PSICOPEDAGOGIA NEUROPSICOLÓGICA - ESPAÇO PARA DISCUSSÃO DE TEMAS RELATIVOS A PSICOLOGIA E PSICOPEDAGOGIA. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PSICÓLOGOS.REABILITAÇÃO COGNITIVA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA. TEMAS RELACIONADOS AO ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA, PSICOLOGIA CLÍNICA, NEUROPSICOLOGIA CLÍNICA E REABILITAÇÃO COGNITIVA - DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, SÍNDROMES DA APRENDIZAGEM - EDUCAÇÃO SEXUAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA

sexta-feira, 5 de março de 2021

 

Como tratar as obsessões puras?

 

 

Neste artigo apresentaremos o tratamento psicológico mais amplamente aceito para os transtornos obsessivos sem compulsões, ou “TOC puro”.

Como tratar as obsessões puras? O transtorno obsessivo compulsivo é uma categoria diagnóstica reservada para os casos em que o paciente manifesta obsessões e compulsões. Em alguns casos menos prevalentes, esses pacientes podem vir para a consulta com sintomas baseados apenas em obsessões.

É o que se conhece como TOC puro ou obsessões purasAs obsessões podem ser definidas como pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes, que são vivenciados em algum momento durante o transtorno como intrusivos ou indesejados, e que na maioria dos indivíduos causam ansiedade ou desconforto significativo.

A pessoa que sofre de obsessões, devido ao intenso desconforto que elas geram, procura por todos os meios ignorar ou suprimir esses pensamentos, impulsos e imagens ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ato, isto é, realizando uma compulsão.

As compulsões geralmente trazem um alívio de curto prazo. A ansiedade e a tensão sentidas por causa das obsessões são reforçadas negativamente pelo comportamento compulsivo.

Essa compulsão faz com que o problema persista e acabe se tornando crônico, pois o paciente aprende que é o único meio de que dispõe para se livrar da ansiedade e dos pensamentos desagradáveis ​​que habitam a sua mente.

Em geral, as compulsões não estão relacionadas de forma realista com o medo de acontecer o que a pessoa teme, ou são claramente excessivas. Por exemplo, uma paciente pode acreditar que, se bater três vezes ao sair e entrar pela porta de sua casa, o seu marido não sofrerá um acidente de trânsito a caminho do trabalho.

Os pacientes que não manifestam esse tipo de sintomatologia, ou seja, não recorrem às compulsões para aliviar o desconforto, são mais complexos. Tratar as obsessões puras é mais difícil, mas atualmente existem técnicas psicológicas para abordá-las.

 


 

A chave para tratar as obsessões puras é a habituação

O fato de as obsessões serem reforçadas de forma negativa quando se pratica a compulsão leva à não habituação, à ansiedade ou ao medo que elas geram.

Portanto, as obsessões são alimentadas, e alimentando-as progressivamente, elas ficam mais fortes. Nos transtornos obsessivos puros o tratamento é baseado na habituação, e para que isso ocorra é imprescindível uma exposição às próprias obsessões.

Essa exposição costuma ser aversiva para os pacientes. A exposição preventiva de resposta pode levar a uma rejeição significativa e até mesmo à descontinuação do tratamento. Esta é uma das suas desvantagens; porém, até o momento, as evidências empíricas nos mostram que são os tratamentos que apresentam maior sucesso terapêutico na maioria dos pacientes que conseguem concluí-los.

Para evitar esta desvantagem, é fundamental se adaptar à capacidade do paciente de tolerar a ansiedade e respeitar a janela terapêutica que lhe permite se habituar, mas sem se tornar demasiado apavorante. Encontraremos a virtude no meio termo.

 

 

Estratégias de tratamento

O objetivo, enfim, é que a pessoa se exponha aos seus pensamentos ou imagens de forma que, voluntariamente, possa trazê-los à tona e “olhá-los nos olhos”. O treinamento de habituação deriva da pesquisa de Salkowskis e Westbrock.

Geralmente é realizado em uma gravação de áudio na qual o paciente registra as suas obsessões puras e as escuta repetidamente até se acostumar com elas. A previsibilidade dos estímulos aos quais o sujeito é exposto é o fator-chave do tratamento. Por meio da gravação, o paciente pode prever o que ouvirá, ao contrário do que acontece com as obsessões puras, que são imprevisíveis.

Além da gravação de áudio, outras estratégias podem ser utilizadas para apresentar os pensamentos de forma previsível: evocando-os deliberadamente, narrando-os em sessão ou colocando-os por escrito e relendo até que a ansiedade diminua.

É necessário explicar em detalhes ao paciente como funciona a ansiedade e como a habituação segue uma curva em que primeiro aumenta, mas em um determinado ponto começa a diminuir. A psicoeducação facilita a adesão ao tratamento e favorece a relação terapêutica.

 


 

A curva da ansiedade

A curva característica da ansiedade tem a forma de um “U invertido”. Como já observamos, quando uma pessoa é exposta aos seus medos (seja por meio de fotos, ao vivo ou, no caso de TOC puro, por gravação ou escrita), ela experimenta um aumento substancial da ansiedade.

Esse momento é fundamental porque o paciente pensa que está pior e está certo, ele se sente muito mais ansioso. Mas essa escalada desagradável é finita. Fisiologicamente e inevitavelmente, o aumento da ansiedade tem um limite.

Quando esse desconforto atingir o ponto máximo e o paciente não realizar nenhum ritual, comportamento de segurança ou qualquer evitação de qualquer outro tipo, a ansiedade começará a diminuir progressivamente. Por que isso acontece? Primeiro, em um nível emocional, nem a ansiedade e nem qualquer outra emoção aumenta linearmente. Não é o padrão característico. Não há nenhum caso em que a emoção tenha aumentado tanto até que acabasse matando alguém.

Por outro lado, o simples fato de tomar consciência de que as nossas cognições são enviesadas ou irrealistas nos permite modificá-las para outras muito mais moderadas. Dessa forma, a ansiedade começa a perder aquelas âncoras que utilizava antes para crescer.

Definitivamente, o fundamental é evitar que o paciente que vai se expor às suas obsessões ou a qualquer outro estímulo que causa ansiedade saiba que ficar e persistir é a chave do sucesso. Na verdade, as exposições curtas podem produzir um efeito iatrogênico; além do paciente não conseguir superar o seu medo, ainda o aumenta.

Tolerar a ansiedade, apesar do desconforto que pode resultar de uma exposição, é a maneira crucial de sair vitorioso dessas punhaladas mentais chamadas obsessões.

 

Fonte:blog: https://blog.cicloceap.com.br/


 


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

 

Autoconhecimento: chave para alta performance e sucesso pessoal

14 de agosto de 2019

4.5 / 5 ( 39 votes )

  |  Tempo de leitura: 11 minutos

Autoconhecimento é um termo usado na psicologia para descrever as informações que um indivíduo utiliza ao encontrar uma resposta para uma pergunta complexa: “Quem sou eu?”.

Conhecer a si mesmo é uma das habilidades mais importantes para o desenvolvimento e crescimento do indivíduo em todas as áreas de sua vida.

Saber lidar com situações e emoções diversas impactam diretamente na forma com que nos relacionamos com as pessoas e com o mundo ao nosso redor. Consequentemente, a forma com que lidamos com as pessoas e situações impactam na nossa sensação de bem-estar e felicidade.

Uma das principais características do autoconhecimento é que possibilita que o indivíduo se enxergue como ele realmente é, e não quem pensa ser. Em outras palavras, quer dizer que a pessoa tem clareza de sua personalidade, das suas atitudes e de suas emoções diante de situações e adversidades que são enfrentadas e vivenciadas em sua jornada. 

Ter a consciência de quem é, e saber os pontos que precisa melhorar ou potencializar. Permite que o indivíduo desenvolva o seu máximo potencial e através de sua alta performance alcance o sucesso e realização pessoal.

O que é autoconhecimento?

Confira nesse artigo como o autoconhecimento pode abrir portas para uma autoanálise e reflexão de seus hábitos e propiciar que você viva o seu propósito e enxergue os caminhos que te levam à felicidade.

O autoconhecimento refere-se à consciência da sua essência como ser humano. Seus defeitos, suas qualidades, seus medos, suas limitações, seus talentos, suas crenças e inclinações. O que te faz feliz? O que te motiva ou que te desmotiva? O que te dá coragem, entre outras questões.

E além de fazer com que você tenha as respostas para essas e outras perguntas, o autoconhecimento permite guiar o indivíduo pelo seu desenvolvimento pessoal até o encontro da sua felicidade

Qual o objetivo do autoconhecimento?

O processo de autoconhecimento leva às pessoas a desenvolverem o seu potencial em busca do que lhe faz feliz. 

Conhecer aspectos importantes sobre sua individualidade ajuda a reforçar atitudes que o levem para mais próximo de sua autorrealização. É possível fazer mudanças necessárias e até mesmo eliminar atitudes que impeçam ou dificultem o seu desenvolvimento pessoal. 

A descoberta de si mesmo se dá através de reflexões. Análise de seus pensamentos e ações! O autoconhecimento é capaz de provocar uma consciência e atitude de poder e controle sobre eles. 

Durante o processo de autoconhecimento é possível identificar traços de sua personalidade. Reconhecer atitudes que te impedem de alcançar os seus objetivos. É possível fazer ajustes e melhorias para que você se torne uma pessoa melhor, independente da área que deseja se sentir satisfeito. Por fim, traçar estratégias para alcançar suas metas

É através do autoconhecimento que é possível traçar metas e objetivos. Distinguir pessoas e situações que são positivas para a sua jornada e quais devem ser descartadas ou requerem um pouco de afastamento.

O autoconhecimento está diretamente ligado ao propósito de vida de uma pessoa. Sua missão no mundo, o que a faz feliz e se sentir plenamente realizada. 

Quando você se conhece e sabe o que quer para a sua vida, fica mais fácil tomar atitudes e decisões que te levem a realizar o seu propósito.

Quais são as consequências de um baixo nível de autoconhecimento?

Pessoas que conhecem pouco a respeito de si mesmo podem se tornar incapazes de lidar com determinadas situações e pessoas

São pessoas com elevado nível de estresse e ansiedade e que não possuem discernimento para promover atitudes que façam bem a si mesmo e para as pessoas que a cercam.

Muitas vezes, podem acabar sendo conduzidas por regras impostas pela sociedade, sem levar em conta ou seus sentimento, desejos e aspirações, levando à frustração

Portanto, o autoconhecimento passa a ser uma habilidade que promove saúde mental ao indivíduo.

Como promover o autoconhecimento?

Se conhecer exige a prática constante de análises e reflexões sobre suas atitudes, pensamentos comportamento com as pessoas e situações diversas. 

Especialistas e estudiosos do assunto sugerem que sejam feitas anotações em uma espécie de diário. Escrever seus pensamentos e emoções ajuda a fixar em sua mente o que está sentindo e permite posterior análise de sua evolução. 

Esse processo requer que o indivíduo seja muito sincero e honesto nas respostas. É importante lembrar que as respostas devem ser dadas de acordo com o que a pessoa é ou sente de verdade, e não como pensa que é ou gostaria que fosse.

Na verdade, depois do autoconhecimento será possível fazer ajustes e melhorias para alcançar o indivíduo que gostaria de ser, mas sem mudar a sua essência. Ou seja, também é um processo de auto aceitação! A pessoa pode descobrir que determinadas atitudes são as que provocam a sua felicidade e mudá-las pode não ser uma opção interessante, desde que não traga prejuízos para si e para os outros. 

Exercícios para o autoconhecimento

Promover o autoconhecimento requer responder, de forma sincera, questionamentos a respeito de si próprio e que te levem a refletir sobre suas respostas. Além de também ser necessário saber ouvir e interpretar sinais e feedbacks de terceiros.

Para dar início a esse processo, indicaremos exercícios que te farão refletir sobre si mesmo. 

Algumas perguntas podem ajudar nesse processo. Utilize um caderno ou diário e realize os exercícios a seguir, que te conduzirão pelo caminho do autoconhecimento. 

1 – Perguntas para reflexão

Fazer e responder perguntas sobre si mesmo permite estimular o autoconhecimento e te fazer refletir sobre suas atitudes, emoções e comportamento. Através das respostas também é possível mudar algumas atitudes em busca do seu desenvolvimento pessoal. Esses são alguns exemplos de perguntas para fazer a si mesmo:

  • Quais são os meus objetivos de curto prazo?
  • Quais são os meus objetivos de médio prazo?
  • Quais são os meus objetivos de longo prazo?
  • O que eu gosto de fazer e gostaria de fazer mais?
  • O que eu não gosto de fazer e gostaria de ter que fazer menos ou não fazer?
  • O que me faz bem?
  • O que me desagrada?
  • Como eu reajo em situações desafiadores e de estresse?
  • Do que eu tenho medo?
  • O que eu gosto e sinto orgulho em mim mesmo?
  • Que atitudes eu gostaria de eliminar dos meus hábitos?
  • Que tipo de lugares gosto e costumo frequentar?
  • Quais são meus hobbies?
  • Que hobbies eu gostaria de desenvolver?

Você vai perceber que a medida que responde essas perguntas, novas questões surgirão para provocar uma análise e permitir o seu autoconhecimento.

Diversos testes de personalidade disponíveis na internet também podem ser uma boa ferramenta para ajudar nesse processo. 

2 – Linha do tempo da vida

Essa ferramenta consiste em desenhar uma linha horizontal que representa a sua vida. Marque no centro da sua linha um ponto, que representa o momento atual em que você está.

Preencha o lado esquerdo do ponto com acontecimentos e situações importantes que te fizeram chegar ao ponto em que está. Esses acontecimentos são fatos que marcaram a sua vida: pode ser um relacionamento, um curso, uma situação vivenciada e que de alguma forma te marcou, pessoas que você conheceu e foram importantes e marcaram sua trajetória.

Passe um tempo refletindo em como essas situações te ajudaram a tornar que você é atualmente. Pense nos impactos positivos e negativos que causaram em sua vida. 

Depois, você deve preencher o lado direito do ponto que representa o seu momento atual com situações que deseja vivenciar no futuro, são seus sonhos, o que você deseja. A partir desses desejos, dedique um tempo para traçar as estratégias necessárias para alcançar suas metas e objetivos. 

Ao traçar essa metas e objetivos leve em consideração os seus gostos pessoais. Avalie os seus dons e talentos, o que você precisa e quer desenvolver. Preocupe-se em colocar ações que te transmitam boas sensações e felicidade. 

 

3 – Peça Feedback 

Saber as percepções que as pessoas têm sobre você é uma boa maneira de identificar pontos de melhoria e seus pontos fortes. Não confunda aceitar feedback de terceiro como uma demonstração de falta de personalidade. Saber ouvir opiniões de outras pessoas também é um ponto importante para o processo de autoconhecimento. 

Não ignore as críticas e os elogios a seu respeito. Em vez disso, faça uma autoanálise que lhe permita enxergar verdadeiramente como você se comporta em determinadas situações. 

Anote as respostas e o feedback que receber e dedique um tempo para refletir sobre as palavras que recebeu. Procure se avaliar a partir dessas anotações e retome após certo tempo para verificar suas atitudes a partir delas. 

Um bom feedback é composto por pontos que você precisa ouvir, e não necessariamente o que gostaria de ouvir. Nesse sentido, é importante que a pessoa escolhida não seja complacente com você e que seja sincera em suas palavras. Diga que você está em um processo de autoconhecimento e quer respostas verdadeiras. Que que não se importa se algumas delas poderão te chatear, pois saberá entender que são em razão de um bem maior: o seu autoconhecimento.

Saiba que o autoconhecimento é um processo constante. Nós, seres humanos, mudamos e evoluímos constantemente, e isso impacta diretamente nos seus caminhos e decisões em busca da felicidade. Por isso, sempre realize uma autoanálise reflexiva para tirar o maior proveito do seu autoconhecimento e estimular o seu desenvolvimento pessoal.

4 – Faça terapia

Psicoterapia é um dos melhores investimentos que uma pessoa pode fazer para obter autoconhecimento! Digo isso, por experiência própria. No momento em que escrevo esse artigo, já se vão mais de 7 anos de terapia e análise. Troquei de psicólogo em alguns momentos, para explorar novas abordagens terapêuticas como a Terapia Cognitivo Comportamental, a Psicanálise e a Gestalt. Atualmente faço terapia online com a Juliana Florêncio, na abordagem Junguiana, que utiliza o conteúdo dos nossos sonhos como base para as reflexões.

Um bom processo de análise ou de psicoterapia ajuda a melhorar a tomada de decisões. Transforma atitudes inconscientes em conscientes, contribui para o desenvolvimento da empatia e nos deixa mais assertivos. Não há contraindicações. Terapia é algo que todo mundo deveria fazer, sem sombra de dúvidas. Nem sempre é fácil olhar para si e encarar nossos fantasmas. No entanto, quando a gente passa a se conhecer, também passamos a ser mais leves e felizes.

Faço terapia há anos! Se tem uma coisa que me ajuda é aquela uma horinha semanal com a minha psicóloga. Todos nós temos pontos cegos. Nem sempre conseguimos ver as coisas com clareza e, infelizmente, nem todo mundo sabe nos dar feedbacks assertivos. Às vezes pisamos na bola e ninguém vira e fala “você errou”.

Um olhar imparcial

Um psicólogo, ao contrário, é um profissional neutro. Ele está ali sendo pago e está 100% à sua disposição para ajudar o sujeito a se ver e se conhecer. Inteligência emocional e autoconhecimento exigem horas e horas de prática, de fala, de escuta e de reflexão. A capacidade de se manter flexível e com a mente aberta em tempos incertos não é apenas uma coisa de personalidade. Também depende do que você faz. Se ainda não experimentou, recomendo que avalie essa opção.

Portanto, se você deseja ter sucesso, alcançar um cargo de liderança, empreender ou estar à frente de uma organização de muito sucesso, cuide bem de uma das peças principais da sua empresa: você!

In: https://www.vittude.com/blog/autoconhecimento-sucesso-pessoal/

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

 

Como lidar com a pandemia quando você já sofre de ansiedade

Por:Miguel Lucas

Se você é uma pessoa ansiosa ou sofre de algum tipo de transtorno de ansiedade, numa circunstância de pandemia, pode sentir-se perdido e apavorado. No meu artigosofre de ansiedade? perceba porquê! explico que a experiência ansiosa induz ou é acompanhada de tensões físicas e psicológicas relacionadas com a percepção de um perigo e o medo desse perigo. De um ponto de vista mais cognitivo, a ansiedade está presente onde o indivíduo percebe um perigo ou uma ameaça. 

Podemos então afirmar categoricamente que faz sentido que você esteja ansioso perante uma pandemia. Faz sentido que os seus sintomas tenham-se intensificado ou piorado. Fruto da pandemia por Coronavírus algumas pessoas, compreensivelmente, têm medos genuínos sobre os seus empregos, a sua saúde, as suas casas, as suas finanças e o impacto de curto e longo prazo que virá a ter na sociedade. Mas, embora a sua ansiedade possa estar a atingir níveis elevadíssimos, existem muitas ações úteis que pode realizar.

Um dos melhores passos é agendar uma consulta com um profissional de saúde mental. Poderá aqui mesmo agendar comigo uma consulta de psicologia online (ou procurar um profissional na sua área geográfica).

Outras oito sugestões que poderão ajudar:

1- Estabelecer limites

Passar grande parte do seu tempo livre a ver televisão no seu canal de noticias preferido e/ou a navegar nas redes sociais coloca-o num estado constante de ansiedade. Ouvir ou ver a todo o momento acontecimentos sobre o perigo aumenta a nossa percepção da ameaça. 

Em vez disso, aconselho a marcar horários específicos para verificar as atualizações sobre a evolução da situação. Desta forma, você mantém-se informado sem estar a lidar constantemente com o problema e a ser bombardeado com informações negativas.

Outro limite útil a ser definido é não falar ou falar o mínimo possível sobre a pandemia. Diga aos seus amigos e familiares que você mudará de assunto quando isso surgir. Isso não só ajudará a limitar a sua ansiedade, mas também ajudará as outras pessoas.

2- Pratique o autocuidado

Antes da pandemia, talvez você tivesse o hábito de realizar algumas práticas de autocuidado. Por exemplo,  você ia a um estúdio de ioga que adorava, ia fazer uma massagem, praticar um desporto, fazia longas caminhadas nos fins de semana.

Não manter esses hábitos quando mais precisa deles pode fazer com que vá acumulando cada vez mais ansiedade. 

Ainda que você possa estar impedido de realizar algumas dessas atividades, faça um esforço para se organizar e escolha atividades alternativas, realistas e viáveis. Assista a um vídeo de ioga de 10 minutos no YouTube. Faça um banho de imersão. Construa uma rotina de exercícios físicos. Faça pausas para respiração profunda de 5 minutos no trabalho. O que realmente importa mesmo é que faça algo que aumente o seu bem-estar físico e psicológico. 

3- Crie um período do dia para a sua preocupação

Esta sugestão parece um contra senso, certo! Mas não é, isso evita que você seja avassalado a todo o momento pelos pensamentos que fazem disparar a sua ansiedade.

Se um pensamento ansioso ou preocupação emergir na sua mente durante o dia, faça uma breve nota num bloco de papel e adie o processamento de informação para o seu período de preocupação. Lembre-se que você vai ter tempo para pensar nisso mais tarde, então não há necessidade de se preocupar com isso agora. Guarde-a para mais tarde e continue com as suas atividades.

https://www.miguellucas.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pandemia-1024x536.jpg

4- Identifique padrões no seu pânico

Se você tem tendência a ter ataques de pânico, é fácil confundir esses sintomas (por exemplo, falta de ar) com os sintomas respiratórios do Coronavírus. Isso pode fazer com que você se dirija às urgências e correr o risco de uma possível exposição ao vírus. É por isso que é importante prestar atenção ao que precipita os seus sintomas. 

Os sintomas de pânico não são contínuos no tempo, geralmente vêm e vão, enquanto os sintomas do vírus não. Então, se você está com dificuldade em respirar enquanto assiste ao noticiário ou pensa sobre a pandemia, poderá ser devido à sua ansiedade ter escalado e desenvolver um ataque de pânico.

A melhor maneira de lidar com um ataques de pânico é aceitá-lo. Eu sei que parece contra-intuitivo, mas quanto menos você temer a sua experiência de pânico, mais você constatará que os ataques de pânico não são tão perigosos quanto pensa e que pode aprender a lidar com eles. 

5- Corte na ingestão de cafeína

Tendemos a usar a ingestão de cafeína para lidar com os sentimentos negativos, como o tédio, angústia e desânimo. No entanto, isso pode tornar-nos mais vulneráveis ​​a sentimentos físicos de ansiedade e, portanto, a ataques de pânico.

Além disso, a cafeína pode imitar os sintomas fisiológicos de diferentes problemas de saúde. Em vez de beber sem pensar três xícaras de café ou refrigerante ao longo do dia, saboreie lentamente uma pequena xícara de café da manhã e fique por aí. O ideal seria substituir o café e refrigerantes por chá.

6- Durma bem

É importante manter um horário de sono consistente, acordar e ir para a cama mais ou menos à mesma hora,  mesmo que agora os seus dias tenham os horários muito mais flexíveis.  Como referi anteriormente, evite ao máximo assistir televisão e navegar nas redes sociais e substitua por uma prática relaxante.

Por exemplo, antes de dormir, você pode ouvir uma meditação de autocompaixão, tomar um banho quente ou praticar algumas posturas de ioga que promovem o sono.

Evite ver televisão ou usar o seu telefone, pelos menos 20 minutos antes da hora de ir para a cama.

7- Conecte-se com os seus sentidos

Em algum momento do seu dia, quando perceber que está a ficar sobrecarregado de preocupação ou ansiedade, ou seja, começar a “ruminar nos seus medos” ou as sensações físicas incómodas disparem, use um dos seus sentidos.

Por exemplo, respire fundo, e olhe ao seu redor. Observe as árvores e o céu, oiça os sons, sinta os cheiros ao seu redor. Lembre-se que você possuí a capacidade de receber estímulos agradáveis a todo o momento através dos cinco sentidos. É um bem precioso sempre à sua disposição.

Medida de ação: Sempre que tomar consciência que acionou um padrão negativo de pensamento, e sentir que ficou preso nele, relembre-se que pode sair disso por ação da sua vontade. Pratique o redirecionamento da atenção, saboreando as cenas positivas no ambiente ao seu redor.

Coisas simples como cheirar um aroma, ouvir um som atentamente, sentir o vento no rosto ou a textura de um determinado material, é o suficiente para interromper o fluxo ansioso. Ao concentrarmo-nos nos nossos sentidos, somos necessariamente trazidos ao presente, mesmo que apenas por um momento.

8- Lembre-se dos seus valores 

Na grande maioria das vezes não podemos mudar as nossas circunstâncias, mas podemos escolher que tipo de pessoa queremos ser nesta crise e agir de acordo com os nossos valores.

Por exemplo, em vez de criticar ferozmente os acontecimentos que despreza, monte um Puzzle com os seus filhos ou assiste Frozen 2 “pela milionéssima vez”. Em vez de verificar as notícias constantemente, faça uma videoconferência com a sua mãe.

Se ainda está lutando com o aumento e o agravamento dos sintomas de ansiedade, não hesite em procurar um suporte profissional. Na verdade, você pode falar com um profissional licenciado agora. Você pode superar isso. Certamente irá ser capaz.

IN: https://www.miguellucas.com.br/como-lidar-com-a-pandemia-quando-voce-ja-sofre-de-ansiedade/