos inconscientes constituída de objetos que se referem sobretudo à sexualidade. Continentes em geral, como caixas, malas, cofres e etc. Seriam símbolos do órgão sexual feminino e objetos pontiagudos ou inseridos dentro de caixas, cavidades, etc. são geralmente símbolos do órgão sexual masculino (JABLONSKI, s.d.).
“Na literatura se encontram exemplos de símbolos que podem ser utilizados em todos os tipos de cultura. Contudo, há a observação de que o significado de um símbolo dependerá sempre da associação e da cultura do paciente que o sonhou” (OLIVEIRA, 2011).
Oliveira (2011) diz ainda que Freud liste uma série de símbolos que ele considera praticamente universais, detectável em quase todas as culturas. Para a figura humana a representação típica é uma casa. Os pais aparecem como imperador e imperatriz, rei e rainha ou outras pessoas de status. Os filhos, irmãos e irmãs são simbolizados por bichinhos ou pequenos animais. O nascimento é quase sempre representado por algo relacionado à água. Morrer tem relação com partir, viajar de trem e a nudez, por meio de roupas e uniformes.

Conclusão

Os sonhos nos oferecem a principal via para adentrar ao inconsciente.  Sua linguagem caracteristicamente simbólica proporciona um desafio ao psicanalista. Procuramos realizar os nossos mais profundo desejos em nossos sonhos, que se feitos à luz do dia seriam a causa de embaraço e aversão para aqueles que junto conosco formam uma sociedade com valores e conceitos estabelecidos. Os sonhos trazem do nosso inconsciente para a consciência desejos mais reprimidos e “proibidos”, desejos recalcados, no qual sublimamos, ou seja, inibimos nossos objetos de desejo. É através dos sonhos que temos a capacidade de vivenciar esses objetos. Entrando profundamente nesse vasto mundo de desejos reprimidos, fazemos um mergulho ao nosso inconsciente, ou seja, para dentro de nós mesmos, tentando procurar o máximo de realização. Dessa forma, é muito importante que o psicanalista em formação compreenda os mecanismos de elaboração do sonho, bem como os princípios que o regem para sua devida interpretação.  

Referências:

  1. ALVARENGA, N. A.; LUCINDA T. V. Um Cão Andaluz: lógica onírica, surrealismo e critica da cultura. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/ regionais/sudeste2007/resumos/R0081-1.pdf. Acesso em 25 de fevereiro de 2012.
  2. BARNABÉ, F. Freud e a Interpretação dos Sonhos. Disponível em: http://www.psicoastro. com/artigos/freud-e-a-interpretacao-dos-sonhos-i. Acesso em 29 de fevereiro de 2012.
  3. CASTRO, J. C. O Inconsciente como Linguagem: De Freud a Lacan. Cadernos de Semiótica Aplicada, Vol. 7.n.1, julho de 2009. Disponível em: http://seer.fclar.unesp. br/casa/article/download/1773/1436. Acesso em 25 de fevereiro de 2012.
  4. COSTA, Rosane Muller. Os sonhos continuam sendo a via régia para o inconsciente? Disponível em: http://www.gepfor.org.br/administracao/gerenciador/uploads/artigos/a rtigo11.pdf. Acesso em 13 de fevereiro de 2011.
  5. FERZA, Rodrigo. Interpretação dos sonhos, 2009. Disponível em: http://www.redepsi.c om.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1602. Acesso em 16 de fevereiro de 2012.
  6. FREUD, S. Conferências introdutórias sobre psicanálise (1915-1916), parte I e II, vol. XV. Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de S. Freud. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
    GARCIA-ROZA, L. A. Introdução à metapsicologia freudiana. A Interpretação do sonho
    (1900), vol. 2. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.
  7. JABLONSKI, BERNARDO. A Realidade dos Sonhos. Disponível em: http://www.b ernardojablonski.com/pdfs/graduacao/realidade_sonhos.pdf. Acesso em 25 de fevereiro de 2011.
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  9. MARTINS, G. A. A Interpretação dos Sonhos na Compreensão do Universo Mítico do Homem, 2003. Disponível em: http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.ph p?cod=18720&cat=Artigos&vinda=S. Acesso em 26 de fevereiro de 2012.
  10. MOURA, J. Sigmund Freud – Biografia, 2008. Disponível em: http://artigos.psicologado. com/abordagens/psicanalise/sigmund-freud-biografia. Acesso em 26 de fevereiro de 2012.
  11. OLIVEIRA, I. R. O Simbolismo nos Sonhos, 2011. Disponível em: http://www.cbp.org. br/cprs/artigo2.pdf. Acesso em 13 de fevereiro de 2012.
  12. RABUSKE, A. S. Os chistes, o humor e algumas relações com os mecanismos dos sonhos. Jornada de Estudos do Circulo Psicanalítico do RS, 2011. Disponível em: http://www.cbp.org.br/cprs/artigo1.pdf. Acesso em 25 de fevereiro de 2012.
  13. REIS, C. M. Princípios Fundamentais para a Interpretação de Sonhos. Faculdades Integradas Brasil Amazônia. Anais nº 2, 2009. Disponível em: http://www.fibrapara.edu. br/seer/ojs/index.php/anais/article/view/24. Acesso em 25 de fevereiro de 2012.
  14. SIRONI, Sabrina Barbosa. Relação do Devaneio Com O Sonho. Disponível em: http://www.cbp.org.br/cprs/artigo6.pdf. Acesso em 23 de fevereiro de 2012.
  15. SILVA, E. A., SANCHES; J. A. R. Os Sonhos como Manifestação de Desejos Inconscientes, 2011. Disponível em: https://psicologado.com.br/abordagens/psica nalise/os-sonhos-como-manifestacao-de-desejos-inconscientes. Acesso em 13 de fevereiro de 2011.
  16. [1] Conteúdo latente e conteúdo manifesto. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. Disponível em http://www.infopedia.pt/$conteudo-latente-e-conteudo-manifesto. Acesso em 23 de fevereiro de 2012.
  17. [2] A Interpretação dos Sonhos. In Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia. org/wiki/A_Interpreta%C3%A7%C3%A3o_dos_Sonhos#Condensa.C3.A7.C3.A3o. Acesso em 25 de fevereiro de 2012.
  18. [3] Sonho. In Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonho. Acesso em 25 de fevereiro de 2012