PSICOPEDAGOGIA NEUROPSICOLÓGICA - ESPAÇO PARA DISCUSSÃO DE TEMAS RELATIVOS A PSICOLOGIA E PSICOPEDAGOGIA. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PSICÓLOGOS.REABILITAÇÃO COGNITIVA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA. TEMAS RELACIONADOS AO ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA, PSICOLOGIA CLÍNICA, NEUROPSICOLOGIA CLÍNICA E REABILITAÇÃO COGNITIVA - DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, SÍNDROMES DA APRENDIZAGEM - EDUCAÇÃO SEXUAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Uma Breve Compreensão sobre o Complexo de Édipo

Uma Breve Compreensão sobre o Complexo de Édipo
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(Tempo de leitura: 4 - 8 minutos)
Resumo: O Complexo de Édipo, tema da psicanálise, é o foco central do presente trabalho. O fundador da psicanálise, Sigmund Freud, entendeu o Complexo de Édipo como uma fase universal na infância do sujeito em que há uma triangulação na constituição familiar que poderá definir a estrutura psíquica do indivíduo. Assim, o artigo objetivou entender o complexo de Édipo a partir da teoria freudiana, bem como compreender o seu processo de dissolução. O trabalho torna-se essencial para a construção do entendimento em psicanálise, bem como esclarecer ou desmistificar esse processo.
Palavras-Chave: Complexo de Édipo, Sigmund Freud, Psicanálise.

Considerações Iniciais

De acordo com Freud todo ser humano deve sua origem a um pai e a uma mãe, não tendo como escapar dessa triangulação que constitui o centro do conflito humano. Essa triangulação perpassa por toda a vida do sujeito, sendo esse acontecimento que definirá a estrutura psíquica do indivíduo.
O Complexo de Édipo foi um conceito criado por Sigmund Freud. O fundador da psicanálise que teve como base a mitologia grega do Édipo Rei. Nesse cenário, Édipo, sem saber que Jocasta é sua mãe, casa-se com ela e assassina o próprio pai, inconscientedo grau de parentesco familiar. Quando descobre a verdade, Édipo, cega a si mesmo e sua mãe se suicida.
Esse conceito é universal na psicanálise, visto que desperta sentimentos de amor e ódio direcionados para aqueles que lhes são mais próximos, os pais. O complexo de Édipo ocorre quando a criança está atravessando a fase fálica, ou seja, quando descobre que ao atingir três anos de idade passa a ser alvo de varias proibições que para ele eram desconhecidas. Nesse momento, a criança não pode mais fazer o que bem entende, a família e a sociedade começam a impor regras, limites e padrões.
Nesse sentido, quando a criança percebe que está nesse momento da vida e reconhece a distinção entre ela e seus genitores, ela ingressa em uma das fases mais importantes de sua vida, tendo em vista que definirá seu comportamento na idade adulta, principalmente referente na esfera sexual.
Sendo assim, o Complexo de Édipo é um dos conceitos mais famosos na teoria freudiana, ao passo que o fundador da psicanálise passou anos a fio elaborando e repensando até chegar ao conceito final. Inicialmente, o Complexo de Édipo se referia a uma escolha objetal, mas, lentamente, torna-se um processo central para o desenvolvimento do conceito de identificação.

Entendendo o Complexo de Édipo

Inicialmente, o termo nem sequer aparecia na primeira elaboração da teoria da sexualidade infantil, embora Freud, em uma carta a Fliess, desde 1897, relate “ter descoberto em si mesmo impulsos carinhosos quanto à mãe e hostis em relação ao pai, estes complicados pelo afeto que lhe dedicava” (MEZAN, 2003: 189).
O termo Édipo surge desde o início dos estudos de Freud, porém, só ganha uma elaboração mais definitiva no momento em que Freud finaliza sua obra.
No menino o complexo de Édipo se desenvolve através de um investimento objetal para com a mãe, dirigido, primeiramente, para o seio materno, modelo anaclítico de espelho objetal. A sua relação com o pai é de identificação. Esses dois relacionamentos não têm longa duração, pois logo os desejos incestuosos do menino pela mãe se tornam mais intensos, e o pai passa a ser visto como um obstáculo a eles; disso se origina o complexo de Édipo. Logo, a identificação com o pai carrega-se de hostilidade, e o desejo de livrar-se dele predomina, bem como a ideia de ocupar seu lugar junto à mãe. A ambivalência inerente à identificação, desde o início, se manifesta dominando a relação com o pai. Portanto, o complexo de Édipo positivo do menino se caracteriza por uma atitude ambivalente em relação ao pai e por uma relação objetal afetuosa com a mãe (CARVALHO FILHO, 2010).
Segundo Freud (1900, p.261), durante a infância, “apaixonar-se por um dos pais e odiar o outro figuram entre os componentes essenciais do acervo de impulsos psíquicos que se formam nessa época
“Se a satisfação de amor no campo do complexo de Édipo deve custar à criança o pênis, está fadado a surgir um conflito entre seu interesse narcísico nesta parte de seu corpo e a catexia libidinal de seus objetos parentais. Nesse conflito, triunfa normalmente a primeira dessas formas: o ego da criança volta as costas ao complexo de Édipo” (FREUD, 1990).
Portanto, o fim do complexo de Édipo é correlativo da instauração da lei. É pelo medo da castração que o menino começa a desistir de sua paixão incestuosa, iniciando o processo pelo qual acabará por identificar-se com a Lei do Pai, assim para Freud a lei repousa na interdição do incesto. “Os investimentos objetais são abandonados e substituídos por uma identificação. A autoridade do pai introjetada no ego forma o núcleo do superego, que assume a severidade do pai e perpetua a proibição deste contra o incesto, defendendo o ego do retorno da libido” (FREUD, 1977, p. 221).
Ao mesmo tempo em que estas fantasias claramente incestuosas são superadas e repudiadas, completa-se uma das conquistas mais significativas, mas também mais dolorosas, do período puberal: a emancipação da autoridade dos pais, único processo que permite o surgimento da oposição entre a velha e a nova geração, tão fundamental para o progresso da civilização. (Freud apud Mezan:2003:136) 

Para entendermos o que acontece no Complexo de Édipo é preciso voltarmos um pouco na “historia” do sujeitos, no que poderíamos chamar de “primórdios” da relação com o objeto. O primeiro objeto erótico de uma criança é o seio da mãe que alimenta. A origem do amor está ligada à necessidade satisfeita de nutrição. Este primeiro objeto- o seio – é ampliado à figurada da mãe da criança, que não apenas a alimenta, mas também cuida dela e, assim, desperta-lhe um certo número de outras sensações físicas, agradáveis e desagradáveis. Através dos cuidados com o corpo da criança, a mãe torna-se seu primeiro “sedutor”. “Nessas duas relações reside a raiz da importância única, sem paralelo, de uma mãe, estabelecida inalteravelmente para toda a vida como o primeiro e mais forte objeto amoroso e como protótipo de todas as relações amorosas posteriores – para ambos os sexos” (FREUD, 1940/1996, p.202).
Na fase fálica, que ocorre ao mesmo passo do complexo de Édipo, o órgão genital (o pênis) já assumiu o papel principal. O menino revela seu interesse por seus órgãos genitais com o comportamento de manipulação do mesmo. Logo, descobre que os adultos reprovam tal comportamento à medida que inferem a ele uma punição – a castração. Essa ameaça provém de mulheres, que buscam reforçar sua autoridade por uma resistência ao pai, afirma o seguinte autor (FREUD, 1924/1996).
A destruição do complexo de Édipo é ocasionada pela ameaça da castração. Nesse caso, a catexia objetal da mãe deve ser abandonadaO seu lugar pode ser preenchido por uma das duas coisas: Uma identificação com a mãe ouuma intensificação de sua identificação com o pai, como resultado mais normal e que consolidaria a masculinidade, no caso do menino.
De modo que, nos meninos, o complexo de Édipo é destruído pelo complexo de castração, nas meninas ele se faz possível e é introduzido através do complexo de castração. A menina aceita a castração como um fato consumado, ao passo que o menino teme a possibilidade de sua ocorrência.
O complexo de Édipo, apesar de acontecer na infância, o sujeito revive esse fato na adolescência e os resultados dele estão presentes na vida de qualquer adulto. De acordo com a lenda do Édipo Rei, para Freud (1917), ouvi-la é um certo horror para todos os sujeitos, uma que vez que esta “evoca” o que estava adormecido – os desejos incestuosos.

Considerações Finais

As discussões tecidas nesse artigo visam fomentar estudos sobre o processo de construção do Complexo de Édipo e suas implicações no decorrer da história de vida do sujeito. O complexo de Édipo é relevante na teoria tendo em vista que caracteriza a diferenciação do sujeito em relação aos pais e possibilita que a criança perceba que seus pais pertencem a uma dimensão cultural e social e que não podem dedicar-se somente a elas. Dependendo do percurso percorrido do Complexo de Édipo e sua dissolução o sujeito manifestará, ainda, muitos conflitos durante a sua idade adulta, ou seja, o Complexo de Édipo influencia diretamente na construção da estrutura psíquica do indivíduo.

Sobre o Autor:

Alex Barbosa Sobreira de Miranda - Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil. e-mail: alex_barbo_sa@hotmail.com

Referências:

CARVALHO FILHO, João Gualberto Teixeira de. A acepção de família na teoria psicanalítica: sigmund freud, melanie klein e jacques lacan. 2010. 166 f. Dissertação ( Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de São João Del-Rei, 2010.
FREUD, Sigmund. Publicações pré-psicanalíticas e esboços inéditos. Rio de Janeiro, Imago, 1977. p.221. (Edição Standard da Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, 1996.
FREUD, Sigmund.  O desenvolvimento da libido e as organizações sexuais (1916), v.XVI, p. 325-342.  Edição Standard da Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, 1996.
FREUD, Sigmund. A dissolução do Complexo de Édipo (1924), v. XIX, p. 189-199. Edição Standard da Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Imago, 1996.
FREUD, S. (1900). A Interpretação de Sonhos. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
MEZAN, R. Freud: A trama dos conceitos. Editora Perspectiva, 4°edição, 2003.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Os Aspectos Psicológicos da Obesidade em Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica

Os Aspectos Psicológicos da Obesidade em Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica

Os Aspectos Psicológicos da Obesidade em Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica
(Tempo de leitura: 10 - 19 minutos)
Resumo: A obesidade é um fenômeno de extrema relevância no contexto atual. O objetivo desse estudo foi compreender as experiências psicológicas de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. Esse estudo é uma revisão bibliográfica que teve como bases eletrônicas o Scielo, Lilacs e Pepsic. Os resultados trazem que muitos pacientes apresentam depressão, baixa autoestima e alguns embora se sintam preparados para a realização da cirurgia bariátrica, não sabem como funciona o procedimento. A imagem corporal é um conjunto de diferentes percepções do corpo. Enquanto a ansiedade é conceituada como várias preocupações adquiridas pelo indivíduo no cotidiano. A depressão é um transtorno de humor em que há perca de interesse nas atividades diárias. Com o presente estudo, foi possível entender nuances das experiências psicológicas na obesidade.
Palavras-chave: Cirurgia Bariátrica, Imagem Corporal, Depressão, Obesidade, Aspectos Psicológicos da Obesidade, Ansiedade.

1. Introdução 

A obesidade é um fenômeno de extrema relevância no contexto atual, pois é bastante evidente o crescimento mundial desta epidemia. Segundo a Organização Mundial da saúde (OMS, 2000), a obesidade é definida pelo acúmulo de gordura corporal.  De acordo com estudos realizados, a obesidade é uma doença de caráter multifatorial e os principais causadores são os fatores genéticos, os hábitos não saudáveis e a dificuldade em eliminar o excesso de peso (DHURANTHAR; KEITH, 2014; SKELTON et al., 2014). Tendo esse complexo cenário, a obesidade constata grandes dilemas voltados para a atenção pública, devido às evidentes consequências na saúde integral da pessoa obesa. As características da obesidade favorecem o agravamento de doenças crônicas, e, notadamente, o surgimento de condições psicológicas e sociais (MARCELINO; PATRÍCIO, 2011).
Levando em consideração o crescente número de pessoas obesas, - segundo dados do Ministério da Saúde, 51% da população brasileira está acima do peso (BRASIL, 2012) - a OMS classifica o diagnóstico da obesidade através do Índice de Massa Corporal (IMC), que consiste em um método quantitativo para calcular o peso dividido pela altura ao quadrado (peso/altura)². Nesse método, um IMC de 30 kg/m² ou mais é classificado como obesidade (WHO, 2006). Dessa forma, é caracterizada como obesidade grau I quando o IMC está entre 30,0 e 34,9. Na obesidade grau II, o IMC se encontra entre 35,0 e 39,9. A obesidade grau III é definida a partir do momento em que o IMC aponta resultados acima de 40, nessa circunstância é denominada de obesidade mórbida (SEGAL; FADIÑO, 2002).
As alterações psicopatológicas, tais como transtornos de ansiedade, compulsões, uso abusivo de substâncias, transtornos de humor, além de transtornos alimentares, a saber bulimia nervosa e anorexia nervosa, estão frequentemente relacionados às comorbidades observadas após a cirurgia bariátrica (LEAL; BALDIN, 2007). Após a cirurgia bariátrica o paciente passa por mudanças comportamentais, novos hábitos alimentares e imagem corporal, podendo apresentar dificuldades de adaptação ao novo estilo de vida. Devido a essas circunstâncias, o paciente deve ser acompanhado e avaliado por uma equipe multidisciplinar durante o tratamento (FADIÑO et al., 2004). Concomitante ao surgimento dessas alterações psicológicas nos pacientes, o objetivo deste estudo foi compreender as experiências psicológicas de pessoas obesas submetidas à cirurgia bariátrica.

2. Material e Métodos

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica que utilizou como fonte de dados sa bases eletrônicas PEPSIC (Periódicos Eletrônicos em Psicologia), SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e LILACS. As palavras-chave “aspectos psicológicos da obesidade”, “cirurgia bariátrica”, “imagem corporal”, “depressão”, “obesidade”, e “ansiedade” foram utilizadas segundo Descritores em Saúde (DECS). As referências bibliográficas também foram utilizadas.
Os critérios de inclusão foram: foco na obesidade, caracterização dos aspectos psicológicos e explicação do procedimento da cirurgia bariátrica. Os trabalhos que não abordaram a temática e sem embasamento teórico foram excluídos. Foram selecionados artigos no idioma português, entre o ano de 2007 e 2016. O levantamento bibliográfico totalizou 33 artigos, porém 12 foram selecionados.
Figura 1. Fluxograma de inclusão e exclusão de artigos

3. Resultados

Segundo Almeida (2012), não foram encontradas diferenças significativas entre os gêneros para quaisquer dos parâmetros para ansiedade, depressão e imagem corporal.  De acordo com Silva e Lange (2010), a obesidade em indivíduos obesos do sexo feminino desencadeia aspectos psicológicos, tais como: baixa autoestima, ansiedade, angústia, agressividade, tristeza, compulsão, negação e insatisfação com a imagem corporal.
Conforme Dallegrave (2010), a maioria dos pacientes bariátricos sente-se preparada para a cirurgia bariátrica na primeira entrevista psicológica, mas não conhece o método a qual serão submetidos. Grande parte não tem tratamento para o aspecto psicológico/psiquiátrico que acompanha a doença e não muda o estilo de vida após a operação. Rocha e Costa (2012) sinalizaram que a ansiedade está presente nos indivíduos com obesidade mórbida, mas, de acordo com as análises efetuadas, não parece haver correlações significativas entre a ansiedade, depressão, autoconceito e o IMC.
Enhrenbrink (2009) aponta que os efeitos posteriores à realização da cirurgia bariátrica são similares aos efeitos produzidos por alguns transtornos alimentares. Segundo a pesquisa de levantamento realizada por Lima e Oliveira (2016), os participantes apresentaram sintomas de ansiedade, estresse e um perfil disfuncional relacionado ao padrão alimentar e à autoestima, além de comportamentos não saudáveis, tais como alimentação compulsiva e baixa adesão a atividades físicas.
Segundo a pesquisa realizada por Leal e Baldin (2007), as entrevistadas expressaram expectativas além do emagrecimento, como a resolução dos conflitos interpessoais e conjugais, assim como mudanças de traços definidos de suas personalidades. Constatou-se, também, o uso de substâncias (álcool e tabaco) associado a comportamentos de risco (envolvimento extraconjugal e direção perigosa). O estudo realizado por Almeida (2012) mostra que não foram encontradas diferenças significativas entre os sexos para quaisquer dos parâmetros investigados para imagem corporal, ansiedade e depressão.
Estudos realizados por Moliner e Rabuske (2008) apontaram que os fatores etiológicos do sobrepeso foram: ansiedade, sedentarismo, hábitos alimentares, eventos estressores e tendência biológica. A decisão para a realização da cirurgia foi caracterizada pela expectativa dos resultados para a saúde, as relações sociais e de trabalho e autoestima. Na pesquisa feita por Marcuzzo (2012), foi verificado que as mulheres estão mais insatisfeitas com o corpo, sendo o principal motivo as comparações com as imagens midiáticas. Análises feitas por Mota (2014) evidenciam que a EFS apontou que a maioria das entrevistadas superestimou seu IMC real e 100% estavam insatisfeitas.
Pesquisa feita por Magdaleno Jr. (2009) aponta que foram identificadas três estruturas psicológicas: estrutura melancólica, estrutura desmentalizada e estrutura perversa. 
Quadro 1- Descrições das produções científicas do estudo
Título/Autor/Ano
  Objetivo
Tipo de Estudo
Conclusão
Fatores biopsicossociais envolvidos na decisão de realização de cirurgia bariátrica/ Juliana de Moliner e Michelli Morone Rabuske (2008).
Conhecer os fatores biopsicossociais envolvidos na decisão de realização da cirurgia bariátrica.

Qualitativo


A decisão de realizar a cirurgia bariátrica resultou de um conjunto de concepções dos pacientes sobre as consequências da obesidade mórbida para a saúde.


Imagem corporal, ansiedade e depressão em pacientes obesos submetidos à cirurgia bariátrica/ Sebastião Sousa Almeida; Daniela Peroco Zanatta e Fabiana Faria Rezende (2012).
Investigar os níveis de ansiedade e depressão.
Quantitativo

A cirurgia bariátrica foi eficiente em reduzir não apenas o peso ao longo do estudo, mas também a insatisfação dos mesmos com a imagem de seu corpo.

Um novo olhar sobre a cirurgia bariátrica e os transtornos alimentares/ Petra Paim Ehrenbrink; Elzimar E. Peixoto Pinto e Fernanda Loureiro Prando (2012).
Investigar as possíveis mudanças ocorridas após a cirurgia bariátrica.
Qualitativo
Muitas vezes as pessoas, com o objetivo de livrar-se da obesidade, acabam não se atentando para as possíveis consequências psicológicas da realização da cirurgia.
A construção da imagem corporal de sujeitos obesos e sua relação com os imperativos contemporâneos de embelezamento corporal/ Miquela Marcuzzo, Santiago Pich, Maria Glória Ditrich (2012).

Analisar a relação entre a história de vida dos sujeitos obesos e os imperativos de embelezamento corporal na atualidade.

Qualitativo

Existem evidências que permitem sustentar a hipótese quanto a decisiva influência dos imperativos de embelezamento corporal do sujeito obeso.

Imagem corporal, ansiedade e depressão em mulheres submetidas à cirurgia bariátrica/ Diana Cândida Lacerda Mota, Telma Maria Braga Costa, Sebastião Sousa Almeida (2014).
Avaliar mulheres submetidas à cirurgia bariátrica quanto ao estado nutricional (peso e IMC) e aos níveis de sintomas de ansiedade e depressão.

Qualitativo

A perda de peso pode ter contribuído para a melhora das doenças associadas e ao excesso de peso, bem como para a diminuição dos sintomas de ansiedade e depressão após a cirurgia bariátrica.

Acompanhamento psicológico tardio em pacientes indicados à cirurgia bariátrica/ Simone Dallegrave (2010).
Avaliar as condições pós-operatórias mediatas e tardias de pacientes bariátricos em contexto global.
Qualitativo
As motivações que levam os indivíduos a procurar a cirurgia bariátrica são calcadas nos retornos sociais, padrões estéticos e no desejo psicológico de mudança de vida.
Aspectos psicológicos na obesidade mórbida: Avaliação dos níveis de ansiedade, depressão e do autoconceito em obesos que vão ser submetidos à cirurgia bariátrica/ Carla Rocha e Eleonora Costa (2012).
Avaliar os níveis de ansiedade, depressão e autoconceito em obesos que vão ser submetidos à cirurgia bariátrica.
Quantitativo

Nem todos os sujeitos apresentam graus significativos de perturbações psicológicas.
Características psicológicas de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica/ Ronis Magdaleno Jr., Elinton Adami Chaim e Egberto Ribeiro Turato (2009).
Definir algumas estratégias para o manejo com os pacientes e com a equipe de profissionais de saúde envolvida com a realização da cirurgia bariátrica.
Qualitativo
Presença de especialistas em saúde mental que aplicariam estratégias de abordagem psicológica pré e pós-operatórias individualizadas.
Avaliação Psicológica e imagem corporal no preparo para cirurgia bariátrica/ Jéssica Inácio de Almeida Prado; Margareth Regina G. Veríssimo de Faria e Claudia Cezar Ferreira (2014).
Avaliar a imagem corporal de pessoas obesas em preparo para cirurgia bariátrica.

Qualitativo.
Os desenhos da pessoa humana do HTP, nestes casos, mostraram realmente a dificuldade enfrentada pelos participantes tanto no âmbito social como no psicológico, influenciando nas suas emoções e na forma como enfrentam a realidade.
Fatores psicológicos da obesidade e alguns apontamentos sobre a terapia cognitivo-comportamental/ Ana Carolina Rimoldi de Lima e Angélica Borges Oliveira (2016).
Avaliar os fatores psicológicos que dificultam o emagrecimento em uma amostra de indivíduos em tratamento para a obesidade

Qualitativo e quantitativo
A amostra estudada apresentou dificuldade para emagrecer, pensamentos disfuncionais, baixa autoestima e dificuldade em manter peso perdido.
Imagem corporal: A percepção do conceito em indivíduos obesos do sexo feminino/ Guidélia da Silva e Elaine S. Neves Lange. (2010).
Avaliar os níveis de ansiedade, depressão e autoconceito em obesos que vão ser submetidos à cirurgia bariátrica.
Quantitativo
Nem todos os sujeitos apresentam graus significativos de perturbações psicológicas.
O impacto emocional da cirurgia bariátrica em pacientes com obesidade mórbida/ Cristiano Leal e Norma Baldin (2007).

Relatar os fenômenos psicológicos envolvidos no procedimento da cirurgia bariátrica e suas implicações.
Qualitativo

O problema da obesidade ficou evidenciado como parte de uma complexa situação que envolve o estado físico e emocional das pessoas.
Fonte: Dados da pesquisa.

4. Discussão 

De acordo os estudos nacionais e internacionais, as pessoas possuem um alto nível de estresse, ansiedade e pensamentos disfuncionais relacionados ao comportamento alimentar e a percepção diante de si. No entanto, fica esclarecida a importância dos aspectos psicológicos no desenvolvimento e manutenção da obesidade (OLIVEIRA; FONSECA, 2006). As taxas de depressão e ansiedade são entre três e quatro vezes maiores em indivíduos obesos do que em magros (GREENBERG et al., 2012). Portanto, é fundamental a presença da equipe multidisciplinar para o tratamento da obesidade, mas antes da realização de uma intervenção é necessário trabalhar com as crenças do indivíduo, como o mesmo lida diante de sua imagem corporal, assim como os seus sentimentos. Um dos métodos fundamentais é a Terapia Cognitivo-Comportamental para trabalhar as crenças disfuncionais.
A depressão e a ansiedade aparecem com maior incidência nas entrevistas pós-operatórias. Percebe-se que os pacientes desejam realizar a operação, porém não sinalizam a importância de preparo para a realização do procedimento, e não conseguem efetivar a mudança de comportamento para adquirir resultado positivo de longo prazo, devido ao abandono do tratamento (MARCHESINI, 2010). É importante ressaltar que no período pré-operatório deve haver uma preparação em que o psicólogo informará ao paciente os possíveis riscos que são apresentados pela cirurgia, as responsabilidades que o mesmo irá arcar, assim como os benefícios.     
De acordo com o estudo, evidencia-se que a procura maior para o tratamento da obesidade é efetivada pelo sexo feminino nos grupos A e B. As mulheres tendem a sofrer uma cobrança social e a obesidade pode contribuir para o desencadeamento do estresse excessivo (BAPTISTA, 2008). As mulheres têm se preocupado em atingir o padrão de beleza estabelecido pela sociedade, em que esse padrão não se encaixa com a realidade que as mesmas vivem. As mídias sociais tem contribuído para as mesmas conquistarem o corpo perfeito, na medida em que a procura pela satisfação corporal é excessiva e pode desencadear um transtorno.
Os dados apontam que as pacientes possuem uma alimentação desequilibrada, padrão que contribui para o acúmulo de peso (ANDERSON; WADDEN, 2002). É importante frisar que as pacientes convivem com outra pessoa obesa no cotidiano e a maioria delas ingere uma grande quantidade de alimentos açucarados e gordurosos. As questões emocionais devem ser sanadas, pois devido à rotina diária, as mesmas desenvolvem estresse, angústia, dentre outros,   tendem e a compensar aumentando a ingestão de alimentos. Anderson e Wadden (2000) relatam que muitas pessoas consomem os alimentos excessivamente mesmo não estando com fome.
Após o período da cirurgia bariátrica há mudanças satisfatórias na rotina dos pacientes. Na fase pós-operatória estes estão satisfeitos com a nova imagem corporal, possuem a autoestima renovada, surge uma nova vontade de cuidar de si mesmo e consequentemente alteram o estilo de vida para melhor (MORENO, 2011).
O procedimento cirúrgico é marcado como transição para uma modificação radical, evidenciando a eliminação do excesso de peso e os cuidados no período pós-operatório (MOLINER e RABUSKE, 2008). Depois que o paciente passa pela cirurgia bariátrica, o paciente adota hábitos mais saudáveis, como a prática de atividade física e uma alimentação saudável, e o organismo do mesmo aos poucos se adapta a receber pouca quantidade de alimentos; mudanças que contribuem para uma eliminação de longo prazo.
Os pacientes do sexo feminino encontram um alvo para culpabilizar, reconhecendo que os fatores socioculturais são relevantes para os aspectos psicológicos (SILVA e LANGE, 2010). Os fatores culturais e sociais na qual o paciente está inserido são provocadores de causas emocionais: o indivíduo passa a não aceitar a sua imagem corporal diante do que é imposto como padrão social.
Em algumas falas de entrevistados foram abordados aspectos psicológicos da obesidade: a ansiedade e depressão. Os mesmos relatam que hoje em dia a obesidade tornou-se desvalorizada na sociedade, muitos sofrem preconceito no ambiente familiar (GREJANIN et al., 2007). Na época primitiva, o acúmulo de peso era visto como forma saudável, porém, na atualidade essa visão foi desconstruída devido ao surgimento de estudos de doenças cardiovasculares que comprovam que a obesidade é um dos fatores de sua causa. Nota-se que os aspectos psicológicos como depressão e ansiedade foram nomeados pontos negativos. A motivação foi o sentimento positivo impulsionador responsável pela mudança dos hábitos alimentares, assim como intervenção da equipe multidisciplinar a fim de obter respostas terapêuticas (FRANÇA et al., 2012). Os fatores negativos foram considerados desestimulantes para o paciente dar continuidade ao processo, e os fatores positivos contribuíram para o mesmo modificar suas crenças, assim como seus hábitos saudáveis.
A cirurgia bariátrica é definida como uma técnica bastante eficaz que contribui para a eliminação e a manutenção do peso (ARASKI et al., 2005). O procedimento provoca no obeso mórbido além do emagrecimento, modificações na vida social, assim como, interrompe a forma de aliviar momentos de tensões por meio de ingestão alimentar excessiva (FRANQUES, 2002). Portanto, é necessário que o paciente realize uma avaliação psicológica para que possa verificar as mudanças e os aspectos que podem comprometer ao tratamento, ajudando o paciente a entender a maneira de se alimentar atualmente e no futuro, como isso pode vir a influenciar seu estilo de vida.
A depressão é classificada como transtornos do humor segundo o manual diagnóstico DSM V, na qual há a perda de interesse na realização das atividades no cotidiano (SIMON et al., 2006). Cerca de 15% a 30% dos pacientes obesos submetidos à cirurgia bariátrica possuem depressão e destes, 50% foi diagnosticado com Depressão Maior (ROSE, 2008). Os indivíduos que estão deprimidos se alimentam compulsivamente de alimentos ricos em açúcar e carboidratos, alguns não se alimentam. Eles não demonstram interesse e disposição na prática de exercícios físicos e a baixa autoestima se deve pelo acúmulo de gordura corporal.         
A imagem corporal é conceituada como uma variedade de percepções e pensamentos que o indivíduo possui de seu corpo (CASH; PRUZINSK, 2002). As imagens são criadas a partir do olhar do outro, corpos funcionais através da medicalização, a transição para a o envelhecimento e as limitações corporais são enfrentamentos diários que o obeso passa no dia a dia (APPOLINARIO; LATINO 2000).
Com a evolução da tecnologia, pode ser sanada que a mídia influencia as pessoas a quererem conquistar o corpo perfeito, um exemplo são as blogueiras fitness. As propagandas de remédios para emagrecer têm virado tendência na contemporaneidade, convencendo o consumidor a adquirir tal produto, fazendo promessas do tipo “o cliente ficará satisfeitos com os primeiros resultados”, mal sabendo o indivíduo do risco que esses medicamentos podem trazer para a saúde. O indivíduo encontra várias maneiras para conquistar o corpo estabelecido pelo padrão de beleza.
Segundo o DSM IV (2002), a ansiedade é uma preocupação que está presente durante o cotidiano do sujeito. Ela pode causar atitudes disfuncionais nos pacientes obesos, pois os pacientes       (SILVA, 2001). Mather et al. (2009) aponta que de acordo com evidências, a obesidade possui uma variedade de perturbações que vão além da depressão e ansiedade. O indivíduo está cada dia mais ansioso. É comum as pessoas pensarem que algo vai dar errado, mesmo que não tenha ainda acontecido, preocupações diárias do dia a dia. Os estudos mostram que as mulheres obesas apresentam maior percentual de ansiedade em relação aos homens. São diversos os fatores que confirmam essa afirmativa, tais como falta do apoio familiar, ambiente de estresse, baixa autoestima, dentre outros.

5. Conclusão

Este estudo possibilitou compreender os aspectos psicológicos da obesidade, assim como ficou evidenciada a importância da presença do psicólogo antes e depois do período cirúrgico. Falar da avaliação psicológica foi bem importante, é sempre bom reforçar a finalidade da mesma antes da cirurgia para o indivíduo obeso ficar consciente. Além da depressão e ansiedade, a obesidade comporta uma ampla variedade de perturbações.
Entende-se, através do presente estudo, que é necessário intensificar os estudos sobre a ansiedade e depressão na obesidade, pois ainda são escassas as produções detalhadas nestes contextos.  

Referências:

1) MOLINER, Juliana de; RABUSKE, Michele Moroni. Fatores biopsicossociais envolvidos na decisão de realização da cirurgia bariátrica. Revista Psicologia: teoria e prática. 2008; 10(2); p.p. 44-60. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S151368720080002004
2) LEAL, Cristiano; BALDIN, Norma. O impacto emocional da cirurgia bariátrica em pacientes com obesidade mórbida. Revista de Psiquiatria. 2007; 29(3); p.p. 324-327. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-81082007000300013
3) SILVA, Guidélia da; LANGE, Elaine S. Neves. Imagem corporal: A percepção do conceito em indivíduos obesos do sexo feminino. Revista Psicologia e Argumento. 2010; 28(60); p.p 43-54. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/index.php/psicologiaargumento/article/view/19779/19087
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