PSICOPEDAGOGIA NEUROPSICOLÓGICA - ESPAÇO PARA DISCUSSÃO DE TEMAS RELATIVOS A PSICOLOGIA E PSICOPEDAGOGIA. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PSICÓLOGOS.REABILITAÇÃO COGNITIVA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA. TEMAS RELACIONADOS AO ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA, PSICOLOGIA CLÍNICA, NEUROPSICOLOGIA CLÍNICA E REABILITAÇÃO COGNITIVA - DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, SÍNDROMES DA APRENDIZAGEM - EDUCAÇÃO SEXUAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Psicologia Positiva e Cognitiva para uma Vida Feliz


Psicologia Positiva e Cognitiva para uma Vida Feliz
(Tempo de leitura: 6 - 12 minutos)

Resumo: Durante toda a história da psicologia, verifica-se uma preocupação demasiada na tentativa de querer conhecer o ser humano por uma vertente psicopatológica. Atribuir conceitos para quantificar condutas que pareceram ser uma via inteligente na compreensão do homem. Em meados de 1998 surgiu o psicólogo Martin Seligman oferecendo-nos uma proposta de conceitos revolucionários, colocando o homem em posição de observar e relevar as suas potências humanas baseadas em virtudes e qualidades articuladas com o sentido de felicidade. Este artigo tem por objetivo oferecer fragmentos de informações para a ciência humana, acreditando-se que a psicologia positiva e cognitiva poderá contribuir para uma vida satisfatória e melhor para o homem. 

1. Introdução

Estamos presenciando acontecimentos jamais vistos em toda a história humana. Os seres humanos estão perdendo suas perspectivas de valores e baseando suas realidades ao que parece serem fatores existenciais satisfazendo somente as suas necessidades básicas imediatas. O homem, deixa de transcender com pensamentos reflexivos e não consegue colocar as suas potências mentais, para visualizar possibilidades de evolução em sentido maior, correspondendo às demandas de suas necessidades existenciais. Este comportamento fomenta as mazelas da vida, como por exemplo, a falta de valores morais, doenças psíquicas, físicas, miséria, fome e imoralidade, provocando uma postura totalmente contrária à sua vontade de evoluir e satisfazer o sentimento de completude frente à vida. Serão estas algumas causas dos conflitos interpessoais e intrapessoais, causando psicopatologias que levarão o ser humano ao auto-extermínio? O homem está conseguindo desenvolver dignidade com essas posturas? O que fazer? E como a ciência humana poderá contribuir para que haja uma mudança satisfatória?
Acredita-se que a psicologia positiva e cognitiva, com a sua prática revolucionária, poderá auxiliar contribuindo com a mudança e alavancando o sentimento de bem-estar, promovendo a felicidade humana.
Segundo o maior representante da psicologia positiva, Martin Seligman, a ciência da psicologia não conseguia valorizar o lado positivo do homem. Seligman (2002), aponta a ciência humana contemporânea, como o momento de se pensar em outras vertentes de compreensão do homem. A psicologia positiva, surge para revelar as qualidades positivas, baseadas no crescimento da personalidade, educação, sociedade e afetividade, contribuindo para um homem contemporâneo resiliente e feliz.

2. Psicologia Positiva

Segundo Sheldon (2001), a psicologia positiva é um movimento contemporâneo da psicologia que valoriza as potências, motivações e capacidades humanas, com ênfase na busca pela felicidade e os estudos das doenças mentais.
A partir de 2003, Martin Seligman, vem desenvolvendo estudos científicos dos aspectos positivos do ser humano. Suas premissas de investigações básicas são:
  • 1) A experiência subjetiva (bem-estar subjetivo, felicidade);
  • 2) As características individuais – forças pessoais e virtudes (afeto e perdão);
  • 3) As instituições e comunidades (ética, tolerância e responsabilidade social).
  • Nota-se que diante dessa nova proposta psicológica, o homem passa a ter chances de colocar em prática as suas habilidades, não somente nos aspectos individuais, mas também interpessoal e social. Portanto, a proposta maior deste artigo é demonstrar com clareza os benefícios da psicologia positiva e cognitiva, para gerir melhor as relações interpessoais. As emoções negativas não poderão representar para o indivíduo o que de fato é a realidade dos seus sentimentos. A psicologia positiva, poderá fortalecer a mente, com os pensamentos positivos, esperança e a alegria contagiante de acreditar em si e nas pessoas.
Para Martin Seligman, estar engajado em atividades prazerosas e com significado, oferece ao homem uma satisfação maravilhosa que o estimula a continuar desempenhando seus objetivos pessoais e intrapessoais, contribuindo significativamente com o aumento dos repertórios pessoais e profissionais. A proposta maior é deixar florescer a personalidade saudável diante do que existe frente às demandas da contemporaneidade.
Os traumas e a ansiedade, não poderão exercer forças suficientes diante de tantos desafios sociais, mas a coragem e o compromisso com espontaneidade de instrumentalizar características humanas positivas e estimular a alegria, esperança, prazer, fé, amor, sutileza e a espontaneidade. O homem é capaz disso, e isto poderá ser provado pelos caminhos das ciências cognitivas e positivas. 

3. Contribuições da Psicologia Positiva e Cognitiva

As contribuições da psicologia positiva e cognitiva, são significativas e oferecem uma postura teórica, prática no campo das relações humanas. Por ser uma teoria otimista e visualizar as características positivas humanas, ela retira a percepção de que se poderá compreender o homem, somente pelos aspectos psicopatológicos, como os transtornos da personalidade, dos ansiosos, dos psicológicos e psiquiátricos.
Para Seligman (2002), trata-se de aprimorar técnicas e procedimentos com a proposta de salientar as virtudes humanas, como também os aspectos positivos e valorizar as ciências sociais. O autor não contradiz a importância do Manual de Estatística e Diagnóstico das Desordens Mentais (DSM-IR), porque o mesmo, tem ajudado os profissionais a desenvolverem uma análise funcional dos comportamentos frente às psicopatologias facilitando os tratamentos (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2000). A proposta maior da psicologia positiva e cognitiva não é negligenciar o lado bom do homem em detrimento do lado ruim, mas entender que existe um universo de potencialidades afetivas e cognitivas articuladas ao ambiente de estímulo.
No entanto, conforme apontam Wright e Lopez (2002), a partir da tomada de consciência baseada no modelo de diagnóstico, verifica-se que todo o aparato de tratamento se baseia na tentativa do paciente se libertar das psicopatologias (doenças), mas existe um lado que poderia ser explorado com técnicas científicas para que o afloramento das virtudes sobreponha as limitações humanas, e essa é uma das propostas principais da psicologia positiva e cognitiva.
Peterson e Seligman (2004), através de seus estudos apresentam algumas características que se destacam em pessoas com tais virtudes: sabedoria, coragem, humanidade, justiça, temperamento e transcendência.
Nota-se em depoimentos de psicoterapeutas que trabalham com a psicologia positiva, aliada ou não a outras modalidades de tratamento, que os resultados são altamente satisfatórios, assim também relatado pelos pacientes que vivenciam o processo psicoterapêutico.
Um dos principais benefícios é perceber que as pessoas que experimentam o processo psicoterapêutico aumentam as suas forças pessoais e interpessoais, reestruturando aspectos que não estavam acontecendo de forma assertiva e provocando sofrimento. Não se trata de descondicionar ou extinguir comportamentos, mas fortalecer estratégias clínicas para que as virtudes do homem sejam afloradas com sabedoria, administrando assim, os processos estressores do dia a dia. A força psíquica eleva o otimismo e a segurança, conduzindo-os as possibilidades de evolução no presente e no futuro. Isto remete-se ao que afirmava Ellis e Blau (1998), na importância da reestruturação cognitiva para a elaboração dos processos psíquicos.
Para Ellis e Blau (1998), o importante é o psicoterapeuta ajudar o paciente a entender que os pensamentos, emoções e comportamentos estão envolvidos de forma dinâmica na personalidade da pessoa. Para isso, o paradigma ABCD, que é representado da seguinte forma: A (estímulo que provoca algo), B (Interpretação baseadas nas crenças irracionais), C (Consequência da interpretação em B), D (Reestruturação Cognitiva, debate frente às consequências da interpretação), E (Mudanças Comportamentais).
A psicologia positiva aliada às psicoterapias cognitivas e comportamentais consegue facilitar para o paciente a condição de acreditar também no otimismo aprendido, mudando a capacidade de lidar com a frustração e as emoções negativas como a raiva, a ira, o nojo, o medo, a ansiedade e insegurança, mudando-se para as emoções positivas: a alegria, o amor, o carinho, a esperança e o otimismo.
Outro autor que se destaca na linha da psicologia positiva atribuindo foco nas virtudes é o pesquisador Pesechkian (1997). Ele desenvolveu um sistema em que as pessoas possuem capacidades para lidar com problemas, o que facilita o reconhecimento e o fortalecimento delas.
Ao apresentar a possibilidade de reestruturar a forma de pensar as virtudes ou os déficits comportamentais, o teórico Aaron Beck (2000) se destaca com a sua teoria “tríade cognitiva”. Nela os pacientes poderão se sentir beneficiados concomitantemente com a psicologia positiva, baseado em uma postura científica. Os principais elementos da teoria cognitiva, postulados por ele, são representados da seguinte forma:
- "Significado", refere-se à interpretação da pessoa sobre um determinado contexto e da relação daquele contexto com o self (eu).
- A função da atribuição de significado ativa estratégias para adaptação.
- As influências entre sistemas cognitivos e outros sistemas são interativas.
- Cada categoria de emoção, atenção, memória e comportamento são denominados especificidade do conteúdo cognitivo.
- Quando ocorre distorção cognitiva ou preconcepção, os significados são disfuncionais ou mal adaptativos.
- Os indivíduos são predispostos a fazer em construções cognitivas falhas específicas (distorções cognitivas).
- A psicopatologia resulta de significados negativos construídos em relação ao seu self, ao contexto ambiental (experiência), e ao futuro (objetivos), que juntos são denominados de tríade cognitiva.
Cada síndrome clínica tem significados mal adaptativos característicos associados com os componentes da tríade cognitiva. Todos os três componentes são interpretados negativamente na depressão. Na ansiedade, o self é visto como inadequado (devido a recursos deficientes), o contexto é considerado perigoso, e o futuro parece incerto. Na raiva e nos transtornos paranoides, o self é visto como sendo maltratado ou abusado pelos outros, e o mundo é visto como injusto e em oposição aos interesses da pessoa. A especificidade do conteúdo cognitivo está relacionada desta maneira a tríade cognitiva. Há dois níveis de significado:
(a) o significado público ou objetivo de um evento, que pode ter poucas implicações significativas para um indivíduo;
(b) o significado pessoal ou privado. O significado pessoal, ao contrário do significado público, inclui implicações, significação, ou generalizações extraídas da ocorrência do evento. O nível de significado pessoal corresponde ao conceito de "domínio pessoal". Neste ponto a psicologia positiva se apresenta de forma importantíssima estimulando as virtudes pessoais da pessoa, buscando sempre como foco, o significado que se atribui ao que se faz, pensa e sente. Assim também como a interação (engajamento) proporcionando sinergia no campo interpessoal, conduzindo a pessoa para uma realidade de prazer e felicidade que se estende para além do aqui e agora.
Portanto, a psicologia positiva e cognitiva, contribui com uma abordagem teórica, empírica e prática que pode ser instrumentalizada por psicoterapeutas de diferentes áreas a fim de mobilizar mudanças em seus clientes para o desenvolvimento saudável, se diferenciando de posturas antigas negativas.
Com esse novo paradigma teórico e prático, a comunidade científica está otimista com vistas ao um novo movimento revolucionário focado na autogestão científica diferenciada dos teóricos Rogers e Maslow por não terem desenvolvido investimentos teóricos e metodológicos, pois na psicologia cognitiva e positiva investiu-se e investe-se no inquérito sistemático e científico.
Não se pode ignorar a importância dos estudos relacionados às psicopatologias humanas, elas contribuíram grandemente para o diagnóstico e tratamento de doenças que eram consideradas intratáveis. A partir disso, surgiram abordagens diferenciadas de tratamentos, medicamentos e laboratórios farmacêuticos facilitando a melhora ou a cura definitiva de alguns transtornos ou doenças. 

Conclusão

Agora surgiu a oportunidade de focar-se também nas forças humanas, fundamentadas na capacidade de autogestão saudável, resiliente, assertiva e feliz. Portanto, a psicologia cognitiva e positiva, poderá auxiliar essa prática que está, por vários fatores, cada vez mais carente nos indivíduos. Não se deve deixar de acreditar em um indivíduo transformado para melhor, capaz de transcender a realidade imediatista contemporânea, vislumbrando uma postura pessoal digna, solidária e generosa.  Com isso, a sua verdadeira identidade irá se aflorar das trevas mentais e físicas, deixando-o fluir e evoluir os aspectos biopsicossociais de forma completa e saudável.

Referências: 

  1. BECK, A.T. & ALFORD, B.A. (2000). O poder integrador da terapia cognitiva. Porto Alegre: Artmed.
  2. ELLIS, A., & BLAU, S. (1998). Rational emotive behavior therapy. Directions in Clinical and Counseling Psychology, 8, 41-56.
  3. MASLOW, A. (1954). Religions, values, and peak experiences. Columbus: Ohio State University Press.
  4. ROGERS, C. R. (1959). A theory of therapy, personality, and interpersonal relationships, as developed in the client-centered framework. In S. Koch (Ed.), Psychology: A study of a science: Formulations of the person and the social context (pp. 184-256). New York: McGraw-Hill.
  5. PETERSON, C., & SELIGMAN, M. (2004). Character strengths and virtues: A classification and handbook. Washington, DC: American Psychological Association.
  6. PESECHKIAN, N. (1997). Positive psychotherapy: Theory and practice of a new method. Berlin: Springer-Verlag. Lopez, S., Floyd, R., Ulven, J., & Snyder, C. (2000). Hope therapy: Helping clients build a house of hope. In C. R. Snyder (Ed.), Handbook of hope: heory, measures, and applications (pp. 123-166). San Diego: Academic Press.
  7. PETERSON, Christopher & Seligman, M.E.P. (2004). Character Strengths and Virtues A Handbook and Classification. Washington, D.C.: APA Press and Oxford University Press.
  8. SELIGMAN, M. (2003). Foreword: The past and future of positive psychology. In C. L. M. Keyes, & J. Haidt (Eds.), Flourishing: Positive psychology and the life well lived (pp. 11-20). Washington DC: American Psychological Association.
  9. SELIGMAN, M. (2002). Positive psychology, positive prevention, and positive therapy. In C. R. Snyder, & S. J. Lopez (Eds.), Handbook of positive psychology (pp. 3-9). New York: Oxford University Press
  10. SHELDON, K. M. e KING, L. (2001). Why positive psychology is necessary. "American Psychologist", 56(3), 216-217.
  11. WRIGHT, B., & LOPEZ, S. (2002). Widening the diagnostic focus: A case for including human strengths and environmental resources. In C.R. Snyder, & S.J. Lopez (Eds.), Handbook of positive psychology (pp. 26-44). New York: Oxford University Press.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Velhice e Qualidade de Vida em Idosos Institucionalizados


Velhice e Qualidade de Vida em Idosos Institucionalizados
(Tempo de leitura: 15 - 29 minutos)

Resumo: O presente artigo busca analisar a perspectiva da qualidade de vida dos idosos que residem em instituições de longa permanência (ILPI), principalmente pelo fato desse grupo de pessoas estarem aumentando. A um grande desafio nos dias de hoje, quando as pessoas idosas são inseridas nas instituições de longa permanência, de enfrentar, superar, adaptar, viver em outra cultura, costumes e regras diferentes do seu contexto cultural. Tendo como realidade, mesmo, que as instituições tenham que seguir as exigências por Lei, ainda está longe de atingir as probabilidades que se espera para receber e cuidar com todo amparo e suporte que o idoso internalizado necessita. Procuramos mostrar que apesar das dificuldades desses indivíduos, de serem conservadores e resistentes sua adaptação não é impossível, a maioria dos idosos passam a gostar e se adaptam muito bem a instituição, pois, passam a não se sentirem tão sozinhos e encontram nesse ambiente o que havia perdido, e criando novos vínculos que contribuem numa forma melhor de viver nessa etapa da vida. Para análise desta problemática foi feito pesquisa bibliográfica, na internet e livros referentes o tema.
Palavras-chave: Envelhecimento, Qualidade de Vida, Instituição de Longa Permanência.

1. Introdução

A população de idosos institucionalizados vem aumentando constantemente, não só no Brasil, mas no mundo todo vem se observando essa tendência de envelhecimento nos últimos anos, isso se da pela mortalidade ter reduzido e pela melhora da qualidade de vida, porém, a sociedade ainda é pouco informada sobre essa etapa da vida.
Mesmo que as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) no Brasil estejam distantes do padrão estabelecido, as mesmas estão procurando a se adequar às normas e regulamentos que a Lei determina. As instituições colaboram por uma grande parte significativa de acolher aquelas pessoas idosas que são por muitas vezes desamparadas pelas suas famílias naturais, por vontade própria do indivíduo de morar na instituição, e outros motivos que levam eles a serem incluídos no grupo de idosos internalizados.
No primeiro instante foi apresentado como é a inserção e a vivência do idoso nesse ambiente. Isso acontece num contexto totalmente distinto de sua cultura e de seus costumes, uma realidade onde o sujeito sofre um impacto que por vezes terá que superar, se adequando a esse novo lar. No entanto, a instituição se dispõe de um local favorável e adequado, contando com equipes de profissionais que farão o processo de receber, cuidar e adaptar esse grupo de idosos internalizados.
Nesse contexto, o indivíduo aprende a ter novos hábitos, como horários de banho, lazer, alimentação, medicação e atividades que possam melhorar a sua interação, o bem-estar físico, emocional e social, de forma a contribuir de forma positiva para uma vida participativa e bem-sucedida em todos os contextos relacionais. O idoso também recebe atendimento médico, alimento, higiene e segurança, favorecendo um envelhecimento mais bem-sucedido.
Todas as pessoas almejam chegar na terceira idade usufruindo de uma boa qualidade de vida, mas, a realidade mostra que a pessoa ao chegar nessa etapa se depara com as adversidades inerentes a essa fase: além da perda do vigor físico, o emocional também acaba por ser comprometido. Por falta de informação, preparo e outros fatores, a institucionalização de idosos acaba sendo vista como uma saída necessária para os familiares que escolhem não ter mais a responsabilidade de cuidar de seus entes queridos nesse momento tão vulnerável.

2. Envelhecimento

envelhecer humano já se inicia desde o seu nascimento, tendo em vista que o indivíduo não percebe esse fato irreversível, da necessidade de buscar um envelhecer mais saudável e ativo.
envelhecimento é, sem dúvida, um processo biológico cujas alterações determinam mudanças estruturais no corpo e, em decorrência, modificam suas funções. Porém, se envelhecer é inerente a todo ser vivo, no caso do homem esse processo assume dimensões que ultrapassam o “simples” ciclo biológico, pois pode acarretar, também, consequências sociais e psicológicas. (OKUMA, 2004, p.13).
A velhice é uma etapa onde o indivíduo fica um pouco mais vulnerável e com algumas limitações, devido o envelhecer do corpo. De acordo com Zimerman (2000, p.22) “o que venha a ser velho? A velhice não é uma doença, mas, sim uma fase na qual o ser humano fica mais suscetível a doenças. [...] e, quando adoecem, demoram mais tempo para se recuperar”.
Estar velho não significa ser incapaz, mas é um processo que deve ser percebido e executado com mais cuidado pelo fato da pessoa perder o vigor físico e limitar-se a certas atividades inerentes a essa fase. “[...] é uma etapa muito delicada, que pode vir repleta de obstáculos e novas experiências”, pois não consegue identificar o porquê das transformações ao seu redor e também de seu corpo e sua mente (MELO; MELO, 2014, p.38).
O preconceito com relação à velhice está também assentado na visão que o velho tem de si mesmo; paradoxalmente, o velho que viver mais, mas tem medo da velhice (Melo; Melo, p.38, 2014) e da morte, pois com a chegada da idade, consequentemente o corpo fica mais debilitado e sujeito a doenças.
Temos, nas falas de Marques (2004, p. 66), as definições do termo idoso: 
[...] em substituição do termo velho, agrega novas visibilidades e positividades. O termo velho é ainda carregado de um sentido pejorativo historicamente ligado a ideias negativas como feio e mau que aparecem nas histórias infantis (bruxas e madrastas), ou como ser improdutivo, inativo, criado pela sociedade moderna. 
O conceito de idoso se difere entre etnias, assim como da época no qual está inserida. A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu que a idade mínima há serem considerados idosos os indivíduos acima de 60 anos residentes em países em desenvolvimento e em países desenvolvidos a partir de 65 anos (OMS, 2005).
Um idoso pode desempenhar papéis diferentes na sociedade, isso em geral vai depender da cultura, do poder econômico e social. Exemplo disso temos as sociedades orientais, onde “são geralmente valorizados e respeitados - suas opiniões têm peso significativo nas decisões da família [...] já nos esquimós é diferente: quando envelhecem funcionalmente [...] procuram se isolar voluntariamente e morrer longe da família” (VARELLA, 2009, p.07).
A população dos países da América Latina como o Brasil, os considerados idosos, são desprezados, discriminados e excluídos, cultivados por uma sociedade em que apenas os jovens têm capacidades e os excluindo da vida cotidiana. Como afirma Varella (2009, p.07) “o adjetivo “velho”, quando referente a pessoas, é depreciativo, sinônimo de gente ultrapassada e desinteressante”.
Entretanto, como afirma Mascaro (p.35, 1997) “em nossos dias, uma pessoa de 60 anos, saudável, interessada na vida, produtiva, pode ser considerada velha? [...] quantas pessoas aos 40 anos ou 50 anos já estão desgastadas, doentes, e parecem tão velhas?”, então algumas particularidades não podem ser atribuídas apenas à idade, mas sobretudo com a genética e a conduta perante à sua vida.
Minayo e Coimbra (2002, p.14), destacam que “cada pessoa vivencia essa fase da vida de uma forma, considerando sua história particular e todos os aspectos estruturais a ela relacionados, como saúde, educação e condições econômicas” que não serão sempre semelhantes.
No Brasil foi criado em 1º de Outubro de 2003 o Estatuto do Idoso, sob a Lei Federal 10.741, que ordena a família, a comunidade, a sociedade e o Poder Público garantir ao idoso “o efetivo direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”, embora o cotidiano de muitas pessoas idosas nos mostra uma outra verdade (BRASIL, 2017, p.44).
A expectativa média de vida está aumentando em todo o mundo com o decorrer do tempo. No Brasil, a estimativa até o ano de 2025 está para o 6º no ranking mundial em número de idosos (OMS, 2005).
Com o crescimento acelerado da população idosa brasileira, infelizmente o que ocorre é que ainda não se atribuiu a legítima importância desta massa, com reformas e adequações em instituições sociais que são vitais ao atendimento dos mesmos.
Pode-se assim dizer que “ser velho não é o contrário de ser jovem. Envelhecer é simplesmente passar para uma nova etapa da vida, que deve ser vivida da maneira mais positiva, saudável e feliz possível”, sendo necessário conceder tal importância a eles como de fato concedemos a outras fases da vida (ZIMERMAN, 2000, p.28).
Devemos ao menos considerar que é “importante para conviver com o processo de envelhecimento aceitá-lo como condição existencial, entendendo que só envelhece quem teve o privilégio de viver todas as fases e de não morrer quando criança ou quando jovem (MELO; MELO, 2014, p.33). 

3. Qualidade de Vida

A saúde e a qualidade de vida dos idosos, sofre uma interferência de diferentes causas cognitivas, biológicas, sociais e culturais. Desta maneira, ao analisar e oportunizar a saúde do idoso tem sentido que julgamos variáveis e notáveis em uma ação interdisciplinar e multidisciplinar. As seguintes considerações da Organização Mundial de Saúde corroboram este contexto:
“A qualidade de vida é a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida dentro do contexto de sua cultura e do sistema de valores de onde vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. É um conceito muito amplo que incorpora de uma maneira complexa a saúde física de uma pessoa, seu estado psicológico, seu nível de dependência, suas relações sociais, suas crenças e sua relação com características proeminentes no ambiente” (OMS, 1994).
“À medida que um indivíduo envelhece, sua qualidade de vida é fortemente determinada por sua habilidade de manter autonomia e independência” (OMS, 2005, p. 14). 
O lazer relacionado a atividades físicas e psíquicas está relativamente associado em benefício da qualidade de vida, onde o fator fundamental é ofertar uma convivência social, positiva, íntima e segura. Em todos os países, e especialmente nos países em desenvolvimento, medidas para ajudar pessoas mais velhas a se manterem saudáveis e ativas são uma necessidade, não um luxo (OMS, 2005, p.08).
Segundo a afirmação de idosos “os indicadores de qualidade de vida por eles apontados como mais significativos apresentam os seguintes itens: saúde, relacionamento familiar, suporte afetivo, renda satisfatória, participação e reconhecimento social”, visto quando são ofertados a eles a presença nas rotinas diárias, proporcionando um bem estar e satisfação com a própria vida e com o sentimento de ser importante (VALENÇA; NETO; ZENATI, 2008 p.39).
Infere-se, assim, que o termo qualidade de vida engloba o conceito amplo de bem-estar, mas isso depende do autojulgamento do próprio indivíduo, ou seja, o quanto ele está ou não satisfeito com a qualidade subjetiva de sua vida. É um conceito subjetivo que depende de padrões históricos, culturais, sociais e até mesmo individuais. A avaliação da qualidade de vida de determinado indivíduo varia em função das três dimensões nas quais o sujeito encontra-se inserido: física, psicológica e social (MIRANDA; BANHATO, 2005, s/p). 
Os fatores que mais comprometem a qualidade de vida são a saúde comprometida, perdas afetivas, sensação de inutilidade, ausência de suporte familiar e renda insatisfatória (VALENÇA; NETO; ZENATI, 2008, p.43).
A perda de vínculos, as dificuldades econômicas e a urgente necessidade de adaptação a uma nova condição surgem como determinantes da situação em que se encontram (VALENÇA; NETO; ZENATI, 2008, p.50).
Segundo Park (2003, p. 71) para que o idoso disponha de uma boa qualidade de vida é necessário que tenha consciência as seguintes orientações:
[...] correr como criança (pela importância da atividade física e da brincadeira propriamente dita); comer como um índio (comer menos e alimentar-se de produtos o mais natural possível); descansar como um gato (deitar, esticar e ao levantar-se fazer um alongamento como fazem os gatos); ter a persistência de um camelo (manter seus compromissos consigo mesmo da atividade física e da dieta); ter a alegria de um golfinho (não posso afirmar que a alegria aumente a esperança de vida, mas que o mau-humor diminui, é certo); ter a independência de um pássaro (depender o mínimo possível dos outros); ter a solidariedade de um cão (ser solidário sempre); E por último, fugir da sombra, fugir da escuridão. (Não ficar apático, escondido, achando que a vida quem vive são os outros. É preciso voltar para o palco e viver a vida de maneira brilhante).
O idoso tem que olhar a velhice de uma forma diferente, não somente com a chegada de rugas, a perda de habilidades, dependência ou doenças; que agora não é momento de descansar, e sim de serem inseridos em atividades físicas e sociais.
É importante que os familiares e cuidadores exerçam a capacidade de observar a linguagem não-verbal, os gestos; prestar atenção no que o idoso fala, dar oportunidade para que ele participe das atividades da casa e da família, dentro dos seus limites (VALENÇA; NETO; ZENATI, 2008, p.43).

3. Envelhecimento Ativo: Conceito e Fundamento

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o envelhecimento ativo é o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas (OMS, 2005). A promoção do envelhecimento ativo supõe a prevenção de doenças e da incapacidade, além da maximização do bem-estar e da qualidade de vida na velhice (JACOB; FERNANDES, 2011 apud CRAMÊS, 2012, p. 27).
É importante destacar que a população de idosos está crescendo em consequência da queda da taxa de fecundidade e também pelo aumento da longevidade dos idosos (MENDES et al., 2005). No Brasil, os idosos, indivíduos com 60 anos de idade ou mais, correspondem a 8,6% da população total (cerca de 14 milhões de pessoas). Este número poderá ultrapassar nos próximos 25 anos, a marca dos 30 milhões de pessoas (IBGE, 2009).
Estas transformações demográficas originam fortes desafios a serem enfrentados pelas políticas públicas, exigindo assim um maior preparo dos órgãos responsáveis (BÁRRIOS; FERNANDES, 2014).
Apesar dos desafios gerados, os idosos são fundamentais na sociedade. Contribuem com seus conhecimentos, sua cultura e seus costumes com o orçamento familiar e fazem parte do desenvolvimento da sociedade e do país (BRASIL, 2005). Por isto, é de suma importância que esta população continue a ser ativa na sociedade.  Assim, as questões sociais com enfoque nos idosos são essenciais para os mesmos sentirem-se parte da sociedade (MENDES et al., 2005).
O fortalecimento de vínculos familiares, de amizade, de lazer e sociais é capaz de possibilitar uma maior inserção dos idosos na comunidade, promovendo assim, mudanças na vida cotidiana, como busca de melhoria da qualidade de vida. Por isto, na atualidade, se considera a prática das atividades físicas como uma das maiores conquistas da saúde pública, que contribui para uma boa disposição física e mental destes indivíduos (FERREIRA et al., 2012).
Em estudo sobre o envelhecimento ativo, os pesquisados relataram visão favorável e desfavorável sobre o processo de envelhecimento. A visão favorável apareceu vinculada ao envelhecimento ativo, às atividades domésticas e ao lazer. Quando não estava associado à palavra ativo, o envelhecimento foi representado como sinônimo de perdas e de incapacidades (FERREIRA et al., 2010).
Manter os idosos independentes funcionalmente é o primeiro passo para se atingir uma melhor qualidade de vida. Para tanto, é necessário elaborar ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação, que interfiram diretamente na manutenção da capacidade funcional destes idosos (FERREIRA et al., 2012).
psicologia também apresenta importante papel na manutenção da capacidade funcional destes idosos. Por isto, no campo da psicologia deve haver uma busca por estratégias que garantam a promoção da saúde e a atenção às especificidades da população mais velha (RIBEIRO, 2015). Por isto, para a prática da Psicologia, é exigido, por parte dos profissionais da área, um domínio de conhecimentos específicos (BATISTONI, 2009). Neste contexto, preceitos teóricos e práticas baseadas na psicologia do envelhecimento podem contribuir para o enfrentamento dos desafios na atenção em saúde do idoso (RIBEIRO, 2015).
Manter os idosos funcionalmente independentes é um dever de todos. Para tanto, é necessária a elaboração de ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação que interfiram diretamente na manutenção da capacidade funcional dos idosos (FERREIRA et al., 2010).
Assim, pode-se garantir à população um processo de envelhecimento com qualidade, englobando o bem-estar físico e emocional, aumentando a expectativa de uma vida saudável. 

4. Sexualidade na Terceira Idade

A sexualidade do idoso é cercada por certos tabus e preconceitos, sendo uma das áreas que ainda desperta acentuada polêmica.
Devemos considerar que a sexualidade faz parte da constituição humana e com isso corresponde uma necessidade fisiológica e emocional. Sua manifestação é determinada pela maturação orgânica e mental, expressando-se de forma diferente nos estágios do desenvolvimento humano. Infelizmente, os idosos da nossa sociedade são privados de manifestar sua sexualidade. Por isso precisamos pensar e debater sobre esse tema, contribuindo assim para uma sociedade mais justa (Antunes et al. 2010 apud Domizio; Calefano, 2014). 
Grande parte dos idosos acreditam que estimulam a sua sexualidade, no entanto, eles identificam a família e religião como fatores inibitórios (UCHÔA et al., 2016). Estes vêem-se presos aos julgamentos familiares e estabelecem uma relação de submissão a sua família. Eles não vivem de forma plena e livre sua sexualidade. Ficando assim, evidente como a cultura opressiva da sociedade e da família, interfere a vivenciar a sexualidade em sua plenitude (Souza et al., 2015).
            A expressão sexual regular contribui para um bem-estar físico e psicológico e pode contribuir para a diminuição de problemas físicos e mentais associados ao envelhecimento. O desejo sexual não desaparece com o passar dos anos e o idoso pode disfrutar da vida sexual desde que este não se altere. As relações sexuais estão associadas a uma melhor qualidade das relações íntimas, a uma menor taxa de sintomas depressivos, a um aumento da autoestima, a uma melhoria da saúde, cardiovascular, entre outros [...] (SENRA 2013, p.17).
O amor, respeito e carinho são apontados pelos idosos, como elementos centrais que estruturam e organizam a representação social da sexualidade na terceira idade. O sexo, portanto, não representa o aspecto mais importante para o idoso (Queiroz et al., 2015). Mas, valem destacar que é possível atingir a velhice de forma saudável, expressando o amor e a sexualidade, elementos por vezes negligenciados pelos próprios idosos (ALMEIDA; LOURENÇO, 2007, et al. 1982).

5. A Família na Vida do Idoso

Sabemos que em qualquer idade a família é considerada, social e culturalmente, a base de vida de uma pessoa. Hoje em dia, após as transformações sociais e culturais que percebemos ao longo do tempo, sabemos que esse conceito de família se mantém válido, entretanto, foi profundamente transformado. O sentido de família para o idoso é de um espaço de proteção, aconchego, segurança, sugerindo a expectativa de amparo (DEZAN, 2015).
Os idosos nos dias de hoje nasceram em épocas em que haviam diferentes valores culturais; épocas em que as pessoas mais velhas exerciam um importante papel. Nos dias atuais, há uma mudança no perfil social da família, descaracterizando a valorização do cuidar do idoso. “[...] é uma construção social influenciada pela cultura e contexto histórico, sendo uma instituição importante para a organização humana na sociedade” (MEDEIROS, 2012).
Acompanhar o idoso, no seio familiar, é uma experiência que acarreta fortes sentimentos de gratificação para as pessoas que mantêm um vínculo afetivo forte com este, nomeadamente, a família e outras pessoas significativas que têm a oportunidade de desempenhar um papel fundamental no apoio ao seu ente querido.
A construção do afeto, a ajuda mútua e a compreensão são aspectos essenciais para um convívio fortalecido e agradável entre o idoso e a família. Contudo, se a convivência entre ambos apresentar turbulências, podem ocorrer desentendimentos e desgaste no relacionamento [...]. Portanto o idoso por ter reduzida flexibilidade a mudanças tem dificuldades na sua adaptação a essa nova realidade de coabitar no mesmo ambiente com pessoas de geração distintas, [...] (Berlezi; Scheuer, 2008 apud BENTES; PEDROSO; MACIEL, 2012).
Portanto, a representação familiar na vida do idoso é o suporte principal para que o indivíduo experiencie sua velhice com melhor qualidade de vida, e que seja reconhecido como alguém importante na sociedade e digno de todos os direitos que o ampara.

6. Uma Moradia Digna para os Idosos

A moradia é um fator essencial na vida do indivíduo, para que outras necessidades sejam supridas com menos dificuldades.  Sendo assim, a pessoa idosa necessita de um lar que seja adequado, que ampare a sua condição de viver na fase da velhice. O estatuto do idoso deixa claro quanto aos direito dos idosos.
Segundo Brasil (2018, p. 23) Art. 37: o idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou [...].
Os idosos são inseridos nos lares ou abrigos por diversos motivos, mas são seus próprios filhos, em sua maioria, que determinam essa condição. Talvez, a circunstância de levar ou não um idoso para viver em um asilo pode ser a oportunidade de compreender significados mais profundos, muitas vezes esquecidos pela comodidade de não querer significar sentimentos que nos trazem desconforto e que parece não ter jamais um bom fim.
O autor relata que viver em instituição é uma possibilidade para o idoso encontrar amparo, que muitas das vezes fora desse contexto está desamparado.
De acordo com Camarano (apud CAVALCANTI, 2013, p. 161), viver em uma instituição pode ser apresentar como uma alternativa de apoio, bem como de proteção e segurança. Para tanto, é importante que haja uma mudança de percepção com relação à moradia. As garantias de direitos a um envelhecimento saudável vieram de conquistas da própria categoria dos idosos que, junto à constituição de 1988 (constituição cidadã), tiveram voz para desencadear diversas leis e políticas exclusivas para essa população, inclusive na garantia da qualidade dos serviços prestados nas instituições de longa permanência.
Culpar a família pela institucionalização do idoso não interfere positivamente em nada, nem contribui para uma melhor relação favorável entre ambas partes. Segundo Medeiros (2012, p. 445), nem sempre a família consegue exercer essa função ou cumprir com essa responsabilidade, e podem ocorrer situações de abandono e/ou asilamento.

7. Violência Contra Idosos

Dentro de vários contextos estão presentes diversas formas de violência contra a pessoa idosa, ou seja, no âmbito intrafamiliar, no meio social, nas instituições de longa permanência. A falta de valorização e respeito ao sujeito ou grupo de pessoas idosas têm contribuído para má qualidade de vida desses indivíduos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência contra o idoso como um ato único ou repetitivo ou mesmo a omissão, podendo ser tanto intencional como involuntária, que cause dano, sofrimento ou angústia. A mesma pode ser praticada dentro ou fora do ambiente doméstico por algum membro da família ou ainda por pessoas que exerçam uma relação de poder sobre a pessoa idosa (OLIVEIRA et al., 2013).
A violência contra a pessoa idosa não é só uma realidade na sociedade brasileira, mas, que acomete de maneira global. Conforme Minayo (2005, p. 16), “a violência contra idosos é um fenômeno de notificação recente no mundo e no Brasil”. Demanda assim, a necessidade do comprometimento da sociedade, dos órgãos públicos, da conscientização do valor humano, da preservação dos conhecimentos adquiridos pelos mais velhos para as futuras gerações, e o rompimento da desigualdade que se faz a um sujeito por estar vivendo a etapa da velhice.
A sociedade está inovando constantemente e instantaneamente surgem coisas novas, ideologias, projetos novos, e aquilo que hoje é novidade amanhã já deixa de ser, cedendo lugar para o que surge no momento. “[...] a pessoa vale o quanto produz e o quanto ganha, e por isso, os mais velhos, fora do mercado de trabalho e quase sempre, ganhando uma pequena aposentadoria, podem ser descartados [...]” (MINAYO, 2005, p. 05).
Nas instituições de longa permanência (ILPI), a violência torna-se, muitas vezes, mais aparente devido ao maior distanciamento afetivo, à impessoalidade dos cuidados e a um regime disciplinar demasiado apertado e rígido (HESPANHA, 2008). Nota-se a falta de preparo e suporte que conscientize profissionais e cuidadores a lidar com mais humanidade com esse grupo de pessoas internalizadas.

8. Adaptação Arquitetônica 

No Brasil, as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPs) estão bem distantes do que seria, em tese, um lugar preparado para receber, acolher e dar suporte para o grupo de pessoas internalizadas. Segundo Vinagre (2016, p.6), “para entender a relação do homem com o ambiente, arquitetos e designers precisam entender os aspectos físicos e psicológicos do indivíduo que ocupará o espaço”.
As ILPs não se baseiam somente em favorecer alimento, dar um teto ou auxiliar nos horários corretos de cada idoso tomar seus remédios, mas, proporcionar um ambiente limpo, seguro, adequado, com profissionais qualificados e preparados, visando a melhoria na qualidade de vida desses idosos. [...] Para o público da terceira idade, devem compor não só as redes de assistência e de saúde, mas também a de habitação, fazendo parte da infraestrutura da cidade (VINAGRE, 2016, p.1-2).
Locais que propiciam suporte, condições seguras de locomoção para o público de idosos, certamente acrescentam no bem-estar da vida dessas pessoas. Segundo Avelino et al. (2015), “residências adaptadas certamente contribuirão para uma melhor qualidade de vida da pessoa idosa, que poderá circular [...] uma moradia final, como instituições [...].”
É necessário que as instituições de longa permanência atendam todos os requisitos em relação à infraestrutura previstos no regulamento técnico da RDC ANVISA nº 283/200, possibilitando a melhor locomoção, propiciando um ambiente agradável e um local seguro, no intuito de amenizar e evitar os vários acidentes que os idosos estão vulneráveis a acometimentos. Conforme Avelino et al. (2015), “pessoas de todas as idades sofrem quedas diariamente, porém, ela são mais graves no indivíduo idoso, pois suas consequências podem levá-lo incapacidade e até a morte”.

9. Considerações Finais

O referido artigo foi de suma importância para compreensão de como se dá o processo do envelhecimento humano e como é a qualidade de vida nas instituições de longa permanência. Perante a isto, as Instituições de Longa Permanência tornam-se uma opção para assistência a idosos que se encontram numa situação de dependência. Ressaltando que os idosos residentes em instituições não têm capacidade ativa para a vida diária, sendo, portanto, necessárias alternativas de lazer adaptadas para esse grupo de pessoas. 
Sendo assim, esse público necessita que sejam oferecidas melhores condições de vida, no intuito de minimizar suas dificuldades de dependência física, mental, social e entre outros. Este quadro de dependência pode vir sobrecarregar as famílias, já que a maioria delas encontram-se cada vez menores e envolvidas em atividades profissionais fora do domicílio, ou a institucionalização pode se dar  pela própria escolha do indivíduo.
Portanto, uma das dificuldades principais do idoso é a adequação ao novo lar pelo fato da distinção de valores, costumes, culturas e regras que o indivíduo terá que se adaptar nesse novo ambiente.
É possível envelhecer e ter uma melhor qualidade de vida na terceira idade. Cabe ao indivíduo buscar para si satisfações positivas, considerando o seu bem estar físico e psicológico, e ter relações de contentamento no meio social.
Assim, espera-se que este artigo possa contribuir no conhecimento e informação no meio acadêmico e para a sociedade sobre o público de idosos institucionalizados.

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