PSICOPEDAGOGIA NEUROPSICOLÓGICA - ESPAÇO PARA DISCUSSÃO DE TEMAS RELATIVOS A PSICOLOGIA E PSICOPEDAGOGIA. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PSICÓLOGOS.REABILITAÇÃO COGNITIVA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA. TEMAS RELACIONADOS AO ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA, PSICOLOGIA CLÍNICA, NEUROPSICOLOGIA CLÍNICA E REABILITAÇÃO COGNITIVA - DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, SÍNDROMES DA APRENDIZAGEM - EDUCAÇÃO SEXUAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA

terça-feira, 12 de abril de 2016

A ALEGRIA DE SER AVÓ



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Pesquisadora identifica as alegrias e preocupações das mulheres que passam pela experiência de ser avó

Ser avó é um passo importante na vida de uma mulher. Em sua tese doutoral, a psicóloga Lorena Andrés analisou o processo de converter-se em avó com a participação de mulheres de três grupos socioeconômicos e culturais distintos, com netos de entre dois e dez anos, conseguindo construir um “perfil de transição para avós”, no qual se levantaram as esperanças e preocupações das avós.
A pesquisa revela que entre as mulheres mais velhas prevalece a ilusão e a alegria ao saber da notícia que serão avós, apenas se expressa certa preocupação no momento do parto, mas, em geral, a sensação de alegria se mantém. A pesquisadora indica que nos três grupos que participaram do estudo a relação com os filhos depois do nascimento dos netos manteve-se sem mudanças.
As avós assumem seu papel, com um marcado interesse em fazer que os netos “adquiram valores, desenvolvam-se como pessoas com ética, moralidade e sentido de justiça, respeito e tolerância”. Mas as avós mantêm uma visão realista do desenvolvimento da sociedade e, ao mesmo tempo, “não esperam nada” de seus netos, sabendo que atualmente o compromisso e cuidado do sistema familiar é muito débil, mas mantêm a esperança de serem lembradas como uma “figura de referência em seu desenvolvimento”.
Em geral, as pessoas que participaram do estudo indicaram que suas vidas não mudaram depois de serem avós, e sua identidade manteve-se intacta; contudo, experimentaram um maior grau de dependência da família, pois sua presença era mais requerida, convertendo-se em uma figura de experiência e referência. Mas o aumento de responsabilidades não é tido como uma sobrecarga, pois as entrevistadas manifestaram que é uma “uma carga pequena que vale a pena”, porque a experiência oferece satisfação que na maioria dos casos é qualificada como “enorme ou absoluta”, indica a pesquisadora.
A experiência positiva de ser avó reforça-se pela percepção que elas têm das crianças, pois todas coincidem ao indicar que seus netos as consideram “a melhor avó do mundo”. Ao mesmo tempo, as mulheres expressam que ser avó é “a melhor experiência do mundo”. Estas situações reforçam o bom ânimo das mulheres que se dedicam aos cuidados de seus netos, enchendo suas vidas de satisfações, alegria e ilusões.
Os estudantes da área de Gerontologia da FUNIBER procuram estratégias para ajudar a seus pacientes a gerar interações sociais e familiares que permitam às pessoas idosas melhorar seu estado de ânimo e sua qualidade de vida.
Fotografia Creative Commons: Xumet
In:http://blogs.funiber.org/pt/gerontologia/2016/02/24/a-alegria-de-ser-avo?

quarta-feira, 30 de março de 2016

A DIFERENÇA ENTRE PSIQUIATRA, PSICÓLOGO E PSICANALISTA

          Caros internautas,

           Já publiquei diversos artigos sobre esses profissionais e suas respectivas atuações no campo do comportamento humano porém, ainda existem muitas dúvidas e muita confusão quando o tema é Comportamento Humano. Resolvi publicar uma opinião escrita por um Psiquiatra o Dr. José Ricardo Pinto Silva, que no seu blog registra esse texto. Se lhe interessar, podemos abrir aqui mais um debate para que os pontos de vistas do psicólogo e do psiquiatra seja melhor esclarecidos ok? 

Obs. só para esclarecer mais uma vez:

  • Quem procura um psicólogo não é louco.
  • Quem procura um psiquiatra também não é louco.
  • Quem procura ajuda desses profissionais são pessoas cujas doenças são mentais. algumas necessitam de medicamentos (psiquiatra), outras tantas, podem ser solucionadas com psicoterapia (psicólogo).  
  • Quem recebe a ajuda do psiquiatra e faz psicoterapia é um felizardo! tem 100% de chance de solucionar e/ou controlar seus problemas mentais e continuar atuando equilibradamente na sociedade produtiva e afetiva.

                                                                              VMC


A DIFERENÇA ENTRE PSIQUIATRA, PSICÓLOGO E PSICANALISTA

3 03UTC fevereiro 03UTC 2016 - Posted by: José Ricardo Pinto Silva 
O termo “psi”, bastante utilizado pelas pessoas, muitas vezes pode ser permeado de confusão quanto aos significados, principalmente quando se refere aos profissionais indicados por este termo: psiquiatra, psicólogo ou psicanalista.
O psiquiatra é um profissional da medicina que após ter concluído sua formação, opta pela especialização em psiquiatria. Esta é realizada em 2 ou 3 anos e abrange estudos em neurologia, psicofarmacologia e treinamento específico para diferentes modalidades de atendimento, tendo por objetivo tratar as doenças mentais. Ele é apto a prescrever medicamentos, habilidade não designada ao psicólogo. Em alguns casos, a psicoterapia e o tratamento psiquiátrico devem ser aliados.
O psicólogo tem formação superior em psicologia, ciência que estuda os processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano. O curso tem duração de 4 anos para o bacharelado e licenciatura e 5 anos para obtenção do título de psicólogo. No decorrer do curso a teoria é complementada por estágios supervisionados que habilitam o psicólogo a realizar psicodiagnóstico, psicoterapia, orientação, entre outras. Pode atuar no campo da psicologia clínica, escolar, social, do trabalho, entre outras.
O profissional pode optar por um curso de formação em uma abordagem teórica, como a gestalt-terapia, a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental.
O psicanalista é o profissional que possui uma formação em psicanálise, método terapêutico criado pelo médico austríaco Sigmund Freud, que consiste na interpretação dos conteúdos inconscientes de palavras, ações e produções imaginárias de uma pessoa, baseada nas associações livres e na transferência. Segundo a instituição formadora, o psicanalista pode ter formação em diferentes áreas de ensino superior.
Por Patrícia Lopes
Equipe Brasil Escola
Publicado em http://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/psiquiatra-psicologo-psicanalista.htm



O que é a Psiquiatria?
É uma área relativamente nova da ciência médica. Nos últimos anos tem havido um grande avanço na compreensão da bioquímica cerebral das emoções e do comportamento humano. Sendo assim, a psiquiatria hoje possui um bom arsenal terapêutico, de comprovada eficácia para a grande maioria dos diagnósticos.

Quais os diagnósticos mais frequentes?
Transtornos depressivos;
Transtornos ansiosos: pânico,transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade generalizada, fobia social, outras fobias);
Transtornos afetivo bipolar;
Dependências químicas;
Déficit de atenção, com ou sem hiperatividade;
Transtornos somatoformes (hipocondria, fibromialgia, etc);
Transtornos alimentares (Bulimia, Anorexia, Compulsão alimentar);
Transtornos esquizoafetivos, Esquizofrenia e Demências.

Quais os tipos de tratamento?
À partir de uma avaliação detalhada do paciente, junto com familiares, decidimos a forma mais indicada, de acordo com diagnóstico e características pessoais. Os tratamentos mais utilizados são os farmacológicos (medicamentos) e as psicoterapias (psicanalítica, cognitiva ou comportamental), de acordo com cada caso específico.


quarta-feira, 9 de março de 2016

DISTÚRBIO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO - O que é DDA?

Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA)
Musicoterapia pode ajudar?

                                                                      By: Daniel Goleman

O DDA ocorre como resultado de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal. Quando pessoas que têm DDA tentam se concentrar, a atividade do córtex pré-frontal diminui, ao invés de aumentar (como nos sujeitos do grupo de controle de cérebros normais). Assim sendo, pessoas que sofrem de DDA mostram muitos dos sintomas discutidos nesse capítulo, como fraca supervisão interna, pequeno âmbito de atenção, distração, desorganização, hiperatividade (apesar de que só metade das pessoas com DDA sejam hiperativas), problemas de controle de impulso, dificuldade de aprender com erros passados, falta de previsão e adiamento.

O DDA tem sido de particular interesse para mim nos últimos 15 anos. A propósito, dois dos meus três filhos têm essa síndrome. Eu digo às pessoas que entendo mais de DDA do que gostaria. Através de uma pesquisa feita com SPECT na minha clínica, com imagens cerebrais e trabalho genético feito por outras, descobrimos que o DDA é basicamente uma disfunção geneticamente herdada do córtex pré-frontal, devido, em parte, a uma deficiência do neurotransmissor dopamina.

Aqui estão algumas das características comuns do DDA, que claramente ligam essa doença ao córtex pré-frontal.
Quanto mais você tenta, pior fica

A pesquisa mostrou que quanto mais as pessoas que têm DDA tentam se concentrar, pior para elas. A atividade no córtex pré-frontal, na verdade, desliga, ao invés de ligar. Quando um pai, professor, supervisor ou gerente põe mais pressão na pessoa que tem DDA, para que ela melhore seu desempenho, ela se torna menos eficiente. Muitas vezes, quando isso acontece, o pai, o professor ou chefe interpretam o ocorrido como um decréscimo de performance, ou má conduta proposital, e daí surgem problemas sérios. Um homem com DDA de quem eu tratei disse-me que sempre que seu chefe o pressionava para que fizesse um trabalho melhor, seu desempenho piorava muito, ainda que estivesse tentando melhorar. A verdade é que quase todos nós nos saímos melhor com elogios. Eu descobri que isso é essencial para pessoas com DDA. Quando o chefe as estimula a fazer melhor de modo positivo, elas se tornam mais produtiva. Quando se é pai, professor ou supervisor de alguém com DDA, funciona muito mais usar elogio e estímulo do que pressão. Pessoas com DDA saem-se melhor em ambientes que sejam altamente interessantes ou estimulantes e relativamente tranqüilos.
Pequeno âmbito de atenção

Um âmbito de atenção pequeno é a identificação desse distúrbio. Pessoas que sofrem de DDA têm dificuldade de manter a atenção e o esforço durante períodos de tempo prolongados. Sua atenção tende a vagar e freqüentemente se desligam da tarefa, pensando ou fazendo coisas diferentes da tarefa a ser realizada. Ainda assim, uma das coisas que muitas vezes enganam clínicos inexperientes ao tratar desse distúrbio é que as pessoas com DDA não têm um âmbito pequeno de atenção para tudo. Freqüentemente, pessoas que sofrem de DDA conseguem prestar muita atenção em coisas que são bonitas, novas, novidades, coisas altamente estimulantes, interessantes ou assustadoras. Essas coisas oferecem uma estimulação intrínseca suficiente a ponto de ativarem o córtex pré-frontal, de modo que a pessoa consiga focalizar e se concentrar. Uma criança com DDA pode se sair muito bem em uma situação interpessoal e desmoronar completamente em uma sala de aula com 30 crianças. Meu filho que tem DDA, por exemplo, costumava levar quatro horas para fazer um dever de casa que levaria meia hora, muitas vezes se desligando da tarefa. Mas se você lhe der uma revista sobre estéreo de carros, ele a lê rapidamente de cabo a rabo e se lembra de cada detalhe. Pessoas com DDA têm dificuldade em prestar atenção por muito tempo em assuntos longos, comuns, rotineiros e cotidianos, como lição de casa, trabalho de casa, tarefas simples ou papelada. O terreno é terrível e uma opção nada desejável para elas. Elas precisam de excitação e interesse para acionar suas funções do córtex pré-frontal.
Muitos casais adultos me dizem que, no começo de seu relacionamento, o parceiro com DDA adulto conseguia prestar atenção à outra pessoa durante horas. O estímulo de um novo amor ajudava-o a se concentrar. Mas quando a "novidade" e a excitação do relacionamento começavam a diminuir (como acontece com quase todos os relacionamentos), a pessoa com DDA tinha muito mais dificuldade em prestar atenção e sua capacidade de escutar falhava.

Distração

Como já mencionei acima, o córtex pré-frontal manda sinais inibitórios para outras áreas do cérebro, sossegando os dados advindos do meio, de modo que você possa se concentrar. Quando o córtex pré-frontal está com hipoatividade, ele não desencoraja adequadamente as partes sensoriais do cérebro e, como resultado, estímulos em demasia bombardeiam o cérebro. A distração fica evidente em muitos locais diferentes para uma pessoa com DDA. Na classe, durante reuniões, ou enquanto ouve um parceiro, a pessoa com DDA tende a perceber outras coisas que estão acontecendo e tem dificuldade em se concentrar na questão que está sendo tratada. As pessoas que têm DDA tendem a olhar pelo quarto, desligar-se, parecer aborrecidas, esquecer-se de para onde vai a conversa e interrompê-la com uma informação totalmente fora do assunto. A distração e o pequeno âmbito de atenção podem também fazer com que elas levem muito mais tempo para completar seu trabalho.

Impulsividade

A falta de controle do impulso faz com que muitas pessoas que têm DDA se metam em enrascadas. Elas podem dizer coisas inadequadas para os pais, amigos, professores, outros empregados, ou clientes. Uma vez eu tive um paciente que foi despedido de 13 empregos, porque tinha dificuldade em controlar o que dizia. Ainda que realmente quisesse manter vários dos empregos, de repente punha para fora o que estava pensando, antes de ter a oportunidade de processar o pensamento. Decisões mal pensadas são ligados à impulsividade. Em vez de pensar bem no problema, muitas pessoas que sofrem de DDA querem uma solução imediata e acabam agindo sem pensar. De modo similar, a impulsividade faz com que essas pessoas tenham dificuldade de passar pelos canais estabelecidos do trabalho. Elas freqüentemente vão direto ao topo para resolver os problemas, em vez de seguir o sistema. Isso pode causar ressentimento dos colegas e supervisores imediatos. A impulsividade pode também levar a condutas problemáticas como mentir (diz a primeira coisa que vem a cabeça), roubar, Ter casos e gastar em excesso. Eu tratei de muitas pessoas com DDA que sofriam da vergonha e da culpa oriundas desses comportamentos.

Nas minhas palestras costumo freqüentemente perguntar ao público: "Quantas pessoas aqui são casadas?". Uma grande porcentagem da platéia levanta as mãos. Depois eu pergunto: "É útil dizer tudo o que pensa em seu casamento?". O público ri, porque todos sabem a resposta. "Claro que não", eu continuo. "Os relacionamentos requerem tato." Mesmo assim, devido à impulsividade e à falta de pensar antes de agir, muitas pessoas que têm DDA dizem a primeira coisa que vem à mente. E, em vez de pedir desculpas por terem dito uma coisa que magoou, muitas tentam justificar por que fizeram a observação que magoou, só piorando as coisas. Um comentário impulsivo pode estragar uma noite agradável, um fim de semana, ou mesmo um casamento inteiro."

A busca do conflito

Muitas pessoas que sofrem de DDA inconscientemente buscam o conflito como uma maneira de estimular seu próprio córtex pré-frontal. Eles não sabem que fazem isso. Não planejaram fazer isso. Negam que fazem isso. E ainda assim o fazem. A relativa falta de atividade e estímulo do córtex pré-frontal anseia por mais atividade. Entrar em hiperatividade, desassossego, e ficar cantarolando são formas de auto-estimulação. Outro modo de as pessoas com DDA "tentarem ligar seus cérebros" é provocando confusão. Se elas conseguem que seus pais ou cônjuges tornem-se agitados ou gritem com elas, isso pode aumentar a atividade de seus lobos frontais e ajudá-las a sentirem-se mais sintonizadas. Novamente este não é um fenômeno consciente. Mas parece que muitas pessoas que têm DDA ficam viciadas em confusão.
Uma vez tratei de um homem que ficava quieto atrás de um canto de sua casa e pulava de repente para assustar sua esposa na hora em que ela fosse entrar. Ele gostava da mudança que obtinha com os gritos dela. Infelizmente para sua esposa, ela ficou com arritmia, devido aos sustos repetidos. Tratei de muitos adultos e crianças com DDA que pareciam sentir-se motivados fazendo seus animais de estimação ficar bravos, fazendo brincadeiras irritantes ou provocando-os.
Os pais de crianças com DDA comumente relatam que seus filhos são peritos em deixá-los bravos. Uma mãe me contou que, quando ela acorda de manhã, ela promete que não vai gritar nem ficar brava com seu filho de oito anos. Ainda assim, invariavelmente, na hora que ele vai para escola, já ouve pelo menos três brigas e os dois se sentem péssimos. Quando expliquei à mãe sobre a necessidade inconsciente que a criança tem de estimulação, ela parou de gritar com ele. Quando os pais param de oferecer estimulação negativa (gritos, surras, sermões, etc), diminui o comportamento negativo dessas crianças. Sempre que você se sentir como esses pais, pare e fale o mais suavemente que possa. Desse modo, você está ajudando seu filho a largar o vício de arranjar confusão e ao mesmo tempo colaborando para baixar sua própria pressão sangüínea.
Outra conduta de auto-estimulação comum em pessoas que têm DDA é se preocupar com ou se concentrar em problemas. O tumulto emocional gerado pela preocupação ou por estar aborrecido produz agentes químicos de estresse, que mantêm o cérebro ativo. Uma vez tratei de uma mulher que tinha depressão e DDA. Ela começava cada sessão me dizendo que iria se matar. Ela percebia que isso me deixava ansioso e parecia gostar de me dar os detalhes mórbidos de como o faria. Depois de conhecê-la bem, eu lhe disse: "Pare de falar em suicídio. Eu não acredito que você vá se matar. Você ama seus quatro filhos e não posso acreditar que os abandonaria. Acho que você usa essa conversa como uma maneira de criar agitação. Sem que você saiba, seu DDA faz com que você brinque de ‘Vamos criar um problema’. Isso estraga qualquer alegria que você possa Ter em sua vida". No começo, ela ficou muito zangada comigo (outra fonte de conflito, eu disse a ela), mas confiava em mim o suficiente para, no mínimo, observar seu próprio comportamento. Diminuir sua necessidade de criar caso tornou-se o foco maior da psicoterapia.
Um problema significativo do uso da raiva, tumulto emocional e emoção negativa para auto-estimulação é isso que é danoso ao sistema imunológico. Os altos níveis de adrenalina produzidos pelo comportamento direcionado ao conflito diminuem a eficácia do sistema imunológico e aumentam a vulnerabilidade à doença. Eu vi provas dessa deficiência muitas e muitas vezes, na conexão entre o DDA e infeções crônicas e na maior incidência de fibromialgia, dor muscular crônica que se considera associada à imunodeficiência.
Muitas pessoas que têm DDA tendem a se meter em brigas constantes com uma ou mais pessoas, em casa, no trabalho ou na escola. Elas parecem escolher inconscientemente pessoas que são vulneráveis e travam batalhas verbais com elas. Muitas mães de filhos com DDA me disseram que tinham vontade de fugir de casa. Elas não agüentavam o tumulto constante de suas relações com as crianças com DDA. Muitas crianças e adultos com DDA têm tendência de deixar os outros sem graça por pouca ou nenhuma razão, o que conseqüentemente faz com que suas "vítimas" se distanciem deles e isso pode resultar em isolamento social. Elas podem ser os palhaços da classe na escola, ou os espertinhos no trabalho. Witzelsucht é o termo que a literatura da neuropsiquiatria usa para caracterizar "o vício em fazer brincadeiras de mau gosto". Esse vício foi descrito inicialmente em pacientes que tinham tumores no lobo frontal, especialmente do lado direito.

Desorganização

Desorganização é outro marco importante do DDA. A desorganização inclui tanto o espaço físico, como salas, escrivaninhas, malas, gabinetes de arquivo e armários, quanto o tempo. Freqüentemente quando se olha para as áreas de trabalho de pessoas com DDA, é admirar que possam trabalhar ali. Elas tendem a Ter muitas pilhas de "coisas"; a papelada é algo que freqüentemente elas têm muita dificuldade de organizar; e parece que têm um sistema de arquivo que só elas podem entender (e mesmo assim só nos dias bons). Muitas pessoas com DDA têm atrasos crônicos ou adiam as coisas até o último momento. Eu tive vários pacientes que compraram sirenes de companhias de segurança para ajudá-los a acordar. Imagine o que deviam pensar os vizinhos! Essas pessoas também tendem a perder a noção do tempo, o que contribui para que se atrasem.

Começam muitos projetos, mas terminam poucos

A energia e o entusiasmo de pessoas com DDA muitas vezes as leva a começar muitos projetos. Infelizmente, pelo fato de serem distraídas e dado o seu pequeno âmbito de atenção, prejudicam sua capacidade de completá-los. Um gerente de uma estação de rádio me disse que ele começara cerca de 30 projetos especiais no ano anterior, mas havia completado uns poucos apenas. Ele me disse: "Estou sempre voltando para eles, mas tenho novas idéias que acabam atrapalhando". Também tratei de um professor que me disse que, no ano anterior ao que veio me consultar, ele começara 300 projetos diferentes. Sua esposa terminou seu pensamento dizendo que ele completara somente três.

Mau humor e pensamento negativo

Muitas pessoas com DDA tendem a ser mal-humoradas, irritadiças e negativas. Como o córtex pré-frontal está pouco ativo, ele não pode moderar totalmente o sistema límbico, que fica hiperativo, levando a problemas no controle do humor. De outro modo sutil, como já mencionado, muitas pessoas com DDA preocupam-se com ou ficam superconcentradas em pensamentos negativos, como uma forma de auto-estimulação. Se não conseguem arrumar confusão com os outros no meio ambiente, buscam isso dentro de si mesmas. Elas freqüentemente têm uma atitude do tipo "o mundo está acabando", o que as distancia dos outros.
Antes o DDA era considerado um distúrbio de garotos hiperativos que o superariam antes da puberdade. Sabemos agora que a maioria das pessoas que têm DDA não supera os sintomas do distúrbio e que este, freqüentemente, ocorre em meninas e mulheres. Calcula-se que o DDA afete 17 milhões de norte-americanos.

LISTA DE CHECAGEM DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL

Aqui está uma lista de checagem do córtex pré-frontal. Por favor, leia essa lista de comportamentos e classifique-se (ou à pessoas que você estiver avaliando) em cada comportamento catalogado. Use a escala e coloque o número apropriado ao lado do item. Cinco ou mais sintomas com a nota 3 ou 4 indicam grande probabilidade de problemas no córtex pré-frontal.
0 = nunca
1 = raramente
2 = ocasionalmente
3 = freqüentemente
4 = muito freqüentemente
___1. Incapacidade de prestar atenção a detalhes ou evitar erros por falta de cuidado
___2. Problema em manter a atenção em situações de rotina (dever de casa, tarefas, papelada, etc.)
___3. Dificuldade em ouvir
___4. Incapacidade de terminar coisas, seguimento insuficiente
___5. Falha na organização de tempo e espaço
___6. Distração
___7. Pouca habilidade de planejamento
___8. Falta de objetivos definidos ou de pensar no futuro
___9. Dificuldade em expressar os sentimentos
___10. Dificuldade em expressar solidariedade pelos outros
___11. Excessivo sonhar acordado
___12. Tédio
___13. Apatia ou falta de motivação
___14. Letargia
___15. Sentimento de vazio de estar "em uma neblina"
___16. Desassossego ou dificuldade de ficar parado
___17. Dificuldade de permanecer sentado em situações em que se espera que a pessoa fique sentada
___18. Busca de conflito
___19. Falar demais ou de menos
___20. Dar rápido a resposta, antes de as perguntas terem sido completadas
___21. Dificuldade em esperar sua vez
___22. Interrupção dos outros ou intromissão (por exemplo: meter-se em conversas ou jogos)
___23. Impulsividade (dizer ou fazer coisas sem pensar antes)
___24. Dificuldade de aprender pela experiência, tendência para cometer erros repetitivos.

RECEITA CPF 8:

NÃO SEJA O ESTIMULANTE DE OUTRA PESSOA

Como eu já mencionei, muitas pessoas com problemas no córtex pré-frontal tendem a procurar conflito para estimular seu cérebro. É de máxima importância que você não alimente a tormenta, mas, pelo contrário, deixe-a passar fome. Quanto mais alguém com esse padrão inadvertidamente tenta deixá-lo aborrecido ou bravo, mais você precisa ficar quieto, calmo e firme. Eu ensino os pais de filhos com DDA a deixar de gritar. Quanto mais eles gritam e aumentam a intensidade emocional na família, mais as crianças vão procurar confusão. Eu também ensino irmãos e cônjuges a manter a voz baixa e uma conduta calma. Quanto mais a pessoa com DDA tentar tumultuar a situação, menos intensa deve ser a reação do outro.
É fascinante mostrar como essas receitas funcionam. Em geral, as pessoas que buscam conflitos estão acostumadas a conseguir que você se aborreça. Elas conhecem perfeitamente todos os seus pontos emocionais frágeis, e os cutucam com regularidade. Quando você começa a negar-lhes o drama e a adrenalina (reagindo menos e de modo mais calmo em situações de estresse), essas pessoas inicialmente reagem muito negativamente, quase como se estivessem com uma crise de abstinência de droga. Na verdade, quando você fica mais calmo pela primeira vez, elas podem até tentar piorar as coisas, a curto prazo. Mantenha-se firme e elas vão melhorar a longo prazo.

·         Não grite.
·         Quanto mais a voz dela aumenta, mais sua voz deve diminuir.
·         Se você sente a situação começar a sair do controle, dê um tempo. Dizer que você precisa ir ao banheiro pode ser uma boa receita. Provavelmente a pessoa não vai tentar impedi-lo. Pode ser uma boa idéia Ter um livro grosso em mãos, caso a pessoa esteja realmente transtornada e você precise se afastar por um longo período.
·         Use de humor (mas não humor sarcástico ou bravo) para apaziguar a situação.
·         Seja um bom ouvinte.
·         Diga que você quer entender e trabalhar a situação, mas só pode fazer isso quando as coisas estiverem tranqüilas.


RECEITA CPF 10:

OBSERVE A NUTRIÇÃO DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL

A intervenção nutritiva pode ser especialmente útil nessa parte do cérebro. Durante anos recomendei uma dieta alta em proteínas e baixa em carboidratos, relativamente de pouca gordura para meus pacientes com DDA. Essa dieta tem um efeito estabilizador nos níveis de açúcar no sangue e ajuda tanto no nível de energia quanto na concentração. Infelizmente, a grande dieta norte-americana é cheia de carboidratos refinados, que tem um efeito negativo nos níveis de dopamina no cérebro e na concentração. Com ambos os pais trabalhando fora de casa, há menos tempo para preparar refeições saudáveis e refeições fast-food tornaram-se mais comuns. O café da manhã de hoje consiste tipicamente de alimentos que têm muitos carboidratos simples, como waffles congelados ou panquecas. Tortas, bolinhos, doces e cereais. A salsicha e os ovos foram deixados de lado em muitas casas, devido à falta de tempo e à idéia de que a gordura faz mal. Ainda que seja importante ser cuidadoso na ingestão de gordura, o café da manhã antigo não é uma idéia tão má para as pessoas que têm DDA ou outros estados onde a dopamina seja insuficiente.
As melhores fontes de proteína que eu recomendo são as carnes magras, ovos, queijos magros, nozes e legumes, que ficam mais equilibradas com uma porção saudável de vegetais. Um café da manhã ideal consiste de uma omelete com queijo magro e carne magra, como a de frango. Um almoço ideal consiste de atum, frango ou salada de peixe fresco, com legumes mistos. Um jantar ideal contém mais carboidratos, para equilibrar a refeição com carne magra e legumes. Eliminar açucares simples (como nos bolos, doces, sorvetes e guloseimas) e carboidratos simples, que são prontamente quebrados em açúcar (como pão, massa, arroz e batatas), terá um impacto positivo no nível de energia e aquisição de conhecimento. Essa dieta ajuda a elevar os níveis de dopamina no cérebro. É importante observar, no entanto, que essa dieta não é ideal para pessoas com problemas no cíngulo ou de concentração excessiva, que geralmente se originam de uma relativa deficiência de serotonina. Os níveis de serotonina aumenta, a dopamina tende a decrescer e vice-versa.
Suplementos nutritivos podem também surtir efeito positivo nos níveis de dopamina do cérebro e melhoram o foco e a energia. Eu freqüentemente faço meus pacientes tomar uma combinação de tirosina (500 a 1.500 miligramas duas ou três vezes ao dia); sementes de uva OPC (oligomeric procyanidius) ou casca de pinho, encontradas em lojas de produtos naturais (meio miligrama por quilo do peso do corpo); e gingko biloba (60 a 120 miligramas duas vezes ao dia). Esses suplementos ajudam a aumentar o fluxo de dopamina e o fluxo sangüíneo no cérebro e muitos dos meus pacientes relatam que eles ajudam na energia, na concentração e no controle de impulso. Se quiser tentar esses suplementos, fale com seu médico.
RECEITA CPF 11:

TENTE O FOCO MOZART

Um estudo controlado descobriu que ouvir Mozart ajudava crianças com DDA. Rosalie Rebollo Pratt e colegas estudaram 19 crianças com DDA, entre os sete e dezessete anos. Eles tocavam discos de Mozart para as crianças, três vezes por semana, durante sessões de biofeedback de ondas cerebrais. Eles colocavam o 100 Masterpieces , volume 3, que incluía o Concerto para Piano n.º 21 em dó, O Casamento de Fígaro , o Concerto para Flauta n.º 2 em lá, Don Giovanni e outros concertos e sonatas. O grupo que ouvia Mozart reduzia sua atividade de ondas cerebrais teta (ondas lentas que são freqüentemente excessivas no DDA) ao ritmo exato do compasso subjacente da música; e exibia melhora de concentração e controle de humor, diminuindo a impulsividade e aumentando a habilidade social. Entre os sujeitos que melhoraram, 70 por cento mantiveram essa melhora seis meses depois do fim do estudo e sem treinamento posterior. (Estas descobertas foram publicadas no International Journal of Arts Medicine, 1995.)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

MÍDIA X AUTOESTIMA (CONCLUSÃO)

Texto proposto em processo de psicoterapia como exercício de autoconhecimento.




YVera Maria de Carvalho - CRP 6663
Psiconeurolinguística, Psicopedagogia, Psicodiagnóstico e Reabilitação Cognitiva
Cond.Serra Dourada II conj. D comercial casa 5-  Sobradinho - DF - Fone: 349 9663

EGOÍSTA EU?
Não, apenas eu  me amo!


O amor a si mesmo como pré-condição para amar os outros.


Crescemos ouvindo de todos – pais , mestres religiosos, - que não devemos ser egoístas, querendo com isso passar a idéia de que gostar muito de nós mesmos é (ou seria) prejudicial e indesejável. As religiões, quase todas, têm como máxima e esteio fundamental do comportamento o amor ao próximo. O cristianismo, repetindo com outras palavras o que já nos ensinaram Confúcio e Buda, nos manda amar ao próximo tanto quanto a nós mesmos.
         Há, nas colocações acima, o equívoco de confundir o amor a si mesmo com o egoísmo. São, em verdade, pólos opostos de um mesmo fenômeno, guardando o egoísmo uma relação inversa com o apreço que se tenha por si mesmo, como se fossem imagens num espelho.
         Algum grau de egoísmo é obrigatório em todos nós, visto que como salientou Freud é parte essencial do instinto de auto-preservação de todas as espécies, a humana entre elas. Ou seja, ter cuidado consigo próprio, defender seus interesses legítimos, é normal e desejável. A questão é quando se extrapolam os limites dessa normalidade e se passa a ter um comportamento egoísta no sentido doentio e condenável da palavra. Como em quase todo fenômeno ligado ao comportamento humano, não é fácil estabelecer esse limite com precisão. O que caracterizaria  o egoísmo doentio e nocivo seria seu componente arbitrário, isto é, o indivíduo se julgaria ter mais direitos que os outros e, por conseguinte, não os respeitaria. E assim , achando natural e justo, dada a sua visão de vida e do mundo voltada fundamentalmente para si mesmo.
         O comportamento egoísta tem muito, mas  a ver com uma torturante sensação de insegurança e fragilidade interior. Somente aqueles interiormente fortes conseguem . De fato, ser gentis e desprendidos. O egoísmo relaciona-se diretamente com a imaturidade emocional, assemelhando-se ao comportamento de criancinha, que vê e sente o mundo como que girando ao seu redor e existindo para e em função dela.
         Nos primeiros anos de vida, somos extremamente dependentes dos outros para sobreviver. A sensação de que nossa sobrevivência  depende do meio, externo nos confere uma insegurança que exigirá , para nosso equilíbrio e bem estar, um constante reasseguramento de que os outros e o mundo estão a nossa disposição e sobre eles poderemos ter controle. Ou seja, o comportamento egoísta que  apresentamos enquanto crianças pequenas faz parte do processo normal de crescimento e amadurecimento       do ser humano.
        

A medida  que vamos crescendo, amadurecendo, nos fortalecendo e criando uma boa imagem de nós mesmos, menos importante será para nós o reforço exterior e, por conseguinte, maior será nossa independência da opinião e da influência  das outras pessoas. Estaremos nos aproximando, assim, do “espírito livre” de que nos falava Nietzche. É esse processo de libertação que constitui, de fato nosso crescimento como ser humano e configura, a rigor, o sentido da trajetória de nossa existência.
         Um indício seguro de que se alcançou a maturidade e muito provavelmente,  também a saúde e a felicidade – é quando se passa a sentir mais prazer amando que sendo amado. O inverso, portanto, do que ocorre com a criança. Não se pretende, com essa colocação, que o indivíduo amadurecido prescinda do amor. O que ocorre é que, quando se está em paz consigo mesmo, quando  o indivíduo gosta de si como de fato é, sem necessidade de máscaras, representações ou fingimento, ele é tomado de um espontâneo e natural impulso de doação e amor pelas outras pessoas e pela vida, que nada mais é, de fato, que o extravasamento para o ambiente do amor que tem por si mesmo.
         Os que atingem esse patamar de crescimento ou dele se aproximam passam a extrair genuíno prazer do amor que transmitem às outras pessoas e, sem ter premeditado, passam a vivenciar um doce ciclo vicioso onde, quanto mais  se amam e amam aos outros, mais amor recebem de volta e mais ainda ficam amando a si e aos outros...
         Esse amor por si próprio é, essencialmente, reflexo da nossa auto-estima, ou da imagem que construímos de nós mesmos. Um nível adequado e desejável de auto-estima implica respeito e admiração por si próprio e não se pode confundir com o narcisismo. Este é primo-irmão do egoísmo e resulta da mesma causa básica: a fragilidade interior e o desapego a si mesmo são tão grandes que o indivíduo sente uma compulsiva necessidade do reconhecimento externo.
         Os narcisistas, tanto quanto os egoístas, não são pessoas livres e dificilmente serão felizes, dependentes que são, vitalmente, do conceito que os outros fazem deles.
         Os estudiosos do comportamento humano identificaram algumas características comuns, em maior ou menor grau , às pessoas narcisistas. Além do próprio egoísmo, componente quase obrigatório do narcisismo, outras características costumam estar presentes:
-         Excessiva preocupação com as aparências – tanto aquelas de ordem física quanto outros atributos que se possam exibir aos demais. Ou seja, os narcisistas são vaidosos, ententida a vaidade como a preocupação maior de exibir-se e despertar admiração  em terceiros e pouca, ou nenhuma preocupação quanto ao que a pessoa acha de si mesma. Há aqui uma clara diferença entre os sexos, visto que a vaidade feminina liga-se mais à aparência física,, ao passo que a dos homens relaciona-se  preferivelmente à exibição dos sinais de poder, prestígio e riqueza. A evolução   do   padrão   cultural   nos últimos  tempos  tende,
     porém a tornar menos rígida tal diferença, mas no geral ela é ainda essencialmente verdadeira.

A vaidade é componente inerente ao comportamento humano, presente até nos que se envaidecem ao se proclamar  despidos dela. É provável que isso ocorra por sua íntima ligação com o instinto sexual ou, talvez porque a nenhum de nós seja dado escapar, incólume e sem carências, das angústias e inseguranças dos primeiros anos de vida.
O nocivo portanto, não é haver alguma vaidade, o que é normal e até desejável como expressão da auto-estima, mas os exageros a que chegam os narcisistas.
·        Inveja – talvez, o mais destrutivo de todos os subprodutos da insegurança interior e do desapego por si mesmo. Essa inveja nociva e destrutiva não é o natural desejo, que vez por outra assalta qualquer um de nós, de ter ou ser o que alguém , tem ou é.
A inveja aqui é aquela amarga sensação de desconforto e sofrimento, que invade o indivíduo quando confrontado com o sucesso alheio, ou com o que de bom possa estar ocorrendo com outra pessoa. Não importa o que o próprio indivíduo esteja obtendo, ele sempre sofrerá porque outros estão alcançando o que logrou alcançar, seja no campo material, no prestígio intelectual ou profissional, ou ainda em termos de notoriedade ou poder.
É fácil deduzir que dificilmente padecerá desse tipo de inveja alguém que esteja feliz e satisfeito com o que de fato é, mas que com o que tem. Ninguém será verdadeiramente feliz enquanto não conseguir liberar-se dos grilhões da inveja.
No caso do narcisista e dos invejosos em geral – há ainda uma inveja muito grande, e talvez fundamental, das pessoas que representam justamente o oposto: indivíduos seguros interiormente e, portanto, generosos com os outros e amados por eles. Tais indivíduos detêm o que o narcisista mais deseja e não consegue: gostar de si como é e, por extensão, conquistar a admiração e o amor das pessoas. Não é por outra razão que o narcisista se liga com freqüência a pessoas generosas e altruístas, tipos humanos que lhe despertam inveja e hostilidade, nascidas, porém, da admiração que lhes devotam. Por admirá-los o narcisista se aproxima deles e a eles tenta unir-se por casamento ou amizade. Esta é, no entanto uma ligação ambivalente e desequilibrada e, por conseguinte, dificilmente feliz e duradoura.
·        Baixa tolerância a frustração – considerando o fato de que, quem se ama pouco tolera mal as frustração e a dor e, por conseguinte, adoece mais e é infeliz. Assemelha-se nesse caso novamente às crianças: reage com mau humor e é malcriada quando sua vontade é contrariada.
Manipulam as outras pessoas, principalmente os tipos mais altruístas de quem em geral se aproximam. Tendem a se apresentar como vítimas e agir como se sua vontade fosse sempre a mais justa, embora quem vê de fora facilmente perceba que de justo seu comportamento não tem nada. Para tanto, é capaz de negar, ou distorcer, o que ele próprio antes afirmava, de tal maneira a inverter a seu favor uma situação que lhe pareça desfavorável. O narcisista é, pois, alguém totalmente descompromissado de qualquer tipo de comportamento moral em seu relacionamento com as outras pessoas. Nada consegue ver além de seu próprio e direto interesse. Sua visão do mundo e da vida é fundamentalmente pragmática. Dessa forma, nega a possibilidade da existência  de sentimentos e comportamentos mais nobres e elevados e resume a vida e a relação com as outras pessoas em uma permanente disputa por bens e/ou posições. Nessa concepção, cabe-lhe  evidentemente se esforçar por vencer, não importando muito os meios  nem o sentido dessa “vitória”.
Como conseqüência direta dessa visão pragmática da vida e do mundo, o narcisista é também um pessimista. Quem raciocina com base no concreto e no real e pouco ou nada  na imaginação e no abstrato não pode mesmo esperar nada de bom do mundo e das outras pessoas. Justifica-se, assim, a postura do “viver aqui e agora”, usufruindo, o máximo possível, os benefícios palpáveis da vida: o consumo, a aparência física, o sexo, “coisificado”, as festas, as viagens.
         É interessante lembrar que, as viagens do narcisista não têm como objetivo conhecer novos povos, lugares, e costumes mais sim, exibi-las como mais um símbolo de status e de “sucesso”. A mesma finalidade, aliás, que confere a tudo o que na vida aspira.
         Diante disso tudo, espero tê-lo convencido de que gostar de si mesmo não é defeito: é qualidade e não tem nada a ver com o egoísmo; o narcisismo e o não gostar dos outros, muito pelo contrário, é justamente a impossibilidade de amar a nós mesmos que nos torna incapazes, na mesma proporção, de amar ou outros.

AS RAZÕES DO DESAMOR A SI MESMO

Veja a si mesmo no espelho do seu coração. Se alguém me chama atenção por alguma coisa eu deveria ouvir essa pessoa. Mesmo que alguém aponte um erro meu, eu deveria aceitar isso com amor. Quando há arrogância sutil eu não consigo limpar o espelho. Se alguém lhe der um sinal, aprenda a aceitá-lo. Se alguém lhe corrigir diga: obrigado por me fazer ver o erro e por favor corrija-me quando eu estiver errado.
Brahma Kumaris

        Como sabemos o recém-nascido da espécie humana é, com certeza, o mais frágil rebento da natureza. Essa percepção, que possivelmente o recém-nato logo tem, de sua fragilidade e dependência das outras pessoas, cria-lhe uma imperiosa necessidade de ser protegido, amado, e de sentir-se seguro. Cria a necessidade vital de amor e aconchego que acompanha a todos nós por toda a vida.
         Com base na psicanálise – e o raciocínio lógico tende a aceitar como verdadeiro – o simples ato do nascimento já seria por si só extremamente traumático e ameaçador. A expulsão do aconchego, do calor e da proteção do útero seria uma experiência extremamente desagradável e jamais de todo esquecida, ao menos no plano inconsciente.
      
 Vivemos pois, todos, inconscientemente desejosos de retomar à paz e ao aconchego que antecederia à vida e isso explicaria, ao menos em parte, o desejo inconsciente de morte (tânatos), ao qual se oporia o instinto da vida (eros). A existência desse conflito fundamental, presente em todos nós, já evidencia de antemão a dificuldade que é viver em paz. E realço mais uma vez a importância do amor como reforço do “time” que, dentro de nós, luta pela vida.
O nascimento, além de ser a primeira e talvez a mais importante “crise” que vivenciamos, não é infelizmente a única. Logo por volta do 8º mês, sobrevém o que a psicanálise chama de “angústia de separação”, (o desmame), ou seja ao trauma gerado por essa nem sempre bem resolvida dissociação da figura materna somar-se-á, nos anos imediatamente subsequentes, uma outra fonte de sofrimento, que Horney denominou “angústia básica” . Essa angústia decorre da inadequação do relacionamento que os adultos que cercam a criança mantêm com ela.
         Nesse sentido, há toda uma constelação de circunstâncias que provocam na criança uma grande sensação de insegurança e desamparo e uma percepção do mundo como um ambiente hostil, de que se encontra isolada e à parte e ao qual deve enfrentar. As circunstâncias adversas geradoras dessa angústia podem  se resumir: os adultos que convivem com a criança – em especial seus pais – em decorrência de suas próprias neuroses e desvios de comportamento, são incapazes de amá-la de fato ou principalmente de respeita-la como ser à parte que é. Em decorrência, assumem em relação à criança um ou mais dos seguintes comportamentos: ou são dominadores, excessivamente protetores, intimidadores, irritáveis, exigentes em excesso, ou então demasiadamente indulgentes, distraídos, propensos a manifestar preferências por outro (s) irmão (s), indiferentes ou, ainda, hipócritas. Seja em qual ou quais desses comportamento nocivos incorram, a essência é sua incapacidade de amar a criança.
        Portanto, para fazer face a essa angústia de separação, a criança reage idealizando um outro “eu”, absolutamente perfeito a seus olhos e inteiramente diferente do que de fato é seu “eu” real. De forma simples, o raciocínio (inconsciente) é o seguinte: “ se como eu de fato sou não sou amado, é porque não presto e não mereço ser amado: então serei diferente para poder ser amado”.
         A partir desse instante, a vida psíquica desse indivíduo passará a ser uma luta constante entre seu “eu” real – o que de fato é – e seu “eu” idealizado – aquilo que pensa que é e gostaria de ser. Seu desenvolvimento deixará de seguir na direção sadia, de cada vez maior aceitação e bem querer por si mesmo (seu “eu” real) e passará a constatar-se na construção do “eu” fictício que idealizou: perfeito, grandioso, superior. Em comparação a esse ser tão perfeito, o eu real do indivíduo assemelha-se a algo feio, desagradável, mau e detestável.
        Se além dessa visão depreciativa de si mesmo, considerarmos que o “eu” real estará constantemente atrapalhando a construção do ser ideal de seus sonhos de grandeza, é compreensível que o indivíduo se veja como inimigo de si mesmo e, em consequência, tente se destruir, desprezando e odiando a si próprio. Assim sendo, a angústia e a insegurança da criança diante de um mundo percebido como hostil e mau terão conseqüências variadas, destacam-se entre elas a conturbação que geram em suas relações com outras pessoas, razão básica, de todo o conflito.  A primeira dessas conseqüências é a impossibilidade , diante da qual o indivíduo se vê, de ser  ele mesmo. Não podendo ser espontâneo com as pessoas, busca a criança outros meios de lidar com elas. Os caminhos que escolherá dependerão tanto de sua estrutura psíquica inclusive o componente genético como das condições propiciadas  pelo ambiente em que vive.
         Três seriam os caminhos possíveis: enfrentar os outros aproximar-se deles ou fugir deles. Na criança com desenvolvimento normal, a situação também se apresenta dessa forma, mas tais alternativas não se excluem mutuamente e permitem a criança “sadia” o aprendizado de lutar e retrair-se, amar e ceder, essencial para o adequado convívio com os demais. Na criança que não se sente amada e segura essas formas de reação não só se deformam como se desequilibram, com nítido, ou as vezes exclusivo, predomínio de uma delas.
      Uma das principais conseqüências dessa distorção no desenvolvimento é a impossibilidade de a pessoa desenvolver uma verdadeira confiança em si própria. Suas forças interiores enfraquecem, pelo desgastante conflito da personalidade permanentemente dividida ( eu real e eu idealizado) e por estar continuamente na defensiva. “necessita desesperadamente de confiança em si própria ou de um substituto para ela”.
        É fácil então compreender o brotar da compulsão de erguer-se acima dos outros e lutar contra eles. A exteriorização mais clara desse caminho (enfrentar os outros e obter sobre eles um triunfo vingador”) é a luta que passa a desenvolver para a “conquista da glória”. Entenda-se  a busca da glória como a compulsão de obter vitórias no mundo exterior que ratifiquem a imagem idealizado do “eu”. O subproduto (s) desse contexto vêm a ser a ambição neurótica, a inveja, a vaidade e a competição exacerbada, compondo a personalidade “narcisista” .
      Por esse caminho estimulado pelo padrão cultural reinante, é ele obviamente o escolhido pela maior parte das pessoas inseguras, frágeis e que no íntimo desprezam a si mesmas, e que são a grande maioria dos mortais. Na busca desesperada pela glória – geralmente dinheiro, prestígio e poder – a maior parte das pessoas dispõe-se a fazer qualquer tipo de sacrifício. Abrem mão do lazer e do convívio com a família, matam-se de trabalhar, sacrificam suas convicções, violam a ética, fraudam a lei – quando não descambam para a criminalidade pura e simples.
      Apesar do tantos que se empenham, poucos são os que se fato, conseguem alcançar o que buscam. A maioria, fica estagnada carregando penosamente ao longo da existência o peso da frustração e do fracasso. A agressividade oriunda desse sofrimento atinge os outros mas volta-se sobretudo e inconscientemente, contra ele mesmo.
  
 Por uma triste ironia, ou sorte  a minoria que de fato alcança a glória (em qualquer uma ou em todas, as três modalidades: (riqueza, prestígio, poder). A busca pelo “sucesso”, nessas pessoas, é compulsiva e incessante. O objetivo nunca é de fato alcançado, comportando-se como a miragem do oásis para o viajante do deserto: desfaz-se  quando se pensa tê-la alcançado. O narcisista é emocionalmente uma criança e como tal, está sempre  à cata de um brinquedo novo, pois o que acaba de receber já não lhe serve, tão logo passe o sabor da novidade.     
      Ao olhos dos outros, os que luta, - e conseguem alcançar a fortuna, o poder, a fama alcançaram o que todos querem e deveriam sentir-se felizes. Na grande maioria, se não provavelmente na totalidade dos casos as coisas não são assim. Alcançado esse tipo de glória, mergulha o indivíduo no tédio, no vazio existencial, na hipocondria, na sensação de
inutilidade, na infelicidade. Isso para não falar no mal adicional, externo e interno, que lhe possa advir dos meios de que lançou mão para chegar à glória.
     É óbvio que a criança  que escolhe esse caminho, tenha ou não êxito na busca da glória e do “triunfo vingador” quando adulto, não alcançará a paz e não conseguirá de fato amar as outras pessoas. Verá os outro sempre como rivais e competidores, inimigos reais ou potenciais, a quem deve vencer ou exibir os adereços da sua vitória.
     Em outro caminho menos comum porque menos incentivado na nossa cultura, de que pode lançar mão  o indivíduo  para fazer face a sua angústia básica, é o da aproximação/submissão às outras pessoas. Constitui-se no que Horney chama a “solução auto-anuladora”. Embora idêntico seja o conflito básico, diametralmente oposto é o caminho escolhido em relação ao tipo anterior.
      Enquanto aquele glorifica e cultiva em si mesmo tudo o que signifique domínio e superioridade sobre os outros, e abomine cabalmente qualquer sinal ou manifestação que possa ser indício de fraqueza e/ou inferioridade, o segundo não concebe, sob nenhuma hipótese, sentir-se superior as outras pessoas. Muito pelo contrário, sua compulsão é por pacificá-los. O que mais busca na vida é o amor e a proteção das outras pessoas. Não sabe dar ordens , não consegue lutar por seus direitos. Sente-se agora em nível consciente, desprezível e inferior, não merecedor do respeito e da consideração dos outros. Ao contrário do outro tipo, que em nível consciente sente-se superior (embora cultive inconscientemente o mesmo autodesprezo) e que busca desesperadamente a glória e triunfo, este outro, o da solução auto-anuladora, foge do triunfo como o diabo da cruz.
      Detesta o sucesso e a luz dos holofotes e, quando, mesmo sem desejar, os alcança trata compulsivamente de diminuir os próprios méritos. Paradoxal e incompreensivelmente (para os que não conhecem a essência de seu conflito e a solução que adotou), sua angústia e insegurança tendem a crescer na mesma proporção em que cresçam seus êxitos. Não conseguem defender e manter seus pontos da vista, mudando de opinião e  posições ao sabor das de outras  pessoas, da mesma forma que  a biruta fica ao sabor do vento nos aeroportos.
      A mesma dificuldade que tem de lidar com o triunfo estende-se também ao dinheiro. Tem por norma satisfazer-se com pouco e não aceita ampliar seus limites. Não se acha merecedor da riqueza que porventura obtenha e sente-se culpado ao alcança-la. Tal sentimento de culpa é ainda maior se gastar dinheiro consigo mesmo, embora possa comportar-se  de maneira bastante perdulária em relação ás outras. Em suma é alguém que não se acha merecedor de nada de bom para si e age de acordo com esse sentimento. Tem um medo pavoroso da hostilidade das outras pessoas e detesta a idéia de brigar ou até de discordar delas. Prefere sempre, ceder e perdoar, por mais que objetiva  e claramente, a razão esteja consigo.
     A primeira vista se poderia pensar que tal indivíduo assim auto-anulado teria encontrado uma solução melhor que o primeiro para seu conflito íntimo. Ledo engano, porém, também aqui, já um “eu” idealizado, diferente do “eu” real. No “eu” real do indivíduo há também , tanto quanto no outro, agressividade, orgulho e vaidade. Porém o “eu” que idealiza é o de um santo: altruísta, bom , humilde, nobre, generoso e pleno de amor e capacidade de doação pelas pessoas. Também aqui há uma personalidade dividida. Há conflito mesmo. Na relação com as outras pessoas, esse tipo que se anula faz o papel do coitadinho: todos usam e abusam
dele, ninguém talvez o hostilize, mas ninguém igualmente o ama de fato. Ele, na verdade, também não ama. Toda dedicação, docilidade, solicitude e humildade com relação às outras pessoas tem um único e central objetivo: granjear-lhes a afeição e o amor.
        O terceiro caminho possível é o do afastamento das outras pessoas. O indivíduo desiste da luta, retira-se do campo de batalha, age como se pouco se importasse com os outros e com o mundo. Vive em um estado de “resignação” perante as mazelas do mundo e as suas próprias. Dos três caminhos citados, este parece ser o menos nocivo e o que mais habilita o indivíduo a aproximar-se de uma simulação de paz interior. A paz, no entanto, já se disse, não é apenas a ausência de guerras. É bem mais eu isso.
        A paz que o indivíduo alcança com o caminho da resignação e tão-somente o livrar-se do conflito. É útil mais não é o bastante. O preço que paga por isso é, na verdade, o da renúncia à própria vida. Renúncia às emoções, renúncia ao crescimento e desenvolvimento interior, renúncia ao amor. Destaque-se que esse tipo de comportamento tem dentro de certos limites, aspectos construtivos e desejáveis.
       São vários os casos de pessoas que reconheceram a futilidade intrínseca da ambição e do sucesso, que se amenizarem por esperar menos e que se tornaram mais sábias, justamente por renunciar à competição e ao supérfulo”. Isso ocorre com freqüência, em idosos ou mesmo pessoas não tão idosas que por doença grave ou acidente, viram ou vêem  a morte próxima. Ocorre também em pessoas que aderem de fato à vida religiosa e que renunciam à vontade própria, à vida sexual, aos bens materiais, a tudo que de transitório tem a vida, com vistas a aproximar-se de Deus, ganhar a vida eterna ou até para desenvolver a espiritualidade latente de todo o ser humano.
      Esse tipo de reavaliação dos valores da vida é até certo ponto construtivo e desejável, mas só até certo ponto. É diferente a busca da elevação espiritual como fim em si próprio – por acreditar-se na sua importância  - da fuga dos conflitos por falta de coragem e disposição para enfrentá-los.
     A pessoa que, de forma neurótica , exagera no caminho do afastamento dos outros e do mundo encolhe-se , tolhe seu próprio desenvolvimento como ser humano. Nada realiza, nada cria, nada espera, nada sonha. Não vive. Transforma-se em um espectador de sua própria vida. Uma vida sem lutas, sem grandes sofrimentos, sem grandes emoções, mas também insípida e sem interesse.
       Não creio que esse seja um caminho desejável, por mais tranqüilo que possa parecer. a também aqui não é o amor vivenciado, até  porque, na realidade, esse tipo  é uma mistura dos outros dois anteriores, ora predominando uma tendência, outra oura a outra , mas sempre longe do amor genuíno e sempre também dividido. Esse indivíduo vive uma paz armada. Pode ser que sofra menos, mas tem também menos coisas boas para  viver e não sei se, no limite, será menos infeliz que os outros dois.

AFINAL....QUAL A SAÍDA?

        Nesta altura do campeonato você deve estar pensando: “então não há saída; somos todos neuróticos e infelizes”. A rigor, não está  muito longe da verdade. A felicidade, não seria possível ao ser humano (Freud). Quem nos criou,  não teria tido a intenção de ver-nos felizes. Ao menos aqui na terra.
      Calma! Não se desanime! Por difícil que seja sua conquista, a felicidade não é impossível, desde que não se pretenda entendê-la como total ausência de sofrimento. Isso, de fato me parece impossível, e não creio que ninguém, em nenhuma época, tenha alcançado tal estado ou venha a alcança-lo no futuro. Até porque acho que seria provavelmente muito sem graça, esse permanente estado de paz absoluta.
      O que se chama de felicidade e, que creio possível, embora talvez não muito fácil – é o estado de paz interior que nos permita “viver agradavelmente” e ter gosto pela vida. Somente quando alcançamos esse estado – ou dele nos aproximamos – é que nos tornamos capazes de fato, de amar as outras pessoas. É um amor não programado não intencional. O que quero dizer com isso é, em primeiro lugar, que a pessoa não decide amar os outros e passa a agir deliberadamente nesse sentido.
       Não. Não é por aí. O que ocorre é uma natural e espontânea empatia e tolerância para com as pessoas. Muito importante: essa empatia é difusa, isto é, atinge a todos indistintamente, e até aqueles que podem se afigurar, aos que olham de fora como inimigos e adversários. Implica uma grande capacidade de perdoar e compreender a razão de ser e de agir das outras pessoas e uma não menor – ou total – incapacidade de guardar ódio ou rancor de quem quer que seja. Ficam felizes e se sentem bem simplesmente transmitindo amor as outras pessoas. E por isso são amados.
        Alcançar tal estado depende basicamente de nosso desenvolvimento como ser humanos e decorre da boa aceitação de nós mesmos. É, pois, diretamente proporcional à nossa integridade interior, entendida na acepção genuína da palavra, ou seja, no sentido de ser uma pessoa inteira (íntegra) não dividida entre um “eu real” e outro idealizado. A construção dessa integridade tem seus alicerces fincados já nos primeiros meses de vida, e sua estrutura certamente já estará completa por volta dos 6 ou 7 anos. A solidez da construção dependerá, da qualidade da relação que, nessa fase da vida mantivermos com nossos pais ou com quem lhes façam as vezes.
      O reconhecimento da decisiva importância desses primeiros anos não significa que, estando ali traçada nossa capacidade de amar e ser feliz, nada mais possa ser feito muito pelo contrário. Acredito piamente que o crescimento e o autoconhecimento interior podem levar – e certamente levam – a um grau de auto-aceitação e auto-estima capazes de restabelecer a perdida capacidade de amar aos outros, à vida e, fundamentalmente, a nós mesmos.
        
In: SILVA, Dr. Marco Aurélio Dias da.,Quem ama não adoece, o papel das emoções
                                                                     na prevenção e cura das doenças, 25º S.P., ed. Best Seller,2001

1.Qual a sua opinião sobre este texto?
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2. Você se identificou com umas das três personalidades descritas? Qual? Justifique;________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
3. Quais dessas características você gostaria de modificar?
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