PSICOPEDAGOGIA NEUROPSICOLÓGICA - ESPAÇO PARA DISCUSSÃO DE TEMAS RELATIVOS A PSICOLOGIA E PSICOPEDAGOGIA. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PSICÓLOGOS.REABILITAÇÃO COGNITIVA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA. TEMAS RELACIONADOS AO ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA, PSICOLOGIA CLÍNICA, NEUROPSICOLOGIA CLÍNICA E REABILITAÇÃO COGNITIVA - DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, SÍNDROMES DA APRENDIZAGEM - EDUCAÇÃO SEXUAL E EDUCAÇÃO INCLUSIVA

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Alzheimer

O que acontece no cérebro de quem tem Alzheimer: morte das células e neurônios



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DANTE1969/SHUTTERSTOCK/VIX

Descoberto em 1906 pelo neurofisiologista alemão Alois Alzheimer, a doença conhecida como “mal de Alzheimer” afeta diretamente o cérebro de modo lento e progressivo.
Pouco a pouco, as funções cognitivas do cérebro dos pacientes são destruídas. Até hoje não há cura para a doença.
Atenção, memória, inteligência e linguagem são afetadas pelo Alzheimer devido à atuação de uma proteína que se chama “tau”.
A “tau” se acumula e forma barreiras entre as conexões cerebrais. Com o passar do tempo, ou seja, o avançar da doença, essas barreiras ficam mais fortes e destroem as conexões entre os neurônios do córtex, responsáveis pela emoção, inteligência e percepção do nosso cérebro.
Com isso, o córtex encolhe. Quando esse encolhimento chega ao hipocampo, local do cérebro onde se armazenam as memórias e também está associado à aprendizagem e às emoções, o Alzheimer progride para outras áreas do cérebro, causando a morte das células e dos neurônios.

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BLUERINGMEDIA/SHUTTERSTOCK/VIX

perda de memória no Alzheimer vai dos fatos mais recentes para os mais antigos. “Assim, a pessoa pode não se lembrar de algo que ocorreu há uma hora, mas é capaz de contar com detalhes algo que aconteceu muitos anos atrás”, explica Mario Louzã, médico psicanalista do Instituto de psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
“Esses danos são irreversíveis e alteram todo o funcionamento intelectual, afetivo, comportamental e, mais tarde, físico da pessoa”, de acordo com matéria publicada no Jornal Médico The Lancenet Neurology divulgada no Instituto Alzheimer Brasil.
“O paciente perde sua capacidade de pensar, aprender, lembrar, comunicar-se, realizar suas atividades e gerir sua vida com autonomia, necessitando de cuidados constantes de outra pessoa para continuar vivendo”.

Alzheimer causa morte celular dos neurônios


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HAYDENBIRD/ISTOCK

A ciência ainda não sabe dizer ao certo por que o Alzheimer causa uma morte celular, mas diversas análises microscópicas já foram feitas. A partir delas, é possível ter uma dimensão do estrago nos neurônios, causado pela proteína tau.
O tecido cerebral aos poucos se transforma em emaranhados, que os cientistas chamam de fosforilação da proteína tau. No entanto, essa é apenas uma das alterações patológicas do Alzheimer.

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JUAN GAERTNER/SHUTTERSTOCK/VIX

A outra alteração acontece devido à atuação da placa beta-amiloide. Mesmo quem não tem diagnóstico de Alzheimer produz essa placa, tanto que há evidências de que nossos neurônios precisam de uma pequena quantidade de beta-amiloide para funcionar direito.
Em relação ao Alzheimer, porém, a beta-amiloide tem uma concentração muito maior do que deveria nos neurônios. Elas surgem como pequenas pecinhas que formam um obstáculo na transmissão neuronal, bloqueando a sinalização das células (ou sinapses) e afetando a conexão das memórias dos pacientes.

Alzheimer no Brasil afeta 1,2 milhão de pessoas 


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DOCENT/SHUTTERSTOCK

Estima-se que a doença afeta pelo menos 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Pelo menos 10% dos indivíduos com mais de 65 anos, e 40% dos que têm mais de 80, têm Alzheimer.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula que no Brasil pelo menos 1,2 milhão de pessoas  têm a doença, classificada como neurodegenerativa.
Especialistas dizem que, em 2050, pelo menos 25% da população será idosa, por conta do aumento da longevidade em todo o mundo. Isso, naturalmente, levaria a um grande aumento de casos de Alzheimer.
Como é o caso de Antonio Alves, 79 anos, morador de São Paulo. Em entrevista ao Vix, sua filha, Zélia Alves (ambos não quiseram ser fotografados), contou que o pai começou perdendo as chaves até ir ao médico e ser diagnosticado com Alzheimer.
Quando Antonio descobriu que o estágio de sua doença estava bem avançado, em agosto de 2005, começou a ficar irritado com o excesso de preocupação da família. Não conseguia mais segurar a urina, mas não aceitava usar fraldas.
“Ele não gostava que dissessem o que deveria fazer para não se perder e pegou bronca dos filhos que mexiam nas suas coisas”, relembra Zélia.
“As pessoas acham que o começo é difícil, Mas o avanço da doença piora, porque tem que lidar com agressividade e com a demência, que é ainda mais complicado. Tem que ter amor e, principalmente, muita paciência”, disse.
“Comportamentos agitados e desconectados, como agressão verbal e física, hiperatividade motora, irritação persistente e vocalizações repetitivas prevalecem em pacientes com Alzheimer”, diz um estudo sobre as reações comportamentais da doença, realizado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington (EUA).

Descoberta de brasileiro pode prevenir Alzheimer


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DAVID RAMOS/STRINGER/GETTY IMAGES

Há muitos mistérios em torno do mal de Alzheimer, mas diversos especialistas têm se esforçado para encontrar novas soluções para prevení-lo.
O brasileiro Leandro Bergantin, especialista em biologia celular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), surpreendeu a comunidade científica ao desvendar o enigma do bloqueador de canal de cálcio, que pode aumentar e diminuir a pressão dos batimentos cardíacos dependendo da dosagem.
Esse enigma é conhecido como “paradoxo de cálcio”, por ativar um mecanismo diferente da célula a partir da quantidade que se ingere do medicamento.
Bergantin detectou que, com o uso correto do “paradoxo de cálcio”, a incidência ao mal de Alzheimer pode diminuir. “Ou seja, de 1.000 pacientes que não tomam medicamentos, 500 têm Alzheimer. Após esse medicamento, esse número cairia para 200”, exemplifica o pesquisador.
O estudo clínico foi realizado com mais de 60 mil pessoas. “A redução da incidência ao mal de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas, como mal de Parkinson, era clara após tomar o medicamento”.
Em linhas gerais, a descoberta de Bergantin provou que um medicamento que foi feito para controlar hipertensão pode prevenir Alzheimer. “Então, pacientes com mais de 50 anos que tenham predisposição genética ao Alzheimer já poderiam tomar esse medicamento, para retardar o aparecimento”, diz o brasileiro. Ele disse que já entrou com pedido de patente na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para disponibilizar o medicamento no pré-tratamento de Alzheimer.

Cérebro com Alzheimer precisa de treino


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ANDREA DANTI/SHUTTERSTOCK

Por si só, tomar um medicamento de prevenção do surgimento do Alzheimer não é suficiente. É preciso ‘treinar’ o cérebro, estimulando as conexões entre os neurônios da mesma forma com que tonificamos nossos músculos na academia, por exemplo.
“O cérebro é um órgão que se adapta continuamente aos estímulos exteriores, e vai aprendendo com cada nova experiência que temos ao longo da vida”, afirma Mario Louzã. “Todas as atividades que de algum modo exigem algo do cérebro são úteis para manter a cognição”.
Mesmo num estágio avançado da doença, como é o caso de Antonio Alves, treinar o cérebro ainda é necessário. Zélia diz que uma das coisas que seu pai mais gostava de fazer era assistir aos jogos de futebol. “Sempre que tem jogo do São Paulo, coloco pra ele ver, porque sei que ele gosta. Ele pode não falar nada, mas se comunica com o olhar”.
Para estimular o exercício do pai, é comum que durante esses jogos Zélia entre no quarto e desligue a TV no meio da partida. “Ele me olha com uma cara feia! Mas faço isso pra deixar ele ativo, pra ter mesmo essa reação”.

Alzheimer: prevenção e cuidados

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019


Metas e objetivos de vida ajudam no bem-estar da mente
Se você não tem muitas metas de vida, veja por onde começar


Escrito por Adriana de Araújo
Psicologia - CRP 56802/SP
Por Especialistas - Em 7/10/2016

Desde cedo, algumas pessoas já se organizam com estratégias e planejados para um melhor resultado. Traçar metas e objetivos de vida é muito importante por várias razões, como:
NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)
·         Ter mais motivação no dia a dia
·         Ser capaz de modificar estratégias e escolhas ao longo do processo
·         Avaliar os resultados durante o caminho
·         Autonomia
·         Liberdade
·         Independência
·         Maior segurança.
Como estabelecer minhas metas?
Existem muitas maneiras de estabelecer metas. Por exemplo, você pode começar com objetivos mais simples que você já sabe que consegue mais facilmente alcançar e depois ir aumentando a complexidade do que deseja. Há quem já comece com objetivos mais ousados e difíceis, porém, para que dê certo, é preciso organização e disciplina (que nem sempre é fácil). Quem se propõe a fazer algo é preciso estar compenetrado e focado no caminho do sucesso.
Entender melhor o modo de estabelecimento de objetivos para que essa ação ajude na motivação pessoal é essencial. Seguem algumas dicas abaixo. Procure responder de forma detalhada as perguntas que formulei, pois tenho certeza que vão lhe ajudar:
1) O que você quer?
NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)
2) Como pretende alcançar seus objetivos?
3) Quais estratégias pretende usar?
4) Quem você conhece que sabe fazer o que você precisa?
5) Quando pretende começar?
6) Quando pretende terminar?
NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)
7) Durante o processo, como vai mensurar suas conquistas?
A cada ação é possível avaliar o resultado e seguir em frente ou redirecionar o trajeto. Essas sete perguntas são muito úteis no processo de execução. Você agirá e mensurará os resultados obtidos.
Objetivo traçado: como começar?
É importante separar e entender a diferença entre construir um objetivo e construir a forma de atingir um objetivo.
Quais caminhos você vai criar ou percorrer para alcançar seus desejos? Quem não tem por hábito se planejar e acaba vivendo a vida sem programação, pode ter dificuldade de iniciar um plano de ação. Então, como seria esse começo? É importante ter objetivos em todas as áreas da vida? Ou ter apenas um objetivo seja ele profissional ou pessoal? Um ou outro já seria suficiente para termos bons resultados?
Para iniciar esse novo olhar para vida com metas e objetivos o melhor mesmo é começar por uma única área da vida que você consiga mensurar o resultado e que dependa mais de você do que dos outros. Além de ser mais fácil para você administrar o que quer. Sendo assim, você poderá responder em qual área da sua vida você tem maior autonomia para que esse seja o caminho do seu sucesso.

QUE TODOS OS SEUS OBJETIVOS SEJAM ALCANÇADOS EM 2020
Fim de ano chegou e não cumpri minhas metas, e agora?
Em vez de se culpar, veja como planejar melhor os objetivos do próximo ano


Escrito por Adriana de Araújo
Psicologia - CRP 56802/SP
Por Especialistas - Em 6/12/2016

Muitas pessoas se organizam para um ritual de planejamento no começo de janeiro de cada ano: fazer uma lista de objetivos a serem realizados nos próximos 12 meses. Nesse momento, os sonhos, desejos e expectativas ficam aflorados. É uma delícia pensar: "ano novo, vida nova". Essa energia de pensar no que se quer, em manter o que já se tem e ter força para alcançar novos desafios é mágico. É um período prospero para a leveza das nossas fantasias. Saber o que se quer, ter uma missão, um objetivo especial é mesmo um passo importante para várias pessoas. Porém, a frustração vem quando o ano termina e as metas foram pouco cumpridas ou não foram atingidas.
NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)
Os sentimentos mais comuns relatados por quem não teve o sucesso de concretizar seus sonhos são: frustração, culpa e medo. A frustração acontece, porque se acreditou ser capaz de realizar algo que não aconteceu. A culpa vem quando o ano acaba e ao olhar para trás a pessoa percebe que poderia ter tomado outros caminhos, ter feito escolhas diferentes e o mal-estar se instala.
"Se eu tivesse feito de outro jeito" é uma frase comum nesse momento de dor emocional. Porém, não passa de uma grande ilusão e confusão da mente. Olhar para trás nos serve de aprendizado para agir diferente no presente e futuro, mas jamais para imaginar um passado alternativo que nos puni sem oportunidade de defesa. O sentimento de medo faz parte da preocupação, por exemplo, de não ser capaz de agir de modo transformador numa próxima oportunidade.
Um bom caminho para não ativar esses sentimentos negativos é ,quando for fazer a lista de metas para o novo ano, ter uma avaliação se ela é uma lista de desejos aleatórios ou uma lista a ser realizada. Se for somente de sonhos, não haverá frustração caso não seja concretizada.
Se for mesmo um planejamento é preciso, então, outras estratégias, definir:
NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)
a) O que se quer: especificando o desejo;
b) Quando se quer: definir prazos;
c) Estabelecer formas de avaliar os resultados durante o processo nesse caminho de conquista;
d) Planejar como será feito.
BOAS FESTAS E SUCESSO EM SEU PLANEJAMENTO PARA 2020!

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Principais Comportamentos de uma Pessoa com Transtorno de Personalidade Antissocial


Principais Comportamentos de uma Pessoa com Transtorno de Personalidade Antissocial
(Tempo de leitura: 8 - 16 minutos)

Resumo: Neste artigo, pretende-se abordar os principais comportamentais de pessoas com transtorno da “Personalidade Antissocial”. O trabalho apresenta uma breve revisão teórica dos conceitos e características comportamentais, utilizando-se de uma literatura direcionada aos comportamentos que surgem nos sujeitos portadores deste transtorno.
Palavras-chave: Transtorno da Personalidade Antissocial, Terapia Cognitiva, Características Comportamentais de um Antissocial.

1. Introdução

O tema que será abordado nos leva a pensar o quanto a mente humana é misteriosa e instigante para estudos que se estendem há séculos e possivelmente seguirão por anos a fio. A personalidade de um ser humano é constituída de características peculiares e se desenvolve para os traços biopsicossociais, possibilitando conceituar a unicidade do ser. As características, que se aprimoram por toda a vida, dependerão das estimulações que recebem dos contextos vivenciados pelo sujeito.
O presente artigo faz uma abordagem panorâmica do transtorno antissocial que algumas pessoas desenvolvem nos vários setores da sociedade, e que, talvez em função do comportamento de dissimulação, característica própria do transtorno, é frequentemente negligenciado nas relações humanas.
O artigo apresenta uma breve visão dos comportamentos da psicopatia e em sua conclusão destaca a necessidade e a importância do cuidado de quem convive e necessita manter contatos com um psicopata.
Neste artigo pretende-se conceituar o que é psicopatia e sociopatia, apresentando as características peculiares dos transtornos, dando ênfase em como foi se instalando ao longo do tempo, as crenças profundas, os pensamentos e os comportamentos desenvolvidos pelo sujeito.
A percepção e os processos psicológicos de um psicopata são diferentes das outras pessoas, estes entendem o mundo ao seu redor de forma egocêntrica e egoísta, importando somente em satisfazer os seus desejos instintivos. A sua motivação é intensa na direção e persistência, com vistas à realização de uma determinada meta, mesmo que seja atropelando as pessoas a sua volta.
Neste raciocínio, o psicopata desenvolve sua personalidade com refinamento da inteligência racional, desenvolvendo habilidades em determinada área, com o intuito de dominar e fazer desta estratégia o uso do poder para se sobressair diante dos outros.
Na Psicologia, o estudo da personalidade começou a ser expressivamente estruturado na década de 1930, por meio das proposições de Gordon Allport, sendo que seu livro Personality: a psychological interpretation (Allport, 1937) oficializou o marco inicial do estudo da personalidade na ciência psicológica.
A personalidade como "a ordenação dinâmica daqueles sistemas psicofísicos que, no indivíduo, determinam as suas adaptações singulares ao meio ambiente", sublinhando-se assim, que a personalidade é "menos um processo acabado do que um processo progressivo". "Ela possui, sem dúvida alguma, características estáveis, mas encontra-se sujeita a modificações constantes" (Allport, 1937 p. 347).
Segundo observações clínicas por vários estudiosos, caracteriza-se como psicopata, um conjunto de comportamentos apresentados por uma personalidade fria, calculista e sem medo de ofender as outras pessoas. Observa-se também no comportamento, falta de autocontrole emocional e comportamental, falta de empatia, irresponsabilidade, impulsividade, dificuldade para estabelecer vínculos interpessoais por congelamento afetivo, falta de preocupação com os compromissos, ausência de remorso, procura de aventuras sensacionalistas e comportamento antissocial sem necessariamente cometer um delito (Hare, 1973, p.41).
Por conseguinte, Keysers, Rochele Kothe (p. 36), descrevem a empatia como uma conveniência comportamental:
[...] aparentemente, a empatia, para a maioria de nós, é um padrão. Se virmos uma vítima, partilhamos da sua dor. Para os criminosos psicopatas, a empatia parece ser uma atividade voluntária. Se eles quiserem, eles podem ter empatia, o que explicaria como eles podem ser tão charmosos e tão manipuladores. Uma vez que seduzem alguém, a empatia pode ir embora. Livres de restrições desse sentimento, nada pode impedi-los de usarem a violência. 
A psicopatia, assim como a sociopatia, geralmente começa a surgir na infância e na adolescência, mas o diagnóstico é fechado por volta dos 18 anos. O comportamento padrão é de desrespeito às normas sociais e às pessoas próximas. Segundo o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM IV), classificação dos transtornos mentais feita pela Associação Americana de Psiquiatria, a pessoa que desenvolve o transtorno da personalidade antissocial tem como características principais o engodo e a manipulação. É um transtorno que afeta mais o sexo masculino, com possíveis influências genéticas. São indivíduos extremamente inteligentes na racionalidade, com certo entorpecimento na inteligência emocional, argumentativos, sedutores, charmosos e utilizam-se desta estratégia como mecanismos de sobrevivência para manter o lado sádico de sua personalidade.
Um sociopata é guiado por comportamentos considerados desviantes ou impróprios e até mesmo perversos em alguns casos, podendo assim causarem sofrimentos, enquadrados em ambos aspectos, para si mesmo e para a sociedade.
“Chamamos personalidades psicopáticas certos indivíduos que, sem perturbação da inteligência, inobstante não tenham sofrido sinais de deterioração, nem de degeneração dos elementos integrantes da psique, exibe através de sua vida intensos transtornos dos instintos, da afetividade, do temperamento e do caráter, mercê de uma anormalidade mental definitivamente pré-constituída, sem, contudo, assumir a forma de verdadeira enfermidade mental” (Croce; Croce Júnior, 2012, p. 666).
Geralmente a pessoa que desenvolve o transtorno antissocial, recebe uma pressão da sociedade, comunidade, familiares, professores ou dos cônjuges para que busque tratamento, devido a comportamentos indevidos ou relacionamentos interpessoais estressantes. Essa imposição também pode acontecer no trabalho e nas penitenciárias, porque, em muitos casos, a liberdade condicional dependerá do engajamento na psicoterapia.
Essas pessoas criam problemas para a sociedade, já que o transtorno é um padrão de desrespeito e violação aos direitos alheios (American Psychiatric Association, 2000, p.685).
“Mesmo que a psicopatia seja considerada uma patologia social (pelo sociólogo), ética (pelo filósofo), de personalidade (pelo psicólogo), educacional (pelo professor), do ponto de vista médico (psiquiátrico) ela não parece configurar uma doença no sentido clássico, sendo que atualmente há uma tendência universal de considerar os psicopatas como plenamente capazes de entender o caráter lícito ou ilícito dos atos que pratica e de dirigir suas ações (Trindade; Beheregaray; Cuneo, 2009)”.

2. Metodologia

O artigo foi desenvolvido com pesquisa bibliográfica, utilizando SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e outros artigos sobre o tema transtorno de personalidade Antissocial. Desse modo, presente estudo possui caráter descritivo, resumido com informações retiradas por meio de livros e periódicos de embasamento teórico, técnico-científico que se baseiam em saúde mental, em específico a psicopatologia do “Transtorno da Personalidade Antissocial”.

3. Sociopatia e a Teoria Cognitiva

A sociopatia é um transtorno da personalidade descrito no manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5) como “transtorno de personalidade antissocial”. Esse distúrbio é definido como “uma condição mental na qual uma pessoa tem um padrão prolongado de manipulação, exploração ou violação dos direitos de outras pessoas”, segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.
Os axiomas formais da teoria cognitiva postulados por Beck (2000) são: a psicopatologia resulta de significados mal adaptativos construídos em relação ao self, ao contexto ambiental (experiência), e ao futuro (objetivos), que juntos são denominados de tríade cognitiva. Na raiva e no transtorno antissocial, o self é visto como sendo maltratado ou abusado pelos outros, e o mundo é visto como injusto e em oposição aos interesses da pessoa. A especificidade do conteúdo cognitivo está relacionada desta maneira a tríade cognitiva. Há dois níveis de significado: (a) o significado público ou objetivo de um evento, que pode ter poucas implicações significativas para um indivíduo; e (b) o significado pessoal ou privado. O significado pessoal, ao contrário do significado público, inclui implicações, significação, ou generalizações extraídas da ocorrência do evento. O nível de significado pessoal corresponde ao conceito de "domínio pessoal".
Neste sentido, o self se vê como solitário, autônomo e forte. Alguns se veem como maltratados pela família e sociedade e, portanto, faz sentido abusar e transgredir as normas e valores sociais. Geralmente, a visão que se tem dos outros é que eles são exploradores e merecem serem explorados ou que são subservientes e merecer serem vítimas. Seguindo este raciocínio, o sociopata ataca para não ser atacado e explora para não ser explorado. A principal crença desenvolvida pela sociopata é a seguinte: “eu tenho que atacar para não ser atacado”.
O comportamento observável do sociopata na sociedade se estende para a mentira, trapaça e enganação dos outros abertamente, sempre utilizando a sedução como estratégia para manipulação, para em sequência explorá-las e enganá-los.

4. Critérios Diagnósticos do Transtorno Antissocial

De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5), as pessoas com transtorno de personalidade antissocial se caracterizam pelos seguintes critérios:
Pelo DSM-V
Critérios diagnósticos pelo DSM-V (Código: 301.7)
  • A. Um padrão perversivo de desrespeito e violação aos direitos dos outros, que ocorre desde a adolescência, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
  1. Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos éticos e legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de reprovação social ou detenção (crimes);
  2. Impulsividade predominante ou incapacidade em seguir planos traçados para o futuro;
  3. Irritabilidade e agressividade, indicadas por histórico constante de lutas corporais ou agressões verbais violentas;
  4. Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
  5. Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
  6. Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter manipulado, ferido, maltratado ou roubado outra pessoa;
  7. Tendência para enganar e à falsidade, indicada por mentir compulsivamente, distorcer fatos ou ludibriar os outros para obter credibilidade, vantagens pessoais ou prazer;
  • B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
  • C. Existem evidências de Transtorno de Conduta com início antes dos 15 anos de idade.
  • D. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Transtorno Bipolar.
Portanto, no diagnóstico do transtorno de sociopatia o indivíduo necessita ter no mínimo 18 anos de idade e preencher três dos critérios citados acima em um período de tempo considerado.

5. Características do Comportamento de um Sociopata

O sociopata não consegue desenvolver empatia nas relações humanas, ao contrário, o seu comportamento é vazio emocionalmente, frio e muitas vezes cruel. A arrogância se faz presente e a autossuficiência em seus investimentos comportamentais. Não considera o outro em seus projetos pessoais, sociais e de trabalho, e o seu lado narcisista impera diante da comunidade em que vive. Não se submete a qualquer investimento para não frustrar o seu ego, portanto, o seu investimento pessoal no campo da razão é intenso, justamente para não se submeter em ocupações que não merecem destaque na sociedade.
Seu papel de caçador de vítimas se estende para os vários setores da sociedade e a estratégia comportamental é a obstinação, a vaidade e a sedução de forma generalizada para explorar os relacionamentos e satisfazer o seu eu. Hare (2009), considerado a maior referência no assunto e autor do diagnóstico de psicopatia, cita:
“Eles andam pela sociedade como predadores sociais, rachando famílias, se aproveitando de pessoas vulneráveis, deixando carteiras vazias por onde passam”.
Vimos que uma pessoa que não demonstra empatia pelos outros merece muita atenção e cuidado nas relações humanas porque o seu interesse com a qualidade de vida do outro não existe. A pessoa com o transtorno antissocial possui baixa tolerância à frustração e muita impulsividade no comportamento, responsabiliza os outros e tenta intelectualizar suas condutas antiéticas. São egocêntricas e egoístas, não respeitam a individualidade do outro e não desenvolvem lealdade e solidariedade. Quanto aos seus projetos pessoais e profissionais, são desorganizadas e cheio de conflitos interpessoais por falsidade, calúnia e distorções de ideias das pessoas.
Segundo estudos realizados e publicados pela psiquiatra, Dra. Ana Beatriz B. Silva (2010, p. 44):
Os psicopatas têm total ciência dos seus atos (a parte cognitiva ou racional é perfeita), ou seja, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e por que estão agindo dessa maneira. A deficiência deles (e é aí que mora o perigo) está no campo dos afetos e das emoções. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravesse o seu caminho ou os seus interesses, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo. Esses comportamentos desprezíveis são resultados de uma escolha, diga-se de passagem, exercida de forma livre e sem qualquer culpa.
Segundo Farrington (2005), a definição de psicopatia sintetizada e utilizada nas pesquisas atuais é derivada das contribuições teóricas, originalmente propostas sobre o constructo e embasada em estudos empíricos. Envolve três importantes dimensões, além dos comportamentos antissociais em si, assim caracterizadas:
  1. Um estilo interpessoal enganador e arrogante, incluindo desinibição ou charme superficial, egocentrismo ou um senso grandioso de autoestima; mentira, trapaça, manipulação e enganação.
  2. Experiência afetiva deficiente, com pouca capacidade de sentir remorso, culpa e empatia; uma consciência fraca, insensibilidade, afeto superficial e falha em aceitar responsabilidade pelas ações (utilizando-se de negação, desculpas, etc.).
  3. Um estilo de comportamento impulsivo ou irresponsável, incluindo tédio, busca contínua por emoção, falta de metas em longo prazo, impulsividade, falha em pensar antes de agir e um estilo de vida parasita (tais como: dívidas, hábitos de trabalho insatisfatórios).
Pessoas com transtornos de personalidade antissocial são mentirosas e trapaceiam com facilidade e sem remorso. Conseguem manipular até mesmo quem estiver próximo para satisfazer o seu ego. São promíscuos na sexualidade e podem até maltratar animais sem piedade. São capazes de começar a participar de alguns grupos sociais, como por exemplo, religião, escola, clubes recreativos, justamente para ficar próximo às suas vítimas.

6. A Emoção de um Sociopata

Os sociopatas são absolutamente racionais, agem conforme os seus interesses, são frios em relação aos afetos. Hare (2009) cita:

Um psicopata ama alguém da mesma forma como eu, digamos, amo meu carro – e não da forma como eu amo minha mulher. Usa o termo amor, mas não o sente da maneira como nós entendemos. Em geral, é um sentimento de posse, de propriedade. Se você perguntar a um psicopata por que ele ama certa mulher, ele lhe dará respostas muito concretas, tais como “porque ela é bonita”, “porque o sexo é ótimo” ou “porque ela está sempre lá quando preciso”. As emoções estão para o psicopata assim como está o vermelho para o daltônico. Ele simplesmente não consegue vivenciá-las.
Silva (2008, p. 12) cita seu posicionamento a respeito dos psicopatas, expressando a respeito dos seus sentimentos:
”Os psicopatas em geral são indivíduos frios, calculistas, inescrupulosos, dissimulados, mentirosos, sedutores e que visam apenas o próprio benefício”.

7. Sociopatia e Psicopatia

Segundo o pesquisador Robert Hare, a diferença entre a sociopatia e psicopatia está ligada diretamente ao início que o transtorno se apresenta. Para ele, a sociopatia começa no meio ambiente, isto é, na sociedade, onde o indivíduo começa a cometer alguns delitos.
A psicopatia é diferente, possui ligação de fatores biológicos, genéticos e socioambientais. O indivíduo possui um traço inerente na personalidade com a junção desses fatores, formando a sua essência de personalidade, independente das influências do meio em que vive. Portanto, a sociopatia pende mais para as questões ambientais e a psicopatia para as questões genéticas próprio do indivíduo.
Robert Hare (2009):
 "É enorme o sofrimento social, econômico e pessoal causado por algumas pessoas cujas atitudes e comportamento resultam menos das forças sociais do que de um senso inerente de autoridade e uma incapacidade para conexão emocional do que o resto da humanidade. Para estes indivíduos - os psicopatas - as regras sociais não são uma força limitante, e a ideia de um bem comum é meramente uma abstração confusa e inconveniente". 

8. Psicoterapia

Segundo estudos desenvolvidos pela Psicologia , a psicoterapia mais indicada para tratar pessoas com transtorno de personalidade antissocial, é a Terapia Cognitivo-Comportamental. Constatou-se que pacientes submetidos a esta psicoterapia tiveram uma melhora em seus impulsos primitivos e passaram a pensar mais nas consequências de seus atos. Os pesquisadores alegam que a personalidade não mudou, porém, a reincidência caiu de 40 a 52% para 20 e 33% com pacientes com personalidade violenta em liberdade condicional.

9. Conclusão

Fica evidente que o tema abordado é muito complexo, requer um olhar cuidadoso dos psiquiatras e psicólogos clínicos para compreender e auxiliar indivíduos que desenvolveram o transtorno antissocial com o intuito de minimizar as consequências, auxiliando a sociedade a ficar alerta quanto a gravidade do mesmo. Nota-se, pelos estudos desenvolvidos, que por trás de toda atitude, existe uma intenção para satisfazer uma mente egoísta e egocêntrica.
Muito ainda se tem a compreender sobre psicopatia, sociopatia e os transtornos antissociais. Para isso, faz-se necessário desenvolver diagnósticos, prognósticos, tratamentos e continuar com trabalhos de pesquisa, estimulando novos pesquisadores. Com este estudo, ficou evidente que os investimentos necessitam ser intensificados, não somente na teoria, mas na prática clínica, a fim de proporcionar reestruturação psicológica, melhorando os indivíduos com este transtorno e alertando a sociedade para casos graves, com possibilidade de comportamentos psicopatológicos e delituosos.
Nota-se que, para alguns casos, o indivíduo com transtorno antissocial necessita colocar em prática os seus mais sórdidos desejos irracionais para a satisfação de um sadismo perverso. Os psicólogos merecem ficar atentos quanto ao diagnóstico, prognóstico e tratamento, sempre instrumentalizando sua ação com a humildade de buscar mais estudos, para compreender melhor esse tipo de personalidade.

Sobre o Autor:

Referências: 

American Psychiatric Association (APA). Psychiatric Diagnosis and the Diagnostic Statistical Manual of Mental Disorders (Fourth Edition – DSM-IV). Fact Sheet. 1997;1-4.
ALLPORT, G. W. (1937). Personality: a psychological interpretation. New York: Holt.
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