PSICOPEDAGOGIA NEUROPSICOLÓGICA - ESPAÇO PARA DISCUSSÃO DE TEMAS RELATIVOS A PSICOLOGIA E PSICOPEDAGOGIA. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PSICÓLOGOS.REABILITAÇÃO COGNITIVA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA. TEMAS RELACIONADOS AO ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA, PSICOLOGIA CLÍNICA, NEUROPSICOLOGIA CLÍNICA E REABILITAÇÃO COGNITIVA - DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, SÍNDROMES DA APRENDIZAGEM - EDUCAÇÃO SEXUAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA
sábado, 7 de maio de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
A ALEGRIA DE SER AVÓ
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Pesquisadora identifica as alegrias e preocupações das mulheres que passam pela experiência de ser avó
Ser avó é um passo importante na vida de uma mulher. Em sua tese doutoral, a psicóloga Lorena Andrés analisou o processo de converter-se em avó com a participação de mulheres de três grupos socioeconômicos e culturais distintos, com netos de entre dois e dez anos, conseguindo construir um “perfil de transição para avós”, no qual se levantaram as esperanças e preocupações das avós.
A pesquisa revela que entre as mulheres mais velhas prevalece a ilusão e a alegria ao saber da notícia que serão avós, apenas se expressa certa preocupação no momento do parto, mas, em geral, a sensação de alegria se mantém. A pesquisadora indica que nos três grupos que participaram do estudo a relação com os filhos depois do nascimento dos netos manteve-se sem mudanças.
As avós assumem seu papel, com um marcado interesse em fazer que os netos “adquiram valores, desenvolvam-se como pessoas com ética, moralidade e sentido de justiça, respeito e tolerância”. Mas as avós mantêm uma visão realista do desenvolvimento da sociedade e, ao mesmo tempo, “não esperam nada” de seus netos, sabendo que atualmente o compromisso e cuidado do sistema familiar é muito débil, mas mantêm a esperança de serem lembradas como uma “figura de referência em seu desenvolvimento”.
Em geral, as pessoas que participaram do estudo indicaram que suas vidas não mudaram depois de serem avós, e sua identidade manteve-se intacta; contudo, experimentaram um maior grau de dependência da família, pois sua presença era mais requerida, convertendo-se em uma figura de experiência e referência. Mas o aumento de responsabilidades não é tido como uma sobrecarga, pois as entrevistadas manifestaram que é uma “uma carga pequena que vale a pena”, porque a experiência oferece satisfação que na maioria dos casos é qualificada como “enorme ou absoluta”, indica a pesquisadora.
A experiência positiva de ser avó reforça-se pela percepção que elas têm das crianças, pois todas coincidem ao indicar que seus netos as consideram “a melhor avó do mundo”. Ao mesmo tempo, as mulheres expressam que ser avó é “a melhor experiência do mundo”. Estas situações reforçam o bom ânimo das mulheres que se dedicam aos cuidados de seus netos, enchendo suas vidas de satisfações, alegria e ilusões.
Os estudantes da área de Gerontologia da FUNIBER procuram estratégias para ajudar a seus pacientes a gerar interações sociais e familiares que permitam às pessoas idosas melhorar seu estado de ânimo e sua qualidade de vida.
Fonte: http://fnbr.es/2ax
Fotografia Creative Commons: Xumet
In:http://blogs.funiber.org/pt/gerontologia/2016/02/24/a-alegria-de-ser-avo?
quarta-feira, 30 de março de 2016
A DIFERENÇA ENTRE PSIQUIATRA, PSICÓLOGO E PSICANALISTA
Caros internautas,
Já publiquei diversos artigos sobre esses profissionais e suas respectivas atuações no campo do comportamento humano porém, ainda existem muitas dúvidas e muita confusão quando o tema é Comportamento Humano. Resolvi publicar uma opinião escrita por um Psiquiatra o Dr. José Ricardo Pinto Silva, que no seu blog registra esse texto. Se lhe interessar, podemos abrir aqui mais um debate para que os pontos de vistas do psicólogo e do psiquiatra seja melhor esclarecidos ok?
Obs. só para esclarecer mais uma vez:
- Quem procura um psicólogo não é louco.
- Quem procura um psiquiatra também não é louco.
- Quem procura ajuda desses profissionais são pessoas cujas doenças são mentais. algumas necessitam de medicamentos (psiquiatra), outras tantas, podem ser solucionadas com psicoterapia (psicólogo).
- Quem recebe a ajuda do psiquiatra e faz psicoterapia é um felizardo! tem 100% de chance de solucionar e/ou controlar seus problemas mentais e continuar atuando equilibradamente na sociedade produtiva e afetiva.
VMC
A DIFERENÇA ENTRE PSIQUIATRA, PSICÓLOGO E PSICANALISTA
3 03UTC fevereiro 03UTC 2016 - Posted
by: José Ricardo Pinto Silva
O
termo “psi”, bastante utilizado pelas pessoas, muitas vezes pode ser permeado
de confusão quanto aos significados, principalmente quando se refere aos
profissionais indicados por este termo: psiquiatra, psicólogo ou psicanalista.
O
psiquiatra é um profissional da medicina que após ter concluído sua formação,
opta pela especialização em psiquiatria. Esta é realizada em 2 ou 3 anos e
abrange estudos em neurologia, psicofarmacologia e treinamento específico para
diferentes modalidades de atendimento, tendo por objetivo tratar as doenças
mentais. Ele é apto a prescrever medicamentos, habilidade não designada ao
psicólogo. Em alguns casos, a psicoterapia e o tratamento psiquiátrico devem
ser aliados.
O
psicólogo tem formação superior em psicologia, ciência que estuda os processos
mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano. O curso tem
duração de 4 anos para o bacharelado e licenciatura e 5 anos para obtenção do título
de psicólogo. No decorrer do curso a teoria é complementada por estágios
supervisionados que habilitam o psicólogo a realizar psicodiagnóstico,
psicoterapia, orientação, entre outras. Pode atuar no campo da psicologia
clínica, escolar, social, do trabalho, entre outras.
O
profissional pode optar por um curso de formação em uma abordagem teórica, como
a gestalt-terapia, a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental.
O
psicanalista é o profissional que possui uma formação em psicanálise, método
terapêutico criado pelo médico austríaco Sigmund Freud, que consiste na
interpretação dos conteúdos inconscientes de palavras, ações e produções
imaginárias de uma pessoa, baseada nas associações livres e na transferência.
Segundo a instituição formadora, o psicanalista pode ter formação em diferentes
áreas de ensino superior.
Por
Patrícia Lopes
Equipe Brasil Escola
Equipe Brasil Escola
Publicado
em http://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/psiquiatra-psicologo-psicanalista.htm
O que é a Psiquiatria?
É uma área relativamente nova da ciência médica. Nos últimos anos tem havido um grande avanço na compreensão da bioquímica cerebral das emoções e do comportamento humano. Sendo assim, a psiquiatria hoje possui um bom arsenal terapêutico, de comprovada eficácia para a grande maioria dos diagnósticos.
É uma área relativamente nova da ciência médica. Nos últimos anos tem havido um grande avanço na compreensão da bioquímica cerebral das emoções e do comportamento humano. Sendo assim, a psiquiatria hoje possui um bom arsenal terapêutico, de comprovada eficácia para a grande maioria dos diagnósticos.
Quais os diagnósticos mais
frequentes?
Transtornos depressivos;
Transtornos ansiosos: pânico,transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade generalizada, fobia social, outras fobias);
Transtornos afetivo bipolar;
Dependências químicas;
Déficit de atenção, com ou sem hiperatividade;
Transtornos somatoformes (hipocondria, fibromialgia, etc);
Transtornos alimentares (Bulimia, Anorexia, Compulsão alimentar);
Transtornos esquizoafetivos, Esquizofrenia e Demências.
Transtornos depressivos;
Transtornos ansiosos: pânico,transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade generalizada, fobia social, outras fobias);
Transtornos afetivo bipolar;
Dependências químicas;
Déficit de atenção, com ou sem hiperatividade;
Transtornos somatoformes (hipocondria, fibromialgia, etc);
Transtornos alimentares (Bulimia, Anorexia, Compulsão alimentar);
Transtornos esquizoafetivos, Esquizofrenia e Demências.
Quais os tipos de tratamento?
À partir de uma avaliação detalhada do paciente, junto com familiares, decidimos a forma mais indicada, de acordo com diagnóstico e características pessoais. Os tratamentos mais utilizados são os farmacológicos (medicamentos) e as psicoterapias (psicanalítica, cognitiva ou comportamental), de acordo com cada caso específico.
À partir de uma avaliação detalhada do paciente, junto com familiares, decidimos a forma mais indicada, de acordo com diagnóstico e características pessoais. Os tratamentos mais utilizados são os farmacológicos (medicamentos) e as psicoterapias (psicanalítica, cognitiva ou comportamental), de acordo com cada caso específico.
quarta-feira, 9 de março de 2016
DISTÚRBIO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO - O que é DDA?
Distúrbio de Déficit de
Atenção (DDA)
Musicoterapia pode ajudar?
By: Daniel Goleman
O DDA ocorre como
resultado de uma disfunção neurológica no córtex pré-frontal. Quando pessoas
que têm DDA tentam se concentrar, a atividade do córtex pré-frontal diminui, ao
invés de aumentar (como nos sujeitos do grupo de controle de cérebros normais).
Assim sendo, pessoas que sofrem de DDA mostram muitos dos sintomas discutidos
nesse capítulo, como fraca supervisão interna, pequeno âmbito de atenção,
distração, desorganização, hiperatividade (apesar de que só metade das pessoas
com DDA sejam hiperativas), problemas de controle de impulso, dificuldade de
aprender com erros passados, falta de previsão e adiamento.
O DDA tem sido de
particular interesse para mim nos últimos 15 anos. A propósito, dois dos meus
três filhos têm essa síndrome. Eu digo às pessoas que entendo mais de DDA do
que gostaria. Através de uma pesquisa feita com SPECT na minha clínica, com
imagens cerebrais e trabalho genético feito por outras, descobrimos que o DDA é
basicamente uma disfunção geneticamente herdada do córtex pré-frontal, devido,
em parte, a uma deficiência do neurotransmissor dopamina.
Aqui estão
algumas das características comuns do DDA, que claramente ligam essa doença ao
córtex pré-frontal.
Quanto mais você
tenta, pior fica
A pesquisa
mostrou que quanto mais as pessoas que têm DDA tentam se concentrar, pior para
elas. A atividade no córtex pré-frontal, na verdade, desliga, ao invés de
ligar. Quando um pai, professor, supervisor ou gerente põe mais pressão na
pessoa que tem DDA, para que ela melhore seu desempenho, ela se torna menos
eficiente. Muitas vezes, quando isso acontece, o pai, o professor ou chefe
interpretam o ocorrido como um decréscimo de performance, ou má conduta
proposital, e daí surgem problemas sérios. Um homem com DDA de quem eu tratei
disse-me que sempre que seu chefe o pressionava para que fizesse um trabalho
melhor, seu desempenho piorava muito, ainda que estivesse tentando melhorar. A
verdade é que quase todos nós nos saímos melhor com elogios. Eu descobri que isso
é essencial para pessoas com DDA. Quando o chefe as estimula a fazer melhor de
modo positivo, elas se tornam mais produtiva. Quando se é pai, professor ou
supervisor de alguém com DDA, funciona muito mais usar elogio e estímulo do que
pressão. Pessoas com DDA saem-se melhor em ambientes que sejam altamente
interessantes ou estimulantes e relativamente tranqüilos.
Pequeno âmbito de
atenção
Um âmbito de
atenção pequeno é a identificação desse distúrbio. Pessoas que sofrem de DDA
têm dificuldade de manter a atenção e o esforço durante períodos de tempo
prolongados. Sua atenção tende a vagar e freqüentemente se desligam da tarefa,
pensando ou fazendo coisas diferentes da tarefa a ser realizada. Ainda assim,
uma das coisas que muitas vezes enganam clínicos inexperientes ao tratar desse
distúrbio é que as pessoas com DDA não têm um âmbito pequeno de atenção para
tudo. Freqüentemente, pessoas que sofrem de DDA conseguem prestar muita atenção
em coisas que são bonitas, novas, novidades, coisas altamente estimulantes,
interessantes ou assustadoras. Essas coisas oferecem uma estimulação intrínseca
suficiente a ponto de ativarem o córtex pré-frontal, de modo que a pessoa
consiga focalizar e se concentrar. Uma criança com DDA pode se sair muito bem
em uma situação interpessoal e desmoronar completamente em uma sala de aula com
30 crianças. Meu filho que tem DDA, por exemplo, costumava levar quatro horas
para fazer um dever de casa que levaria meia hora, muitas vezes se desligando
da tarefa. Mas se você lhe der uma revista sobre estéreo de carros, ele a lê
rapidamente de cabo a rabo e se lembra de cada detalhe. Pessoas com DDA têm
dificuldade em prestar atenção por muito tempo em assuntos longos, comuns,
rotineiros e cotidianos, como lição de casa, trabalho de casa, tarefas simples
ou papelada. O terreno é terrível e uma opção nada desejável para elas. Elas
precisam de excitação e interesse para acionar suas funções do córtex
pré-frontal.
Muitos casais
adultos me dizem que, no começo de seu relacionamento, o parceiro com DDA
adulto conseguia prestar atenção à outra pessoa durante horas. O estímulo de um
novo amor ajudava-o a se concentrar. Mas quando a "novidade" e a
excitação do relacionamento começavam a diminuir (como acontece com quase todos
os relacionamentos), a pessoa com DDA tinha muito mais dificuldade em prestar
atenção e sua capacidade de escutar falhava.
Distração
Como já mencionei
acima, o córtex pré-frontal manda sinais inibitórios para outras áreas do
cérebro, sossegando os dados advindos do meio, de modo que você possa se
concentrar. Quando o córtex pré-frontal está com hipoatividade, ele não
desencoraja adequadamente as partes sensoriais do cérebro e, como resultado,
estímulos em demasia bombardeiam o cérebro. A distração fica evidente em muitos
locais diferentes para uma pessoa com DDA. Na classe, durante reuniões, ou
enquanto ouve um parceiro, a pessoa com DDA tende a perceber outras coisas que
estão acontecendo e tem dificuldade em se concentrar na questão que está sendo
tratada. As pessoas que têm DDA tendem a olhar pelo quarto, desligar-se,
parecer aborrecidas, esquecer-se de para onde vai a conversa e interrompê-la
com uma informação totalmente fora do assunto. A distração e o pequeno âmbito
de atenção podem também fazer com que elas levem muito mais tempo para
completar seu trabalho.
Impulsividade
A falta de
controle do impulso faz com que muitas pessoas que têm DDA se metam em
enrascadas. Elas podem dizer coisas inadequadas para os pais, amigos,
professores, outros empregados, ou clientes. Uma vez eu tive um paciente que
foi despedido de 13 empregos, porque tinha dificuldade em controlar o que
dizia. Ainda que realmente quisesse manter vários dos empregos, de repente
punha para fora o que estava pensando, antes de ter a oportunidade de processar
o pensamento. Decisões mal pensadas são ligados à impulsividade. Em vez de
pensar bem no problema, muitas pessoas que sofrem de DDA querem uma solução
imediata e acabam agindo sem pensar. De modo similar, a impulsividade faz com
que essas pessoas tenham dificuldade de passar pelos canais estabelecidos do
trabalho. Elas freqüentemente vão direto ao topo para resolver os problemas, em
vez de seguir o sistema. Isso pode causar ressentimento dos colegas e
supervisores imediatos. A impulsividade pode também levar a condutas
problemáticas como mentir (diz a primeira coisa que vem a cabeça), roubar, Ter
casos e gastar em excesso. Eu tratei de muitas pessoas com DDA que sofriam da
vergonha e da culpa oriundas desses comportamentos.
Nas minhas
palestras costumo freqüentemente perguntar ao público: "Quantas pessoas
aqui são casadas?". Uma grande porcentagem da platéia levanta as mãos.
Depois eu pergunto: "É útil dizer tudo o que pensa em seu
casamento?". O público ri, porque todos sabem a resposta. "Claro que
não", eu continuo. "Os relacionamentos requerem tato." Mesmo
assim, devido à impulsividade e à falta de pensar antes de agir, muitas pessoas
que têm DDA dizem a primeira coisa que vem à mente. E, em vez de pedir
desculpas por terem dito uma coisa que magoou, muitas tentam justificar por que
fizeram a observação que magoou, só piorando as coisas. Um comentário impulsivo
pode estragar uma noite agradável, um fim de semana, ou mesmo um casamento
inteiro."
A busca do
conflito
Muitas pessoas que sofrem de DDA
inconscientemente buscam o conflito como uma maneira de estimular seu próprio
córtex pré-frontal. Eles não sabem que fazem isso. Não planejaram fazer isso.
Negam que fazem isso. E ainda assim o fazem. A relativa falta de atividade e
estímulo do córtex pré-frontal anseia por mais atividade. Entrar em
hiperatividade, desassossego, e ficar cantarolando são formas de
auto-estimulação. Outro modo de as pessoas com DDA "tentarem ligar seus
cérebros" é provocando confusão. Se elas conseguem que seus pais ou
cônjuges tornem-se agitados ou gritem com elas, isso pode aumentar a atividade
de seus lobos frontais e ajudá-las a sentirem-se mais sintonizadas. Novamente
este não é um fenômeno consciente. Mas parece que muitas pessoas que têm DDA
ficam viciadas em confusão.
Uma vez tratei de um homem que ficava
quieto atrás de um canto de sua casa e pulava de repente para assustar sua
esposa na hora em que ela fosse entrar. Ele gostava da mudança que obtinha com
os gritos dela. Infelizmente para sua esposa, ela ficou com arritmia, devido
aos sustos repetidos. Tratei de muitos adultos e crianças com DDA que pareciam
sentir-se motivados fazendo seus animais de estimação ficar bravos, fazendo
brincadeiras irritantes ou provocando-os.
Os pais de crianças com DDA comumente
relatam que seus filhos são peritos em deixá-los bravos. Uma mãe me contou que,
quando ela acorda de manhã, ela promete que não vai gritar nem ficar brava com
seu filho de oito anos. Ainda assim, invariavelmente, na hora que ele vai para
escola, já ouve pelo menos três brigas e os dois se sentem péssimos. Quando
expliquei à mãe sobre a necessidade inconsciente que a criança tem de
estimulação, ela parou de gritar com ele. Quando os pais param de oferecer
estimulação negativa (gritos, surras, sermões, etc), diminui o comportamento
negativo dessas crianças. Sempre que você se sentir como esses pais, pare e
fale o mais suavemente que possa. Desse modo, você está ajudando seu filho a
largar o vício de arranjar confusão e ao mesmo tempo colaborando para baixar
sua própria pressão sangüínea.
Outra conduta de auto-estimulação comum em
pessoas que têm DDA é se preocupar com ou se concentrar em problemas. O tumulto
emocional gerado pela preocupação ou por estar aborrecido produz agentes
químicos de estresse, que mantêm o cérebro ativo. Uma vez tratei de uma mulher
que tinha depressão e DDA. Ela começava cada sessão me dizendo que iria se
matar. Ela percebia que isso me deixava ansioso e parecia gostar de me dar os
detalhes mórbidos de como o faria. Depois de conhecê-la bem, eu lhe disse:
"Pare de falar em suicídio. Eu não acredito que você vá se matar. Você ama
seus quatro filhos e não posso acreditar que os abandonaria. Acho que você usa
essa conversa como uma maneira de criar agitação. Sem que você saiba, seu DDA
faz com que você brinque de ‘Vamos criar um problema’. Isso estraga qualquer
alegria que você possa Ter em sua vida". No começo, ela ficou muito
zangada comigo (outra fonte de conflito, eu disse a ela), mas confiava em mim o
suficiente para, no mínimo, observar seu próprio comportamento. Diminuir sua
necessidade de criar caso tornou-se o foco maior da psicoterapia.
Um problema significativo do uso da raiva,
tumulto emocional e emoção negativa para auto-estimulação é isso que é danoso
ao sistema imunológico. Os altos níveis de adrenalina produzidos pelo
comportamento direcionado ao conflito diminuem a eficácia do sistema
imunológico e aumentam a vulnerabilidade à doença. Eu vi provas dessa
deficiência muitas e muitas vezes, na conexão entre o DDA e infeções crônicas e
na maior incidência de fibromialgia, dor muscular crônica que se considera
associada à imunodeficiência.
Muitas pessoas que têm DDA tendem a se
meter em brigas constantes com uma ou mais pessoas, em casa, no trabalho ou na
escola. Elas parecem escolher inconscientemente pessoas que são vulneráveis e
travam batalhas verbais com elas. Muitas mães de filhos com DDA me disseram que
tinham vontade de fugir de casa. Elas não agüentavam o tumulto constante de
suas relações com as crianças com DDA. Muitas crianças e adultos com DDA têm tendência
de deixar os outros sem graça por pouca ou nenhuma razão, o que
conseqüentemente faz com que suas "vítimas" se distanciem deles e
isso pode resultar em isolamento social. Elas podem ser os palhaços da classe
na escola, ou os espertinhos no trabalho. Witzelsucht é o termo que a
literatura da neuropsiquiatria usa para caracterizar "o vício em fazer
brincadeiras de mau gosto". Esse vício foi descrito inicialmente em
pacientes que tinham tumores no lobo frontal, especialmente do lado direito.
Desorganização
Desorganização é outro marco importante do
DDA. A desorganização inclui tanto o espaço físico, como salas, escrivaninhas,
malas, gabinetes de arquivo e armários, quanto o tempo. Freqüentemente quando
se olha para as áreas de trabalho de pessoas com DDA, é admirar que possam
trabalhar ali. Elas tendem a Ter muitas pilhas de "coisas"; a
papelada é algo que freqüentemente elas têm muita dificuldade de organizar; e
parece que têm um sistema de arquivo que só elas podem entender (e mesmo assim
só nos dias bons). Muitas pessoas com DDA têm atrasos crônicos ou adiam as
coisas até o último momento. Eu tive vários pacientes que compraram sirenes de
companhias de segurança para ajudá-los a acordar. Imagine o que deviam pensar
os vizinhos! Essas pessoas também tendem a perder a noção do tempo, o que
contribui para que se atrasem.
Começam muitos projetos, mas terminam
poucos
A energia e o entusiasmo de pessoas com DDA
muitas vezes as leva a começar muitos projetos. Infelizmente, pelo fato de
serem distraídas e dado o seu pequeno âmbito de atenção, prejudicam sua
capacidade de completá-los. Um gerente de uma estação de rádio me disse que ele
começara cerca de 30 projetos especiais no ano anterior, mas havia completado
uns poucos apenas. Ele me disse: "Estou sempre voltando para eles, mas
tenho novas idéias que acabam atrapalhando". Também tratei de um professor
que me disse que, no ano anterior ao que veio me consultar, ele começara 300
projetos diferentes. Sua esposa terminou seu pensamento dizendo que ele completara
somente três.
Mau humor e pensamento negativo
Muitas pessoas com DDA tendem a ser
mal-humoradas, irritadiças e negativas. Como o córtex pré-frontal está pouco
ativo, ele não pode moderar totalmente o sistema límbico, que fica hiperativo,
levando a problemas no controle do humor. De outro modo sutil, como já
mencionado, muitas pessoas com DDA preocupam-se com ou ficam superconcentradas
em pensamentos negativos, como uma forma de auto-estimulação. Se não conseguem
arrumar confusão com os outros no meio ambiente, buscam isso dentro de si
mesmas. Elas freqüentemente têm uma atitude do tipo "o mundo está
acabando", o que as distancia dos outros.
Antes o DDA era considerado um distúrbio de
garotos hiperativos que o superariam antes da puberdade. Sabemos agora que a
maioria das pessoas que têm DDA não supera os sintomas do distúrbio e que este,
freqüentemente, ocorre em meninas e mulheres. Calcula-se que o DDA afete 17
milhões de norte-americanos.
LISTA DE CHECAGEM DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL
Aqui está uma lista de checagem do córtex
pré-frontal. Por favor, leia essa lista de comportamentos e classifique-se (ou
à pessoas que você estiver avaliando) em cada comportamento catalogado. Use a
escala e coloque o número apropriado ao lado do item. Cinco ou mais sintomas
com a nota 3 ou 4 indicam grande probabilidade de problemas no córtex
pré-frontal.
0 = nunca
1 = raramente
2 = ocasionalmente
3 = freqüentemente
4 = muito freqüentemente
___1. Incapacidade de prestar atenção a detalhes ou evitar erros por
falta de cuidado
___2. Problema em manter a atenção em situações de rotina (dever de
casa, tarefas, papelada, etc.)
___3. Dificuldade em ouvir
___4. Incapacidade de terminar coisas,
seguimento insuficiente
___5. Falha na organização de tempo e
espaço
___6. Distração
___7. Pouca habilidade de planejamento
___8. Falta de objetivos definidos ou de
pensar no futuro
___9. Dificuldade em expressar os
sentimentos
___10. Dificuldade em expressar
solidariedade pelos outros
___11. Excessivo sonhar acordado
___12. Tédio
___13. Apatia ou falta de motivação
___14. Letargia
___15. Sentimento de vazio de estar
"em uma neblina"
___16. Desassossego ou dificuldade de ficar
parado
___17. Dificuldade de permanecer sentado em
situações em que se espera que a pessoa fique sentada
___18. Busca de conflito
___19. Falar demais ou de menos
___20. Dar rápido a resposta, antes de as
perguntas terem sido completadas
___21. Dificuldade em esperar sua vez
___22. Interrupção dos outros ou
intromissão (por exemplo: meter-se em conversas ou jogos)
___23. Impulsividade (dizer ou fazer coisas
sem pensar antes)
___24. Dificuldade de aprender pela
experiência, tendência para cometer erros repetitivos.
RECEITA CPF 8:
NÃO SEJA O ESTIMULANTE DE OUTRA PESSOA
Como eu já mencionei, muitas pessoas com
problemas no córtex pré-frontal tendem a procurar conflito para estimular seu
cérebro. É de máxima importância que você não alimente a tormenta, mas, pelo
contrário, deixe-a passar fome. Quanto mais alguém com esse padrão
inadvertidamente tenta deixá-lo aborrecido ou bravo, mais você precisa ficar
quieto, calmo e firme. Eu ensino os pais de filhos com DDA a deixar de gritar.
Quanto mais eles gritam e aumentam a intensidade emocional na família, mais as
crianças vão procurar confusão. Eu também ensino irmãos e cônjuges a manter a
voz baixa e uma conduta calma. Quanto mais a pessoa com DDA tentar tumultuar a
situação, menos intensa deve ser a reação do outro.
É fascinante mostrar como essas receitas
funcionam. Em geral, as pessoas que buscam conflitos estão acostumadas a
conseguir que você se aborreça. Elas conhecem perfeitamente todos os seus
pontos emocionais frágeis, e os cutucam com regularidade. Quando você começa a
negar-lhes o drama e a adrenalina (reagindo menos e de modo mais calmo em
situações de estresse), essas pessoas inicialmente reagem muito negativamente,
quase como se estivessem com uma crise de abstinência de droga. Na verdade,
quando você fica mais calmo pela primeira vez, elas podem até tentar piorar as
coisas, a curto prazo. Mantenha-se firme e elas vão melhorar a longo prazo.
·
Não
grite.
·
Quanto
mais a voz dela aumenta, mais sua voz deve diminuir.
·
Se você
sente a situação começar a sair do controle, dê um tempo. Dizer que você
precisa ir ao banheiro pode ser uma boa receita. Provavelmente a pessoa não vai
tentar impedi-lo. Pode ser uma boa idéia Ter um livro grosso em mãos, caso a
pessoa esteja realmente transtornada e você precise se afastar por um longo
período.
·
Use de
humor (mas não humor sarcástico ou bravo) para apaziguar a situação.
·
Seja um
bom ouvinte.
·
Diga que
você quer entender e trabalhar a situação, mas só pode fazer isso quando as
coisas estiverem tranqüilas.
RECEITA CPF 10:
OBSERVE A NUTRIÇÃO DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL
A intervenção nutritiva pode ser
especialmente útil nessa parte do cérebro. Durante anos recomendei uma dieta
alta em proteínas e baixa em carboidratos, relativamente de pouca gordura para
meus pacientes com DDA. Essa dieta tem um efeito estabilizador nos níveis de
açúcar no sangue e ajuda tanto no nível de energia quanto na concentração.
Infelizmente, a grande dieta norte-americana é cheia de carboidratos refinados,
que tem um efeito negativo nos níveis de dopamina no cérebro e na concentração.
Com ambos os pais trabalhando fora de casa, há menos tempo para preparar
refeições saudáveis e refeições fast-food tornaram-se mais comuns. O café da
manhã de hoje consiste tipicamente de alimentos que têm muitos carboidratos
simples, como waffles congelados ou panquecas. Tortas, bolinhos, doces e
cereais. A salsicha e os ovos foram deixados de lado em muitas casas, devido à
falta de tempo e à idéia de que a gordura faz mal. Ainda que seja importante
ser cuidadoso na ingestão de gordura, o café da manhã antigo não é uma idéia
tão má para as pessoas que têm DDA ou outros estados onde a dopamina seja
insuficiente.
As melhores fontes de proteína que eu
recomendo são as carnes magras, ovos, queijos magros, nozes e legumes, que
ficam mais equilibradas com uma porção saudável de vegetais. Um café da manhã
ideal consiste de uma omelete com queijo magro e carne magra, como a de frango.
Um almoço ideal consiste de atum, frango ou salada de peixe fresco, com legumes
mistos. Um jantar ideal contém mais carboidratos, para equilibrar a refeição
com carne magra e legumes. Eliminar açucares simples (como nos bolos, doces, sorvetes
e guloseimas) e carboidratos simples, que são prontamente quebrados em açúcar
(como pão, massa, arroz e batatas), terá um impacto positivo no nível de
energia e aquisição de conhecimento. Essa dieta ajuda a elevar os níveis de
dopamina no cérebro. É importante observar, no entanto, que essa dieta não é
ideal para pessoas com problemas no cíngulo ou de concentração excessiva, que
geralmente se originam de uma relativa deficiência de serotonina. Os níveis de
serotonina aumenta, a dopamina tende a decrescer e vice-versa.
Suplementos nutritivos podem também surtir
efeito positivo nos níveis de dopamina do cérebro e melhoram o foco e a
energia. Eu freqüentemente faço meus pacientes tomar uma combinação de tirosina
(500 a 1.500 miligramas duas ou três vezes ao dia); sementes de uva OPC
(oligomeric procyanidius) ou casca de pinho, encontradas em lojas de produtos
naturais (meio miligrama por quilo do peso do corpo); e gingko biloba (60 a 120
miligramas duas vezes ao dia). Esses suplementos ajudam a aumentar o fluxo de
dopamina e o fluxo sangüíneo no cérebro e muitos dos meus pacientes relatam que
eles ajudam na energia, na concentração e no controle de impulso. Se quiser
tentar esses suplementos, fale com seu médico.
RECEITA CPF 11:
TENTE O FOCO MOZART
Um estudo controlado descobriu que ouvir
Mozart ajudava crianças com DDA. Rosalie Rebollo Pratt e colegas estudaram 19
crianças com DDA, entre os sete e dezessete anos. Eles tocavam discos de Mozart
para as crianças, três vezes por semana, durante sessões de biofeedback de
ondas cerebrais. Eles colocavam o 100 Masterpieces , volume 3, que incluía o
Concerto para Piano n.º 21 em dó, O Casamento de Fígaro , o Concerto para
Flauta n.º 2 em lá, Don Giovanni e outros concertos e sonatas. O grupo que
ouvia Mozart reduzia sua atividade de ondas cerebrais teta (ondas lentas que
são freqüentemente excessivas no DDA) ao ritmo exato do compasso subjacente da
música; e exibia melhora de concentração e controle de humor, diminuindo a
impulsividade e aumentando a habilidade social. Entre os sujeitos que
melhoraram, 70 por cento mantiveram essa melhora seis meses depois do fim do
estudo e sem treinamento posterior. (Estas descobertas foram publicadas no
International Journal of Arts Medicine, 1995.)
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
MÍDIA X AUTOESTIMA (CONCLUSÃO)
Texto proposto em processo de psicoterapia como exercício de autoconhecimento.
YVera Maria de Carvalho - CRP 6663
Psiconeurolinguística, Psicopedagogia, Psicodiagnóstico
e Reabilitação Cognitiva
Cond.Serra Dourada II conj. D comercial casa 5- Sobradinho - DF - Fone: 349 9663
EGOÍSTA EU?
Não, apenas
eu me amo!
O amor a si mesmo como pré-condição para
amar os outros.
Crescemos ouvindo de todos –
pais , mestres religiosos, - que não devemos ser egoístas, querendo com isso
passar a idéia de que gostar muito de nós mesmos é (ou seria) prejudicial e
indesejável. As religiões, quase todas, têm como máxima e esteio fundamental do
comportamento o amor ao próximo. O cristianismo, repetindo com outras palavras
o que já nos ensinaram Confúcio e Buda,
nos manda amar ao próximo tanto quanto a nós mesmos.
Há, nas colocações acima, o equívoco de
confundir o amor a si mesmo com o egoísmo. São, em verdade, pólos opostos de um
mesmo fenômeno, guardando o egoísmo uma relação inversa com o apreço que se
tenha por si mesmo, como se fossem imagens num espelho.
Algum
grau de egoísmo é obrigatório em todos nós, visto que como salientou Freud é
parte essencial do instinto de auto-preservação de todas as espécies, a humana
entre elas. Ou seja, ter cuidado consigo próprio, defender seus interesses
legítimos, é normal e desejável. A questão é quando se extrapolam os limites
dessa normalidade e se passa a ter um comportamento egoísta no sentido doentio
e condenável da palavra. Como em quase todo fenômeno ligado ao comportamento
humano, não é fácil estabelecer esse limite com precisão. O que
caracterizaria o egoísmo doentio e
nocivo seria seu componente arbitrário, isto é, o indivíduo se julgaria ter
mais direitos que os outros e, por conseguinte, não os respeitaria. E assim ,
achando natural e justo, dada a sua visão de vida e do mundo voltada
fundamentalmente para si mesmo.
O
comportamento egoísta tem muito, mas a
ver com uma torturante sensação de insegurança e fragilidade interior. Somente
aqueles interiormente fortes conseguem . De fato, ser gentis e desprendidos. O
egoísmo relaciona-se diretamente com a imaturidade emocional, assemelhando-se
ao comportamento de criancinha, que vê e sente o mundo como que girando ao seu
redor e existindo para e em função dela.
Nos
primeiros anos de vida, somos extremamente dependentes dos outros para
sobreviver. A sensação de que nossa sobrevivência depende do meio, externo nos confere uma insegurança
que exigirá , para nosso equilíbrio e bem estar, um constante reasseguramento
de que os outros e o mundo estão a nossa disposição e sobre eles poderemos ter
controle. Ou seja, o comportamento egoísta que apresentamos enquanto crianças pequenas faz
parte do processo normal de crescimento e amadurecimento do ser humano.
A medida que vamos crescendo, amadurecendo, nos
fortalecendo e criando uma boa imagem de nós mesmos, menos importante será para
nós o reforço exterior e, por conseguinte, maior será nossa independência da
opinião e da influência das outras
pessoas. Estaremos nos aproximando, assim, do “espírito livre” de que nos
falava Nietzche. É esse processo de libertação que constitui, de fato nosso
crescimento como ser humano e configura, a rigor, o sentido da trajetória de
nossa existência.
Um indício
seguro de que se alcançou a maturidade e muito provavelmente, também a saúde e a felicidade – é quando se
passa a sentir mais prazer amando que sendo amado. O inverso, portanto, do que
ocorre com a criança. Não se pretende, com essa colocação, que o indivíduo
amadurecido prescinda do amor. O que ocorre é que, quando se está em paz
consigo mesmo, quando o indivíduo gosta
de si como de fato é, sem necessidade de máscaras, representações ou
fingimento, ele é tomado de um espontâneo e natural impulso de doação e amor
pelas outras pessoas e pela vida, que nada mais é, de fato, que o
extravasamento para o ambiente do amor que tem por si mesmo.
Os que
atingem esse patamar de crescimento ou dele se aproximam passam a extrair
genuíno prazer do amor que transmitem às outras pessoas e, sem ter premeditado,
passam a vivenciar um doce ciclo vicioso onde, quanto mais se amam e amam aos outros, mais amor recebem
de volta e mais ainda ficam amando a si e aos outros...
Esse amor
por si próprio é, essencialmente, reflexo da nossa auto-estima, ou da imagem
que construímos de nós mesmos. Um nível adequado e desejável de auto-estima
implica respeito e admiração por si próprio e não se pode confundir com o
narcisismo. Este é primo-irmão do egoísmo e resulta da mesma causa básica: a
fragilidade interior e o desapego a si mesmo são tão grandes que o indivíduo
sente uma compulsiva necessidade do reconhecimento externo.
Os
narcisistas, tanto quanto os egoístas, não são pessoas livres e dificilmente
serão felizes, dependentes que são, vitalmente, do conceito que os outros fazem
deles.
Os
estudiosos do comportamento humano identificaram algumas características
comuns, em maior ou menor grau , às pessoas narcisistas. Além do próprio
egoísmo, componente quase obrigatório do narcisismo, outras características
costumam estar presentes:
-
Excessiva preocupação com as aparências – tanto aquelas
de ordem física quanto outros atributos que se possam exibir aos demais. Ou
seja, os narcisistas são vaidosos, ententida a vaidade como a preocupação maior
de exibir-se e despertar admiração em
terceiros e pouca, ou nenhuma preocupação quanto ao que a pessoa acha de si mesma.
Há aqui uma clara diferença entre os sexos, visto que a vaidade feminina
liga-se mais à aparência física,, ao passo que a dos homens relaciona-se preferivelmente à exibição dos sinais de
poder, prestígio e riqueza. A evolução
do padrão cultural nos últimos tempos tende,
porém a tornar menos rígida tal diferença, mas
no geral ela é ainda essencialmente verdadeira.
A vaidade é componente inerente
ao comportamento humano, presente até nos que se envaidecem ao se
proclamar despidos dela. É provável que
isso ocorra por sua íntima ligação com o instinto sexual ou, talvez porque a
nenhum de nós seja dado escapar, incólume e sem carências, das angústias e
inseguranças dos primeiros anos de vida.
O nocivo portanto, não é haver
alguma vaidade, o que é normal e até desejável como expressão da auto-estima,
mas os exageros a que chegam os narcisistas.
·
Inveja – talvez, o mais destrutivo de todos os
subprodutos da insegurança interior e do desapego por si mesmo. Essa inveja
nociva e destrutiva não é o natural desejo, que vez por outra assalta qualquer
um de nós, de ter ou ser o que alguém , tem ou é.
A inveja aqui é aquela amarga
sensação de desconforto e sofrimento, que invade o indivíduo quando confrontado
com o sucesso alheio, ou com o que de bom possa estar ocorrendo com outra
pessoa. Não importa o que o próprio indivíduo esteja obtendo, ele sempre
sofrerá porque outros estão alcançando o que logrou alcançar, seja no campo
material, no prestígio intelectual ou profissional, ou ainda em termos de notoriedade
ou poder.
É fácil deduzir que dificilmente
padecerá desse tipo de inveja alguém que esteja feliz e satisfeito com o que de
fato é, mas que com o que tem. Ninguém será verdadeiramente feliz enquanto não
conseguir liberar-se dos grilhões da inveja.
No caso do narcisista e dos
invejosos em geral – há ainda uma inveja muito grande, e talvez fundamental,
das pessoas que representam justamente o oposto: indivíduos seguros
interiormente e, portanto, generosos com os outros e amados por eles. Tais
indivíduos detêm o que o narcisista mais deseja e não consegue: gostar de si
como é e, por extensão, conquistar a admiração e o amor das pessoas. Não é por
outra razão que o narcisista se liga com freqüência a pessoas generosas e
altruístas, tipos humanos que lhe despertam inveja e hostilidade, nascidas,
porém, da admiração que lhes devotam. Por admirá-los o narcisista se aproxima
deles e a eles tenta unir-se por casamento ou amizade. Esta é, no entanto uma
ligação ambivalente e desequilibrada e, por conseguinte, dificilmente feliz e
duradoura.
·
Baixa tolerância a frustração – considerando o
fato de que, quem se ama pouco tolera mal as frustração e a dor e, por
conseguinte, adoece mais e é infeliz. Assemelha-se nesse caso novamente às
crianças: reage com mau humor e é malcriada quando sua vontade é contrariada.
Manipulam as outras pessoas,
principalmente os tipos mais altruístas de quem em geral se aproximam. Tendem a
se apresentar como vítimas e agir como se sua vontade fosse sempre a mais
justa, embora quem vê de fora facilmente perceba que de justo seu comportamento
não tem nada. Para tanto, é capaz de negar, ou distorcer, o que ele próprio
antes afirmava, de tal maneira a inverter a seu favor uma situação que lhe
pareça desfavorável. O narcisista é, pois, alguém totalmente descompromissado
de qualquer tipo de comportamento moral em seu relacionamento com as outras
pessoas. Nada consegue ver além de seu próprio e direto interesse. Sua visão do
mundo e da vida é fundamentalmente pragmática. Dessa forma, nega a
possibilidade da existência de
sentimentos e comportamentos mais nobres e elevados e resume a vida e a relação
com as outras pessoas em uma permanente disputa por bens e/ou posições. Nessa
concepção, cabe-lhe evidentemente se
esforçar por vencer, não importando muito os meios nem o sentido dessa “vitória”.
Como conseqüência direta dessa
visão pragmática da vida e do mundo, o narcisista é também um pessimista. Quem
raciocina com base no concreto e no real e pouco ou nada na imaginação e no abstrato não pode mesmo
esperar nada de bom do mundo e das outras pessoas. Justifica-se, assim, a
postura do “viver aqui e agora”, usufruindo, o máximo possível, os benefícios
palpáveis da vida: o consumo, a aparência física, o sexo, “coisificado”, as
festas, as viagens.
É
interessante lembrar que, as viagens do narcisista não têm como objetivo conhecer
novos povos, lugares, e costumes mais sim, exibi-las como mais um símbolo de
status e de “sucesso”. A mesma finalidade, aliás, que confere a tudo o que na
vida aspira.
Diante
disso tudo, espero tê-lo convencido de que gostar de si mesmo não é defeito: é
qualidade e não tem nada a ver com o egoísmo; o narcisismo e o não gostar dos
outros, muito pelo contrário, é justamente a impossibilidade de amar a nós mesmos
que nos torna incapazes, na mesma proporção, de amar ou outros.
AS RAZÕES DO DESAMOR A SI MESMO
Veja a si mesmo no espelho
do seu coração. Se alguém me chama atenção por alguma coisa eu deveria ouvir
essa pessoa. Mesmo que alguém aponte um erro meu, eu deveria aceitar isso com
amor. Quando há arrogância sutil eu não consigo limpar o espelho. Se alguém lhe
der um sinal, aprenda a aceitá-lo. Se alguém lhe corrigir diga: obrigado por me
fazer ver o erro e por favor corrija-me quando eu estiver errado.
Brahma Kumaris
Como sabemos o recém-nascido da espécie humana é, com
certeza, o mais frágil rebento da natureza. Essa percepção, que possivelmente o
recém-nato logo tem, de sua fragilidade e dependência das outras pessoas,
cria-lhe uma imperiosa necessidade de ser protegido, amado, e de sentir-se
seguro. Cria a necessidade vital de amor e aconchego que acompanha a todos nós
por toda a vida.
Com base na
psicanálise – e o raciocínio lógico tende a aceitar como verdadeiro – o simples
ato do nascimento já seria por si só extremamente traumático e ameaçador. A expulsão
do aconchego, do calor e da proteção do útero seria uma experiência extremamente
desagradável e jamais de todo esquecida, ao menos no plano inconsciente.
Vivemos pois, todos, inconscientemente
desejosos de retomar à paz e ao aconchego que antecederia à vida e isso
explicaria, ao menos em parte, o desejo inconsciente de morte (tânatos), ao
qual se oporia o instinto da vida (eros). A existência desse conflito
fundamental, presente em todos nós, já evidencia de antemão a dificuldade que é
viver em paz. E realço mais uma vez a importância do amor como reforço do
“time” que, dentro de nós, luta pela vida.
O nascimento, além de ser a
primeira e talvez a mais importante “crise” que vivenciamos, não é infelizmente
a única. Logo por volta do 8º mês, sobrevém o que a psicanálise chama de
“angústia de separação”, (o desmame), ou seja ao trauma gerado por essa nem
sempre bem resolvida dissociação da figura materna somar-se-á, nos anos imediatamente
subsequentes, uma outra fonte de sofrimento, que Horney denominou “angústia
básica” . Essa angústia decorre da inadequação do relacionamento que os adultos
que cercam a criança mantêm com ela.
Nesse
sentido, há toda uma constelação de circunstâncias que provocam na criança uma
grande sensação de insegurança e desamparo e uma percepção do mundo como um
ambiente hostil, de que se encontra isolada e à parte e ao qual deve enfrentar.
As circunstâncias adversas geradoras dessa angústia podem se resumir: os adultos que convivem com a
criança – em especial seus pais – em decorrência de suas próprias neuroses e
desvios de comportamento, são incapazes de amá-la de fato ou principalmente de
respeita-la como ser à parte que é. Em decorrência, assumem em relação à
criança um ou mais dos seguintes comportamentos: ou são dominadores,
excessivamente protetores, intimidadores, irritáveis, exigentes em excesso, ou
então demasiadamente indulgentes, distraídos, propensos a manifestar
preferências por outro (s) irmão (s), indiferentes ou, ainda, hipócritas. Seja
em qual ou quais desses comportamento nocivos incorram, a essência é sua
incapacidade de amar a criança.
Portanto,
para fazer face a essa angústia de separação, a criança reage idealizando um
outro “eu”, absolutamente perfeito a seus olhos e inteiramente diferente do que
de fato é seu “eu” real. De forma simples, o raciocínio (inconsciente) é o
seguinte: “ se como eu de fato sou não sou amado, é porque não presto e não
mereço ser amado: então serei diferente para poder ser amado”.
A partir
desse instante, a vida psíquica desse indivíduo passará a ser uma luta constante
entre seu “eu” real – o que de fato é – e seu “eu” idealizado – aquilo que
pensa que é e gostaria de ser. Seu desenvolvimento deixará de seguir na direção
sadia, de cada vez maior aceitação e bem querer por si mesmo (seu “eu” real) e
passará a constatar-se na construção do “eu” fictício que idealizou: perfeito,
grandioso, superior. Em comparação a esse ser tão perfeito, o eu real do
indivíduo assemelha-se a algo feio, desagradável, mau e detestável.
Se além
dessa visão depreciativa de si mesmo, considerarmos que o “eu” real estará constantemente
atrapalhando a construção do ser ideal de seus sonhos de grandeza, é compreensível
que o indivíduo se veja como inimigo de si mesmo e, em consequência, tente se
destruir, desprezando e odiando a si próprio. Assim sendo, a angústia e a
insegurança da criança diante de um mundo percebido como hostil e mau terão conseqüências
variadas, destacam-se entre elas a conturbação que geram em suas relações com
outras pessoas, razão básica, de todo o conflito. A primeira dessas conseqüências é a
impossibilidade , diante da qual o indivíduo se vê, de ser ele mesmo. Não podendo ser espontâneo com as
pessoas, busca a criança outros meios de lidar com elas. Os caminhos que
escolherá dependerão tanto de sua estrutura psíquica inclusive o componente
genético como das condições propiciadas
pelo ambiente em que vive.
Três
seriam os caminhos possíveis: enfrentar os outros aproximar-se deles ou fugir
deles. Na criança com desenvolvimento normal, a situação também se apresenta
dessa forma, mas tais alternativas não se excluem mutuamente e permitem a
criança “sadia” o aprendizado de lutar e retrair-se, amar e ceder, essencial
para o adequado convívio com os demais. Na criança que não se sente amada e
segura essas formas de reação não só se deformam como se desequilibram, com
nítido, ou as vezes exclusivo, predomínio de uma delas.
Uma das
principais conseqüências dessa distorção no desenvolvimento é a impossibilidade
de a pessoa desenvolver uma verdadeira confiança em si própria. Suas forças
interiores enfraquecem, pelo desgastante conflito da personalidade
permanentemente dividida ( eu real e eu idealizado) e por estar continuamente
na defensiva. “necessita desesperadamente de confiança em si própria ou de um
substituto para ela”.
É fácil
então compreender o brotar da compulsão de erguer-se acima dos outros e lutar
contra eles. A exteriorização mais clara desse caminho (enfrentar os outros e
obter sobre eles um triunfo vingador”) é a luta que passa a desenvolver para a
“conquista da glória”. Entenda-se a
busca da glória como a compulsão de obter vitórias no mundo exterior que
ratifiquem a imagem idealizado do “eu”. O subproduto (s) desse contexto vêm a
ser a ambição neurótica, a inveja, a vaidade e a competição exacerbada,
compondo a personalidade “narcisista” .
Por esse
caminho estimulado pelo padrão cultural reinante, é ele obviamente o escolhido
pela maior parte das pessoas inseguras, frágeis e que no íntimo desprezam a si
mesmas, e que são a grande maioria dos mortais. Na busca desesperada pela
glória – geralmente dinheiro, prestígio e poder – a maior parte das pessoas
dispõe-se a fazer qualquer tipo de sacrifício. Abrem mão do lazer e do convívio
com a família, matam-se de trabalhar, sacrificam suas convicções, violam a
ética, fraudam a lei – quando não descambam para a criminalidade pura e
simples.
Apesar do
tantos que se empenham, poucos são os que se fato, conseguem alcançar o que
buscam. A maioria, fica estagnada carregando penosamente ao longo da existência
o peso da frustração e do fracasso. A agressividade oriunda desse sofrimento
atinge os outros mas volta-se sobretudo e inconscientemente, contra ele mesmo.
Por uma triste ironia, ou sorte a minoria que de fato alcança a glória (em
qualquer uma ou em todas, as três modalidades: (riqueza, prestígio, poder). A
busca pelo “sucesso”, nessas pessoas, é compulsiva e incessante. O objetivo
nunca é de fato alcançado, comportando-se como a miragem do oásis para o
viajante do deserto: desfaz-se quando se
pensa tê-la alcançado. O narcisista é emocionalmente uma criança e como tal,
está sempre à cata de um brinquedo novo,
pois o que acaba de receber já não lhe serve, tão logo passe o sabor da
novidade.
Ao olhos dos
outros, os que luta, - e conseguem alcançar a fortuna, o poder, a fama
alcançaram o que todos querem e deveriam sentir-se felizes. Na grande maioria,
se não provavelmente na totalidade dos casos as coisas não são assim. Alcançado
esse tipo de glória, mergulha o indivíduo no tédio, no vazio existencial, na
hipocondria, na sensação de
inutilidade, na infelicidade. Isso para não falar no mal
adicional, externo e interno, que lhe possa advir dos meios de que lançou mão
para chegar à glória.
É óbvio que a
criança que escolhe esse caminho, tenha
ou não êxito na busca da glória e do “triunfo vingador” quando adulto, não
alcançará a paz e não conseguirá de fato amar as outras pessoas. Verá os outro
sempre como rivais e competidores, inimigos reais ou potenciais, a quem deve
vencer ou exibir os adereços da sua vitória.
Em outro
caminho menos comum porque menos incentivado na nossa cultura, de que pode
lançar mão o indivíduo para fazer face a sua angústia básica, é o da
aproximação/submissão às outras pessoas. Constitui-se no que Horney chama a
“solução auto-anuladora”. Embora idêntico seja o conflito básico,
diametralmente oposto é o caminho escolhido em relação ao tipo anterior.
Enquanto
aquele glorifica e cultiva em si mesmo tudo o que signifique domínio e
superioridade sobre os outros, e abomine cabalmente qualquer sinal ou
manifestação que possa ser indício de fraqueza e/ou inferioridade, o segundo
não concebe, sob nenhuma hipótese, sentir-se superior as outras pessoas. Muito
pelo contrário, sua compulsão é por pacificá-los. O que mais busca na vida é o
amor e a proteção das outras pessoas. Não sabe dar ordens , não consegue lutar
por seus direitos. Sente-se agora em nível consciente, desprezível e inferior,
não merecedor do respeito e da consideração dos outros. Ao contrário do outro
tipo, que em nível consciente sente-se superior (embora cultive
inconscientemente o mesmo autodesprezo) e que busca desesperadamente a glória e
triunfo, este outro, o da solução auto-anuladora, foge do triunfo como o diabo
da cruz.
Detesta o
sucesso e a luz dos holofotes e, quando, mesmo sem desejar, os alcança trata
compulsivamente de diminuir os próprios méritos. Paradoxal e
incompreensivelmente (para os que não conhecem a essência de seu conflito e a
solução que adotou), sua angústia e insegurança tendem a crescer na mesma
proporção em que cresçam seus êxitos. Não conseguem defender e manter seus
pontos da vista, mudando de opinião e
posições ao sabor das de outras
pessoas, da mesma forma que a
biruta fica ao sabor do vento nos aeroportos.
A mesma
dificuldade que tem de lidar com o triunfo estende-se também ao dinheiro. Tem
por norma satisfazer-se com pouco e não aceita ampliar seus limites. Não se
acha merecedor da riqueza que porventura obtenha e sente-se culpado ao
alcança-la. Tal sentimento de culpa é ainda maior se gastar dinheiro consigo
mesmo, embora possa comportar-se de
maneira bastante perdulária em relação ás outras. Em suma é alguém que não se
acha merecedor de nada de bom para si e age de acordo com esse sentimento. Tem
um medo pavoroso da hostilidade das outras pessoas e detesta a idéia de brigar
ou até de discordar delas. Prefere sempre, ceder e perdoar, por mais que
objetiva e claramente, a razão esteja
consigo.
A primeira
vista se poderia pensar que tal indivíduo assim auto-anulado teria encontrado
uma solução melhor que o primeiro para seu conflito íntimo. Ledo engano, porém,
também aqui, já um “eu” idealizado, diferente do “eu” real. No “eu” real do
indivíduo há também , tanto quanto no outro, agressividade, orgulho e vaidade. Porém
o “eu” que idealiza é o de um santo: altruísta, bom , humilde, nobre, generoso
e pleno de amor e capacidade de doação pelas pessoas. Também aqui há uma
personalidade dividida. Há conflito mesmo. Na relação com as outras pessoas,
esse tipo que se anula faz o papel do coitadinho: todos usam e abusam
dele, ninguém talvez o hostilize, mas ninguém igualmente
o ama de fato. Ele, na verdade, também não ama. Toda dedicação, docilidade,
solicitude e humildade com relação às outras pessoas tem um único e central
objetivo: granjear-lhes a afeição e o amor.
O terceiro
caminho possível é o do afastamento das outras pessoas. O indivíduo desiste da
luta, retira-se do campo de batalha, age como se pouco se importasse com os
outros e com o mundo. Vive em um estado de “resignação” perante as mazelas do
mundo e as suas próprias. Dos três caminhos citados, este parece ser o menos
nocivo e o que mais habilita o indivíduo a aproximar-se de uma simulação de paz
interior. A paz, no entanto, já se disse, não é apenas a ausência de guerras. É
bem mais eu isso.
A paz que o
indivíduo alcança com o caminho da resignação e tão-somente o livrar-se do
conflito. É útil mais não é o bastante. O preço que paga por isso é, na
verdade, o da renúncia à própria vida. Renúncia às emoções, renúncia ao
crescimento e desenvolvimento interior, renúncia ao amor. Destaque-se que esse
tipo de comportamento tem dentro de certos limites, aspectos construtivos e
desejáveis.
São vários
os casos de pessoas que reconheceram a futilidade intrínseca da ambição e do
sucesso, que se amenizarem por esperar menos e que se tornaram mais sábias,
justamente por renunciar à competição e ao supérfulo”. Isso ocorre com freqüência,
em idosos ou mesmo pessoas não tão idosas que por doença grave ou acidente,
viram ou vêem a morte próxima. Ocorre
também em pessoas que aderem de fato à vida religiosa e que renunciam à vontade
própria, à vida sexual, aos bens materiais, a tudo que de transitório tem a
vida, com vistas a aproximar-se de Deus, ganhar a vida eterna ou até para
desenvolver a espiritualidade latente de todo o ser humano.
Esse tipo de
reavaliação dos valores da vida é até certo ponto construtivo e desejável, mas
só até certo ponto. É diferente a busca da elevação espiritual como fim em si
próprio – por acreditar-se na sua importância
- da fuga dos conflitos por falta de coragem e disposição para
enfrentá-los.
A pessoa que,
de forma neurótica , exagera no caminho do afastamento dos outros e do mundo
encolhe-se , tolhe seu próprio desenvolvimento como ser humano. Nada realiza,
nada cria, nada espera, nada sonha. Não vive. Transforma-se em um espectador de
sua própria vida. Uma vida sem lutas, sem grandes sofrimentos, sem grandes
emoções, mas também insípida e sem interesse.
Não creio
que esse seja um caminho desejável, por mais tranqüilo que possa parecer. a
também aqui não é o amor vivenciado, até
porque, na realidade, esse tipo é
uma mistura dos outros dois anteriores, ora predominando uma tendência, outra
oura a outra , mas sempre longe do amor genuíno e sempre também dividido. Esse
indivíduo vive uma paz armada. Pode ser que sofra menos, mas tem também menos
coisas boas para viver e não sei se, no
limite, será menos infeliz que os outros dois.
AFINAL....QUAL A SAÍDA?
Nesta
altura do campeonato você deve estar pensando: “então não há saída; somos todos
neuróticos e infelizes”. A rigor, não está
muito longe da verdade. A felicidade, não seria possível ao ser humano
(Freud). Quem nos criou, não teria tido
a intenção de ver-nos felizes. Ao menos aqui na terra.
Calma! Não se
desanime! Por difícil que seja sua conquista, a felicidade não é impossível,
desde que não se pretenda entendê-la como total ausência de sofrimento. Isso,
de fato me parece impossível, e não creio que ninguém, em nenhuma época, tenha
alcançado tal estado ou venha a alcança-lo no futuro. Até porque acho que seria
provavelmente muito sem graça, esse permanente estado de paz absoluta.
O que se
chama de felicidade e, que creio possível, embora talvez não muito fácil – é o
estado de paz interior que nos permita “viver agradavelmente” e ter gosto pela
vida. Somente quando alcançamos esse estado – ou dele nos aproximamos – é que
nos tornamos capazes de fato, de amar as outras pessoas. É um amor não
programado não intencional. O que quero dizer com isso é, em primeiro lugar,
que a pessoa não decide amar os outros e passa a agir deliberadamente nesse sentido.
Não. Não é
por aí. O que ocorre é uma natural e espontânea empatia e tolerância para com
as pessoas. Muito importante: essa empatia é difusa, isto é, atinge a todos
indistintamente, e até aqueles que podem se afigurar, aos que olham de fora
como inimigos e adversários. Implica uma grande capacidade de perdoar e
compreender a razão de ser e de agir das outras pessoas e uma não menor – ou
total – incapacidade de guardar ódio ou rancor de quem quer que seja. Ficam
felizes e se sentem bem simplesmente transmitindo amor as outras pessoas. E por
isso são amados.
Alcançar
tal estado depende basicamente de nosso desenvolvimento como ser humanos e
decorre da boa aceitação de nós mesmos. É, pois, diretamente proporcional à
nossa integridade interior, entendida na acepção genuína da palavra, ou seja,
no sentido de ser uma pessoa inteira (íntegra) não dividida entre um “eu real”
e outro idealizado. A construção dessa integridade tem seus alicerces fincados
já nos primeiros meses de vida, e sua estrutura certamente já estará completa
por volta dos 6 ou 7 anos. A solidez da construção dependerá, da qualidade da
relação que, nessa fase da vida mantivermos com nossos pais ou com quem lhes
façam as vezes.
O
reconhecimento da decisiva importância desses primeiros anos não significa que,
estando ali traçada nossa capacidade de amar e ser feliz, nada mais possa ser
feito muito pelo contrário. Acredito piamente que o crescimento e o autoconhecimento
interior podem levar – e certamente levam – a um grau de auto-aceitação e
auto-estima capazes de restabelecer a perdida capacidade de amar aos outros, à
vida e, fundamentalmente, a nós mesmos.
In: SILVA, Dr. Marco Aurélio Dias da.,Quem ama não adoece,
o papel das emoções
na prevenção e cura das doenças, 25º S.P.,
ed. Best Seller,2001
1.Qual a sua opinião sobre este texto?
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
2. Você se identificou com umas das três personalidades
descritas? Qual?
Justifique;________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
3. Quais dessas características você gostaria de
modificar?
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
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