PSICOPEDAGOGIA NEUROPSICOLÓGICA - ESPAÇO PARA DISCUSSÃO DE TEMAS RELATIVOS A PSICOLOGIA E PSICOPEDAGOGIA. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PSICÓLOGOS.REABILITAÇÃO COGNITIVA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA. TEMAS RELACIONADOS AO ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA, PSICOLOGIA CLÍNICA, NEUROPSICOLOGIA CLÍNICA E REABILITAÇÃO COGNITIVA - DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, SÍNDROMES DA APRENDIZAGEM - EDUCAÇÃO SEXUAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA

sábado, 8 de maio de 2021

 

MEU FILHO É GAY, E AGORA?

Reflita sobre como os pais podem lidar com essa descoberta

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Meu filho é gay, e agora?

O título deste artigo reproduz a pergunta angustiada que muitos pais e mães se fazem quando eventualmente descobrem que seu filho ou filha é homossexual. Em 2014, o assunto veio à tona quando o apresentador Marcelo Tas revelou como lidou com a transexualidade da filha Luiza, que passou a responder como Luc. Seu filho pode ter te contado, ou você pode ter descoberto que ele é gay ao espionar sua vida privada. O fato é que saber que o filho é gay é algo em geral chocante. Cada vez menos chocante, é verdade, em virtude do fato de que vivemos numa época mais esclarecida no que diz respeito a questões sexuais. Informação é que não falta para que as pessoas compreendam melhor coisas que seriam muito mais difíceis de serem compreendidas décadas atrás.

Mas vamos lá. Seu filho é gay. E agora? A resposta é simples na teoria, mas será preciso esforço consciente para incorporá-la: e agora, o fato é que ele continua a ser seu filho. Nada mudou neste quesito e, acredite, fazer chantagem emocional ou discurso religioso não fará seu filho deixar de ser homossexual. No máximo, ele aprenderá a mentir para você, o que, convenhamos, sai completamente do projeto de um relacionamento familiar saudável.

Alguns pais expulsam seus filhos de casa ou realizam reprimendas em graus variados. Há até quem bata no filho adolescente, ou lhe tolha a liberdade. No fundo, atitudes deste tipo derivam da fantasia mais absurda. Tem pai e mãe que acha que se impuser castigos variados aos filhos, eles “deixarão de ser” aquilo que efetivamente são. Desculpe, mas se você pensa assim, é engano seu. No máximo, você conseguirá criar um mentiroso. E isso se ele quiser continuar perto de você, porque há filhos que simplesmente somem da vida de seus pais chantagistas, tão logo conseguem se virar sozinhos. Em diversos sites e até mesmo grupos no Facebook, podemos encontrar incontáveis relatos de pessoas homossexuais que perderam totalmente o contato com seus pais e foram viver suas vidas. Se para eles isso é triste, imagine para os pais… De que maneira então você pode evitar a destruição de seu relacionamento com seu filho querido?

ENTENDENDO A HOMOSSEXUALIDADE

Em primeiro lugar, esqueça “opção sexual”. Você ouvirá esta expressão corriqueiramente na mídia e até mesmo em livros aparentemente especializados. Em geral, quem usa tal expressão não o faz por maldade, mas um olhar mais apurado demonstra quão infeliz é esta frase. Se preferência sexual fosse uma opção, ninguém optaria por ter um gosto que converte a pessoa quase que automaticamente numa vítima do preconceito social. Pense: você optou por gostar do sexo oposto? Não foi assim, não é mesmo? Você paulatinamente foi descobrindo que se interessava pelo sexo oposto. Adivinhe? Com homossexuais é a mesma coisa! Eles gostam do mesmo sexo, pela mesma razão misteriosa que faz com que a maioria das pessoas prefira o sexo oposto.

O fato é que ninguém, absolutamente ninguém sabe o que faz uma pessoa se interessar pelo mesmo sexo ou pelo oposto. Não existe nenhuma comprovação científica de que a causa seja genética ou psicológica. Até mesmo Sigmund Freud, pai da psicanálise, a quem erroneamente se atribui a ideia de que a homossexualidade tem origem na criação, escreveu claramente em sua obra: o mais provável é que a sexualidade humana, como tudo no ser humano, seja multicausal. Não há uma causa, mas sim várias, e elas provavelmente são diferentes para cada ser humano. De todo modo, independentemente de quais sejam as causas, o filósofo francês Michel Foucault disse certa feita – e muito bem dito – que mais do que uma explicação para os gostos sexuais, o que os seres humanos mais precisam é de uma arte do bem-viver. A arte do cuidar de si. E “cuidar de si” é uma prerrogativa para todos os seres humanos, sejam eles homo, hetero ou bissexuais.

O LADO DOS PAIS

Aí você pode argumentar e dizer: “não quero que meu filho sofra neste mundo preconceituoso”. Vou te contar uma coisa que não é segredo algum e deveria ser óbvio: é impossível impedir as pessoas de sofrerem. É inviável eliminar a possibilidade do sofrimento da vida de um filho. E digo mais: é doentio fantasiar uma proteção paterna ou materna que ultrapasse as fronteiras da vida adulta de seu filho. Isso não apenas infantiliza seu filho, como cria uma relação patológica entre vocês. Além disso, você já parou para olhar ao redor do mundo hetero? As pessoas deixam de sofrer por serem heterossexuais? E se você acha que no caso dos homossexuais há mais sofrimento, eu lhe digo que isso só é verdade enquanto a maioria das pessoas pensar como você.

Outro sofrimento comum é pensar “Ai meu Deus, não vou ter netos!”. Bem, seu filho ou filha é homossexual, e não estéril. Homossexuais podem perfeitamente se reproduzir, seja através da inseminação artificial, seja por intermédio do sexo desprazeroso, cuja finalidade é unicamente reprodutiva, ou podem até realizar um dos atos mais generosos e belos, que é adotar uma criança. Há milhões de crianças sem família à espera de pais sem filhos. E mesmo que seu filho fosse heterossexual, quem garante que ele seria pai? E se ele for um heterossexual que detesta a ideia de cuidar de crianças? Ter ou não ter netos não deveria ser um argumento de chantagem contra o desejo amoroso verdadeiro de seu filho ou filha. Se você quer cuidar de crianças novamente, que tal adotar uma ao invés de impor seu sonho aos outros?

Você também pode achar – e isso é muito comum – que seu filho ou filha pensa que é homossexual porque nunca experimentou o sexo oposto. Em primeiro lugar, como é que você sabe que ele nunca experimentou? E ainda que nunca tenha experimentado, é falso supor que tal coisa seja necessária. Se ele tiver que fazê-lo, o fará por livre e espontânea vontade, no dia que sentir o desejo. Sexualidade como obrigação é a via direta para o sofrimento.

Por fim, há a questão religiosa, que é parte importante na vida de muitas famílias. Religiões diferentes abordam a questão da homossexualidade das formas mais distintas: há as que aceitam, as que condenam e as indiferentes ao tema. Alguns autores, como o padre Daniel Helminiak, autor do livro “O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade”, mostram que podem existir interpretações diferentes para este assunto.

O Brasil é um país onde ser homossexual gera bem menos problemas do que em outros lugares. Em nosso país, uma pessoa homossexual pode deixar pensão para seu companheiro ou companheira, pode adotar crianças, pode realizar união civil… Os homossexuais têm muitos direitos conquistados e, muito embora ainda faltem tantos outros, grandes passos já foram dados e continuarão a ser.

Deste modo, se você realmente se preocupa com a possibilidade de seu filho “sofrer mais” por ser homossexual, esforce-se para não ser você mais uma razão para sofrimento na vida dele. Em geral, pessoas homossexuais aprendem a não ligar para eventuais manifestações de preconceito. Alguns até reagem e ensinam grandes lições aos preconceituosos. Mas quando o preconceito vem da própria família, principalmente dos pais, este tipo de sofrimento é quase irrecuperável. Gera mágoas profundas e feridas difíceis de cicatrizar. Não é à toa que a incidência de tentativas de suicídio é maior entre gays – não é porque eles são gays que tentam se matar, é por causa dos pais que não os aceitam como são! Você, que deu a vida a seu filho, pense no horror que seria tornar-se provável colaborador da causa de sua morte. Você, que deu a vida a seu filho, pense em como será maravilhoso colaborar para sua felicidade. E não há maior felicidade do que poder ser aquilo que se é, com o apoio daqueles que dizem nos amar.

Deste modo, eu lhe digo: e agora? E agora, aceite. Acostume-se. Seu filho é o que é, e o que ele é vai muito além de uma extensão sua. Ele não é um robô, não é um projeto. É uma pessoa com desejos próprios. Admire-o por isso. E não apenas “tolere” sua preferência sexual. Respeite-a.

Nossos filhos não são nossos filhos…

São os filhos e filhas da vida desejando a si mesma.

Eles vêm através de nós, mas não de nós,

E embora estejam conosco, não nos pertencem.

Nós podemos lhes dar nosso amor, mas não seus pensamentos,

Pois eles têm seus próprios pensamentos,

Nós podemos abrigar seus corpos, mas não suas almas,

Pois suas almas vivem na casa do amanhã,

que nós não podemos visitar, nem mesmo em seus sonhos.

Nós podemos lutar para ser como eles,

mas não perduraremos- nos torná-los iguais a nós.

Pois a vida não volta para trás, nem espera pelo passado.

Nós somos o arco de onde nossos

filhos são lançados como flechas vivas.

(Kahlil Gibran, poeta e filósofo)

Se você é pai ou mãe de uma pessoa homossexual, ou desconfia disso, pode procurar a Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais


ALEXEY DODSWORTH

Doutor em Filosofia pelas universidades de Veneza e de São Paulo. Tem ampla experiência em ensino de Filosofia, já tendo sido consultor da Unesco e assessor especial no Ministério da Educação. Pesquisa Astrologia desde 1987. Saiba mais

ATAQUE DE PÂNICO OU DE ANSIEDADE?

 


Hoje falaremos sobre a diferença entre um ataque de ansiedade e um ataque de pânico. Um é um termo que predomina na linguagem coloquial, mas tem pouco uso clínico, e o outro é uma entidade clínica perfeitamente identificada.

Os termos ataque de pânico e ataque de ansiedade costumam ser usados ​​indistintamente, mas não são a mesma coisa. Existem características essenciais que os distinguem, embora tenham vários sintomas em comum. Os dois termos são confundidos não apenas pelos pacientes, mas pelos próprios estudantes de psicologia.

Será difícil encontrar o tratamento certo ou desenvolver habilidades úteis de enfrentamento se o uso dos termos não for diferenciado corretamente. Portanto, saber a diferença entre um ataque de ansiedade e um ataque de pânico é mais do que uma questão de semântica.

Ao compreender os sintomas de ansiedade e dos ataques de pânico, o caso do paciente e os problemas por trás dos ataques podem ser tratados com mais eficiência. O mal-estar básico é muito diferente e sua evolução também, por isso é fundamental diferenciá-los bem.

Ataque de ansiedade e ataque de pânico

Um ataque de ansiedade geralmente surge como uma reação a um determinado fator de estresse ou preocupação específica. Por exemplo, há muito tempo você teme ser demitido do trabalho e o seu chefe liga para conversar com você. Nesse momento, os seus sintomas de ansiedade podem disparar.

Em um ataque de ansiedade, as pessoas podem sentir medo, apreensão, o seu coração pode disparar ou podem sentir falta de ar, mas é algo de curta duração. Quando o estressor vai embora, o ataque de ansiedade também acaba.

O ataque de pânico, por outro lado, ocorre quando não há perigo real ou causa aparente. Não é provocado e, em muitos casos, é bastante imprevisível. Em um ataque de pânico, a pessoa é inundada pelo terror, medo ou apreensão.

Elas acreditam que vão morrer, perder o controle ou ter um ataque cardíaco. Apresentam uma série de sintomas físicos que podem incluir dor no peito, falta de ar, tontura e náuseas.

Estes termos estão incluídos no DSM?

Até agora, “ataque de ansiedade" não corresponde a nenhuma categoria diagnóstica na última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

Um ataque de ansiedade é, na verdade, um termo coloquial criado para aqueles que sofrem de ansiedade, para descrever períodos de ansiedade intensa ou prolongada.

Os ataques de pânico são fáceis de definir porque existe um consenso clínico. Esta é a definição oficial do DSM: “um ataque de pânico é um episódio repentino de medo intenso que desencadeia reações físicas severas mesmo quando não há perigo real ou uma causa aparente".

Sintomas de um ataque de ansiedade

Quando falamos de um ataque de ansiedade, nos referimos a um pico ansioso que pode durar um longo tempo, até que o estímulo que o gera desapareça, até que encontremos uma estratégia alternativa de enfrentamento ou o sistema fisiológico se esgote.

É mais grave do que a simples sensação de ansiedade, mas geralmente não atinge os níveis de ativação gerados por um ataque de pânico. Pode durar de minutos a horas, até dias e semanas. Geralmente apresenta um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Inquietação, sensação de cansaço ou nervosismo.
  • Um grande cansaço mesmo na ausência de esforço físico ou mental prolongado ou intenso.
  • Dificuldade de concentração.
  • Irritabilidade.
  • Tensão muscular.
  • Dificuldade para controlar as preocupações.
  • Problemas de sono (dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo, sono agitado ou insatisfatório).

A terapeuta Ginger Poag definiu um ataque de ansiedade como “um período de apreensão sobre possíveis eventos futuros". Às vezes, um ataque de ansiedade é o prelúdio de um ataque de pânico.

Ao contrário dos ataques de pânico, os ataques de ansiedade não são necessariamente sinais de um transtorno de ansiedade. A ansiedade é uma resposta natural a certos estímulos ou situações, e os ataques de ansiedade são apenas formas mais intensas dessa emoção.

Ataques de ansiedade geralmente causam padrões de evitação ou cautela excessiva. Por exemplo, alguém que experimentou ataques de ansiedade devido à ansiedade social pode evitar os lugares ou situações que o deixaram ansioso.

Sintomas de um ataque de pânico

Reações físicas graves podem ser desencadeadas em um ataque de pânico. Muitas pessoas que sofrem com isso pensam que estão tendo um ataque cardíaco. Alguns ligam para a emergência porque não sabem o que estão experimentando. Geralmente, apresentam pelo menos alguns dos seguintes sintomas, que duram de 10 a 15 minutos:

  • Sensação de morte ou perigo iminente.
  • Medo de perder o controle ou morrer.
  • Frequência cardíaca rápida e acelerada.
  • Transpiração.
  • Tremores.
  • Dificuldade para respirar ou aperto na garganta.
  • Ondas de calor.
  • Náusea.
  • Cãibra abdominal.
  • Dor no peito.
  • Dor de cabeça.
  • Tonturas, vertigens ou desmaios.
  • Entorpecimento ou formigamento.
  • Sensação de irrealidade ou desapego.

Com os ataques de pânico, as pessoas costumam ter uma sensação de ameaça imediata. Isso faz com que elas respondam pedindo ajuda ou tentando escapar de qualquer situação em que se encontrem. Às vezes, as pessoas têm apenas um ou dois ataques de pânico em suas vidas.

Podem ocorrer sob níveis extremos de estresse ou pressão. Experimentar ataques de pânico repetidamente costuma ser um sintoma do transtorno do pânico. Certos eventos traumáticos podem levar a pessoa a desenvolver o transtorno do pânico.

Como diferenciar um do outro?

Como os sintomas são muito semelhantes, pode ser difícil distinguir entre ataques de pânico e ataques de ansiedade. Aqui estão algumas dicas que podem ajudar:

  • Os ataques de pânico geralmente ocorrem sem um gatilho. A ansiedade é uma resposta a um estressor ou ameaça percebida.
  • Os sintomas de um ataque de pânico são intensos e perturbadores. Frequentemente, envolvem uma sensação de “irrealidade" e distanciamento. Os sintomas de ansiedade variam em intensidade, de leve a grave.
  • Os ataques de pânico aparecem repentinamente, enquanto os sintomas de ansiedade tornam-se gradualmente mais intensos em minutos, horas ou dias.
  • Os ataques de pânico desaparecem após alguns minutos, enquanto os sintomas de ansiedade podem prevalecer por longos períodos.

Ter em mente a diferença entre um ataque de pânico e um ataque de ansiedade é fundamental, pois muitos pacientes acreditam que têm ataques de ansiedade e o que realmente sofrem é um transtorno de pânico. Em muitos casos, essa confusão é a causa de muitos pacientes não recorrerem à terapia.

Por outro lado, ao confundir um com o outro no diagnóstico diferencial, na pior das hipóteses, a pessoa pode ficar dependente de um medicamento de que não necessita. Portanto, é fundamental que os profissionais também entendam as diferenças e trabalhem nesse sentido.

In:www.cicloceap.com.br

quarta-feira, 14 de abril de 2021

O QUE É TCC?

 

TCC - A psicoterapia da efetividade

POR: Ciclo CEAP

As maiores restrições das pessoas sobre o tratamento psicológico são baseadas nos mitos de que o processo é longo, é caro, e principalmente não tem efetividade imediata.

Diante de um sofrimento psíquico, as pessoas desejam um alívio que possa ser sentido em um tempo mais curto, e que a pessoa possa em breve caminhar sozinha com os próprios recursos, e o auto conhecimento adquirido.

Estes mitos sobre a psicoterapia fazem com que os clientes se afastem dos consultórios de psicologia, buscando outras alternativas para suas dificuldades.

Mitos precisam ser transformados, pois a psicologia tem vários caminhos para se chegar ao equilíbrio e saúde emocional.  No entanto, existem algumas abordagens que atendem à expectativa de um resultado mais direcionado e mais rápido, mas ao mesmo tempo consistente.

Uma destas abordagens é a Terapia Cognitivo Comportamental, também conhecida como TCC.

Fundamentos da Terapia Cognitivo Comportamental

A partir da década de 60, as pesquisas do psiquiatra e psicoterapeuta americano Aaron Beck trouxeram uma nova visão dos processos mentais, e a partir destes conceitos foram criadas novas metodologias de intervenção psicoterapêutica.

A TCC parte do pressuposto de que existe um ciclo de processos mentais que se retro alimentam, e são constituídos por:

 CRENÇAS – PENSAMENTOS – EMOÇÕES – COMPORTAMENTOS

CRENÇAS – São todas os fundamentos que constituem os nossos valores, a nossa forma de percebermos a nós mesmos, as pessoas e o mundo. Nosso sistema de crenças seria como um mapa sobre o qual caminhamos pela vida. Seria  a lente através da qual enxergamos tudo a nossa volta.

Estas crenças são formadas à partir das nossas vivências, e através do que absorvemos das pessoas que são importantes para nós, como nossos pais, familiares, amigos, professores, cônjuges, filhos e informações que vem do mundo em geral.

Existem as crenças centrais que são aquelas mais profundas, que são nossos parâmetros inquestionáveis, nossas verdades mais definidoras do que somos.

Existem também as crenças intermediárias que são os moldes pelos quais interpretamos os eventos da nossa vida.

Estas crenças intermediárias dão origem aos nossos pensamentos.

PENSAMENTOS – Nossa forma de pensar tem origem nas nossas crenças, e constantemente produzimos pensamentos automáticos que fazem brotar os sentimentos, emoções e sensações.

Existem os pensamentos funcionais e os pensamentos disfuncionais. Nos pensamentos disfuncionais encontramos a origem dos sentimentos negativos, que causam muito sofrimento. Estes pensamentos são distorções cognitivas que têm origem principalmente em crenças de desamor, desvalia ou de abandono.

EMOÇÕES/SENTIMENTOS – As emoções surgem sem o nosso controle. Não escolhemos o que sentir, e os sentimentos negativos são as principais razões pelas quais as pessoas buscam ajuda.

Os principais sentimentos negativos são medo, raiva, tristeza, culpa ansiedade e nojo.

COMPORTAMENTOS – Nossos comportamentos são frutos dos nossos sentimentos. Embora possamos escolher conscientemente como agir, nossas ações, e principalmente nossas reações estão muito condicionadas às nossas emoções.

Resumindo, crenças geram pensamentos, que geram sentimentos que geram comportamentos.

Quebrando os ciclos disfuncionais. Quando compreendemos este ciclo, percebemos que existe uma retro alimentação,  que tende a se repetir indefinidamente, até que seja interrompido.

Por exemplo, uma pessoa que tem uma crença de desamor acredita que ela não é digna de receber amor, que ninguém gosta dela,  que ela não é bem vinda, que as pessoas fogem para não encontrá-la.

Suponhamos uma situação em que esta pessoa esteja em um local, e que alguém conhecido passa por ela e não a cumprimenta. O pensamento automático que vem é: “esta pessoa não gosta de mim” ou “aposto que esta pessoa não quis me encontrar”.

O sentimento que vem em seguida é a tristeza, e o comportamento mais provável, é a pessoa se tornar arredia ou reativa, o que fará com que os outros se afastem dela, reforçando a crença que deu origem a esta cadeia de processos.

Por esta razão as pessoas tendem a repetir os comportamentos, a fazer as mesmas escolhas erradas, a trilhar os mesmos caminhos de insucesso, sem se dar conta de que só quebrando esta cadeia é que será possível transformar uma situação.

Terapia Cognitivo Comportamental – Uma abordagem focada e efetiva

A TCC atua identificando as emoções negativas e pesquisa quais os pensamentos que deram origem a elas.

A partir daí, identifica quais são as crenças disfuncionais que estão provocando estes pensamentos.

As intervenções são feitas principalmente nos pensamentos e comportamentos, através de uma metodologia que amplia o foco, levando o paciente a compreender o próprio processo cognitivo. Pensamentos e sentimentos são monitorados por protocolos específicos, e comportamentos diferentes são introduzidos terapeuticamente.

Desta forma as crenças disfuncionais podem ser re significadas, e a pessoa descobre como ativar seus mecanismos favoráveis de pensar e comportar, promovendo emoções positivas e transformações profundas nos processos mentais do paciente.

Quando a cadeia disfuncional é quebrada a pessoa muda seu padrão repetitivo desfavorável 

Ao se auto-conhecer, o indivíduo monitora seus ciclos psicológicos, identifica quando está distorcendo um pensamento e aprende como mudar seu estado mental.

O objetivo da Terapia Cognitivo Comportamental é ajudar o paciente a conhecer os próprios processos, e torná-lo independente para caminhar por si só. Por isso é objetiva, focada, profunda e efetiva, razão pela qual está  trazendo cada dia mais clientes aos consultórios dos psicólogos.

Equipe do Ciclo CEAP

www.cicloceap.com.br

sexta-feira, 9 de abril de 2021

CONTRIBUIÇÕES DA NEUROPSICOLOGIA

A NEUROPSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

A neuropsicologia do desenvolvimento infantil é uma disciplina que une a psicologia e a neurologia. A verdade é que, nos últimos anos, ela se desenvolveu muito, pois estamos cada vez mais conscientes de tudo que podemos fazer para melhorar a vida das gerações futuras.

Nas últimas décadas, aumentou o interesse pelos problemas de aprendizagem e desenvolvimento infantil. Assim nasceu a neuropsicologia do desenvolvimento infantil. Essa disciplina aborda a relação entre o processo de maturação do sistema nervoso central e o comportamento durante a infância. Essa disciplina da neuropsicologia coloca em um lugar de destaque a avaliação do neurodesenvolvimento na prevenção e detecção precoce de possíveis distúrbios.

Chávez (2003) afirma que, para determinar se uma criança tem problemas no seu neurodesenvolvimento, é importante conhecer a organização e o desenvolvimento normal do sistema nervoso central. Isso ocorre porque o conhecimento sobre o sistema nervoso e seu desenvolvimento é a base para a prevenção e detecção de diferentes distúrbios.

Da mesma forma, Rains (2003) refere-se a alterações no sistema nervoso e maturidade cerebral devido a causas pré, peri e pós-natais. Essas alterações, em quase todos os casos, resultam em distúrbios neuropsicológicos na infância. Além disso, se não forem detectados a tempo, podem aumentar as sequelas: é por isso que os autores enfatizam a importância da neuropsicologia do desenvolvimento infantil.

Outros autores, como Weber e Reynolds (2004), enfatizam a influência de fatores ambientais no desenvolvimento do cérebro. Assim, realizam estudos nos quais analisam a associação entre a plasticidade cerebral e os eventos traumáticos na infância. Os autores explicam que, nos Estados Unidos, das crianças que sofrem abuso anualmente (evento traumático), entre 27% e 100% desenvolvem problemas físicos, comportamentais, sociais, cognitivos ou emocionais.

O estudo da neuropsicologia do desenvolvimento infantil se concentra nos fatores de risco e possíveis distúrbios psicopatológicos e neuropsicológicos que estes podem causar em meninos e meninas.

Origem das lesões cerebrais infantis

Segundo os autores Cuervo e Ávila, a etiologia das lesões cerebrais infantis pode ser classificada de acordo com vários indicadores e com o momento em que ocorrem:

·   Pré-natal (toxoplasmose, desnutrição intrauterina, abuso intrauterino, entre outros).

·   Perinatal (hipóxia, mecônio…).

·   Pós-natal (trauma cranioencefálico, infecções, desnutrição …).

Daí a importância de um histórico médico completo na avaliação. Isso deve incluir todas as informações relacionadas às características e condições do desenvolvimento durante os primeiros anos de vida. Alguns autores classificam as principais causas de lesão cerebral de acordo com o tipo de dano em:

·   Traumáticas

·   Vasculares (hemorragia).

·   Infecciosas (meningite, toxoplasmose).

·   Metabólicas (galactosemia).

·   Neurotóxicas.

Esses autores enfatizam a importância da plasticidade cerebral e da maturidade neuropsicológica na infância para avaliar sequelas e recuperação após uma lesão.

Avaliação neuropsicológica do desenvolvimento infantil

Alguns autores afirmam que a avaliação da neuropsicologia do desenvolvimento infantil não é igual à avaliação do adulto. Isso ocorre porque a neuropsicologia do desenvolvimento tem como principal objetivo estudar o desenvolvimento das funções cognitivas e sua relação com a maturidade cerebral ao longo da vida. Por isso, a neuropsicologia do desenvolvimento infantil concentra-se em:

·   Em primeiro lugar, nas diferenças na maturidade cerebral desde o nascimento até a adolescência entre meninos e meninas.

·   Nas diferenças entre o cérebro adulto e o cérebro em desenvolvimento.

·   No padrão inverso observado no desenvolvimento da substância branca frente à substância cinza.

Maturidade neuropsicológica

A maturidade neuropsicológica é definida como o nível de organização e desenvolvimento maturacional que permite um desenvolvimento das funções cognitivas e comportamentais, de acordo com a idade cronológica da pessoa. São destacadas as mudanças durante o desenvolvimento, especialmente na infância.

Dessa forma, a avaliação e intervenção da neuropsicologia do desenvolvimento infantil devem partir de objetivos específicos, de acordo com a idade da menina ou do menino.

Avaliação do neurodesenvolvimento infantil

Na infância, a etiologia dos distúrbios neuropsicológicos pode estar localizada em dois grupos:

·   Primeiro, indivíduos com comprometimento específico do desenvolvimento maturacional.

·   Segundo, os indivíduos que, após um desenvolvimento inicial normal, sofrem um acidente patológico que deixa sequelas que alteram o desenvolvimento de maneira focal ou difusa.

Áreas que devem ser avaliadas em neuropsicologia infantil

Habilidades motoras

·   Destreza manual.

·   Orientação direita esquerda.

·   Praxias orofaciais.

·   Controle verbal de habilidades motoras.

·   Percepção.

·   Visual.

·   Auditiva.

·   Tátil.

Linguagem

·   Habilidades de linguagem oral responsivas e expressivas.

·   Aspectos psicoeducacionais.

Memória

·   Verbal e não verbal.

·   Curto e longo prazo.

Alguns testes neuropsicológicos do desenvolvimento infantil

·   Questionário de Maturidade Neuropsicológica Infantil (CUMANN).

·   Teste ENI (Avaliação Neuropsicológica Infantil).

Para concluir, fica claro que a intervenção neuropsicológica do desenvolvimento infantil deve ser global. Em sociedades como a atual, são urgentes a detecção, reabilitação e estimulação de funções que favorecem a maturidade neuropsicológica. Portanto, é importante desenvolver disciplinas como a neuropsicologia do desenvolvimento infantil, com o objetivo de proteger a saúde da criança.

 

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